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Em minha defesa, fiz uma citação do Gita: “Aquele que pensa que o Atman é um assassino, tanto quanto o que pensa que o Atman é morto, é ignorante, pois o Atman nem mata nem pode ser morto”. Então, acrescentei: “Assim, porque deveria ser um pecado apanhar o peixe?” O Mestre sorriu e procurou fazer-me entender por vários argumentos: “Quando se alcança verdadeiro conhecimento, não se dá passos em falso!” Súbito, principiou a tossir, e havia um pouco de sangue em sua saliva. Fiquei amedrontado: “Senhor, se continuar a falar isso agravará sua doença. Por favor, não fale mais!” Então, o todo-misericordioso Mestre me disse: “Eu o considero um dos rapazes mais inteligentes dentre os demais. Você compreenderá o que lhe disse através da meditação!”
Então, eu me retirei e conforme suas instruções, comecei a meditar naquilo. Depois de três dias, realizei o significado por detrás da advertência do Mestre. Procurei-o e lhe disse: “Senhor, agora compreendi porque é errado apanhar o peixe. Não farei mais isso. Por favor, me perdoe!” O Mestre ficou muito contente ao ouvir isto. Ele falou: “É enganoso pescar desta maneira. Ocultar um anzol dentro de uma isca e esconder veneno no alimento oferecido a algum convidado, são pecados da mesma espécie.” Humildemente aceitei o que o Mestre disse e senti sua grande compaixão por mim. Mas, ele ainda acrescentou: “É verdade que o Atman nem mata nem é morto. Porém, aquele que compreendeu esta verdade realizou o próprio Atman, assim, porque deveria manter a tendência de matar os outros? Enquanto esta tendência em matar se mantém, ele não está identificado com o Atman, nem possui qualquer Auto-conhecimento. Por isso afirmei que ao alcançar real conhecimento, a pessoa não dá mais nenhum passo fora de ritmo. Você deve entender que o Atman se acha além do corpo, além dos órgãos dos sentidos, da mente e do intelecto, e que ele é a testemunha do fenômeno”. As palavras do Mestre penetraram-me e eu realizei a verdade!”
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