segunda-feira, 31 de maio de 2010

Aforismos de Paramahansa Yogananda

"Sempre pense, primeiro, no que vai fazer e no modo como isso o afetará. Agir por impulso não é liberdade, pois você ficará amarrado aos efeitos nefastos das más ações. No entanto, ser capaz de fazer coisas que seu discernimento lhe diz serem boas para você, isso sim, é ter liberdade plena. Essa espécie de ação guiada pela sabedoria resulta numa existência divina.

"Enquanto o conquistador que existe na alma estiver desperto, nenhuma tristeza poderá projetar sua sombra no limiar de seu coração. (...) Desperte o homem/mulher vitorioso em si mesmo. Levante o herói adormecido, e nenhuma tristeza o oprimirá novamente!

"Você afirma a tristeza o tempo todo, portanto, ela existe. Negue-a em sua mente, e ela não existirá mais. Essa afirmação do Ser é o que chamo de heroísmo no homem. É isso que constitui sua natureza essencial ou divina. Afim de se livrar da ilusão, o homem tem que afirmar seu eu heróico em todas suas atividades.

"Todos vocês são deuses, se pelo menos, pudessem ter consciência disso. Por trás da onda de sua consciência está o mar da presença de Deus. Você precisa olhar para dentro de si. Não se concentre na pequena onda do corpo com suas fraquezas... À medida que erguer sua consciência do corpo e de suas experiências, encontrará esta esfera repleta de grande alegria e plenitude, que ilumina as estrelas e concede poder aos ventos e às tempestades.

Do livro "Onde Existe Luz", editado por Self Realization Fellowship.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Como alcançar a Realização do Eu Superior, segundo Sri Ramana Maharshi

"Todos deveremos retornar à nossa fonte. Cada ser humano está em busca de sua fonte e algum dia a encontrará. Nós viemos do Interior, nos exteriorizamos e, agora, temos de nos interiorizar outra vez. O que é meditação? É nosso Ser natural. Nos recobrimos com pensamentos e paixões, e para descartá-los devemos nos concentrar em um único pensamento: o Ser.

O Ser é como um poderoso imã oculto dentro de nós. Nos dirige gradualmente para Si, embora imaginemos estar indo para Ele de nossa própria vontade. Quando já nos aproximamos o suficiente, Ele coloca um fim a qualquer outra de nossas atividades, nos torna silenciosos e assim engole nossa própria corrente pessoal, matando dessa forma nossa personalidade. Isto sobrepuja o intelecto e inunda todo o ser. Pensamos que estamos meditando n’Ele e nos aproximando d’Ele, enquanto que a verdade é que somos como filigranas de ferro e é o imã do Atman que nos atrai para Si. Assim, o processo de realizar o Ser é uma forma de divino magnetismo.
Pergunta: 'Como atingir a realização do Eu Superior?'
A realização não é algo que se obtém, já está aqui. Basta libertar-se do pensamento “Não realizei!” A quietude, ou paz, é a realização. Não há um só momento em que o Eu Superior não exista. Enquanto persistirem dúvidas ou o sentimento de não-realização, deve-se buscar a libertação destes pensamentos, os quais se originam na identificação do Eu Superior com o ego. Ao desaparecer o ego, apenas o Eu Superior permanece. Para que se aumente o espaço em um recinto, basta retirar o que está obstruindo o espaço. O espaço não é trazido de nenhum outro lugar.

O problema é que você ignora seu estado de plenitude. Este desconhecimento lança um véu sobre o puro Eu Superior, que é beatitude. Este conhecimento errado é a falsa identificação do Ser com o corpo, mente, etc. Essa falsa identificação precisa desaparecer, restando, assim, apenas o Eu Superior. Por isso afirmo que o Eu Superior não é alcançável. Você é o Eu Superior, você já é isso!
Você perdeu a visão desta Beatitude porque sua atitude meditativa não se tornou natural e também devido a recorrência das tendências latentes da mente (vasanas). Quando se tornar habitualmente reflexivo, desfrutar do estado de plenitude espiritual haverá de ser algo da experiência natural. Não é pela simples compreensão “eu não sou o corpo” que a meta do Atman será alcançada. Será que nos tornamos “soberanos” por vermos ao rei apenas uma vez? Se você mantiver o pensamento no Ser e intensamente aspirar por Ele, então até mesmo aquele único pensamento usado para focalizar a concentração desaparecerá, e você verá simplesmente que É, ou seja, o verdadeiro Ser, sem 'eu' ou ego." 
Do livro  "Ensinamentos Espirituais de Sri Ramana Maharshi", edt. Cultrix, SP

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Meditação em Yoga: encontro Ocidente e Oriente (conclusão)

VI. Todavia, esta transferência de conhecimento espiritual até onde nos é possível verificar, teve início em 1.893, com a chegada ao “Parlamento das Religiões”, em Chicago, do Swami Vivekananda proveniente da Índia.
Nossa mente prática tem-se voltado para o Oriente em busca de inspiração e perspectiva espiritual. Temos nos sentido desorientados, sem novas idéias e diretrizes, padecendo de fome e sede de saber. Mas... por onde começar, como dar o primeiro passo?
Há um antigo ensinamento que poderia ser assim resumido:

“ Busca a solidão toda vez que o sentido da vida te deixar o coração ! “


Buscar a solidão pode ser tanto um convite , que se pode aceitar ou não, ou um verdadeiro chamado , que o levará, de fato, a buscar algum tipo de solidão ou de retiro. Todos os bons e experimentados buscadores conhecem este chamado. Ou, deveríamos dizer, “exploradores”?
Swami Vivekananda era um destes grandes, extraordinários exploradores. Porém, ao contrário dos desbravadores convencionais, que procuram riquezas e bens materiais, ele nos veio trazer “ LUZ espiritual” !

Basta dizer que ele apenas completara 30 anos, quando, impelido pelas condições culturais que o cercaram na época, 1893, deixou sua pátria, a Índia, em demanda da América, afim de participar de um grande encontro inter-religioso na cidade de Chicago, o Parlamento das Religiões, como representante da sabedoria dos antigos rishis hindus.
No momento em que Swami Vivekananda desceu do navio à vapor ‘Express of India’, que o trouxe à “terra prometida”, o grande cisne da sabedoria antiga, a filosofia Vedanta, iniciava seu vôo de reconhecimento ao ignoto continente americano.
Como sabem os estudantes do ensinamento de Swami Vivekananda, seus primeiros passos na América desconhecida e distante, foram inteiramente gloriosos. Tornou-se uma celebridade, da noite para o dia, e, como tal, seguiu-se uma longa série de compromisso, envolvendo adaptações, viagens, palestras públicas, programas de classes, etc.
Em particular ou em público, a tônica das conversações de Swami Vivekananda foi sempre “como encontrar e realizar nossa natureza Divina”.
É esta a idéia fundamental de seus ensinamentos: “ENCONTRE DEUS! NADA MAIS IMPORTA !”

Um límpido e claro horizonte, drapejado de liberdade, estava sempre diante de seus olhos. Que outra razão haveria para viver, senão para alcançar a glória da auto-realização ?
Há uma obra do novelista americano Ernest Hemingway que marcou época: “Por Quem os Sinos Dobram...” !Em determinado trecho da novela, ele diz: “ Não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram para você !”
Da mesma forma, não pergunte para quem soam os “gonzos e címbalos” do Swami Vivekananda, tocados do alto das vertentes brancas dos Himalayas, desde há 120 anos passados . . . soam apenas para você !

                                                HARI OM TAT SAT VIVEKANANDA . . .

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Afirmações Positivas (parte III)

A coisa toda é muito simples, sem mistério! A vida, nossa existência pura, o fato simples de existir, é algo muito precioso por si mesmo. Uma verdadeira 'joia preciosa' se formos ver bem! Porém, não nos demos conta disso à princípio, achávamos que havia muito espaço nela e a fomos sobrecarregando com quanta coisa aparecia, a ponto de hoje ela parecer algo muito banal, e até podemos dizer, difícil de suportar!
Contudo, existir é algo simples, porém existir com sobrecarga é muito desconfortável!
A situação nos parece no mínimo trágica agora. Nos apegamos a tantas coisas que o viver se tornou 'pesado' e... intransferível! E tudo parece tão sem sabor! Quê podemos fazer?
Primeira coisa: reconheça onde está o problema, ou seja, há  desejos em demasia. Você está na vida, porém as coisas da vida se tornaram pesadas para você! É como se estivesse em um barquinho: o barquinho está no mar, mas o mar não pode entrar no barquinho! Se isso acontecer, temos de ir retirando a água acumulada, aos poucos.
Quando abrimos os olhos pela manhã, nos sentimos às vezes como crianças puras, outras vezes como adultos sem viço, não sabendo nem por onde começar o dia! Seja sincero, aquilo em que você não pode intervir, aquilo que não pode mudar, que sua presença não modifica, não se interesse mais, desprenda-se e abandone, no ato! Retire de sua vida o 'mobiliário' desnecessário e que só você sabe qual é!
É verdade que todos gostariam de ter uma vida consistente, mas a CONSISTÊNCIA não vem da posse de coisas, nem do sucessivo experimento delas, mais e mais. A consistência vem da percepção de quem realmente somos, viver de acordo com o Ser. Consistência não vem do 'rechear' os espaços vazios, mas da plenitude de nosso Entendimento. 
(a completar) 

Meditação em Yoga (parte V)

V. Dois outros monges beneditinos me acorrem à memória, por terem vivido na Índia e haverem se misturado aos costumes e tradições religiosas locais. Um deles, do qual não me recordo o nome monástico, adotou tanto as maneiras hindus, como também um nome apropriado – Swami Abhikshitananda. Outro foi um frade, Bede Griffiths, que viveu por lá desde 1.955 até ’68, tendo inclusive fundado um ashram, ou mosteiro, no estado de Tamil Nadu. Griffiths escreveu em seu livro “O Retorno ao Centro”:

“Além de ser cristão, eu preciso ser um hindu, um budista, um muçulmano; um sikh, jainista, zoroastrista e judeu. Só assim poderei conhecer a Verdade e encontrar o ponto de reconciliação de todas as religiões... É esta revolução que tem de se processar na mente do homem ocidental.”


São muitos os exemplos de ocidentais que tiveram suas vidas inteiramente modificadas após haverem visitado a Índia. Vamos citar apenas os ‘pontos culminantes’! Um outro nome bastante conhecido é do escritor e jornalista inglês Paul Brunton, que em seu livro mais famoso “A Índia Secreta”, edt. Pensamento, relata suas conversas e seu despertar espiritual no contato, não muito prolongado, com o sábio de Arunachala, montanha sagrada ao sul da Índia, Sri Ramana Maharshi:


“Como a montanha que se destaca da selva e se ergue solitária aos céus, assim o Sábio levanta a cabeça acima da selva humana, porque sua grandeza também é solitária e sem igual. Como a Montanha do Santo Lume faz um pico isolado no cinturão da serra, assim o Maharshi, por não sei que poder misterioso, reina soberano sobre o rebanho de fiéis que o amam e cercam.”
(a continuar)

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Afirmações Práticas à Vida Diária (parte II)

“Deve-se, primeiro, ouvir a respeito do Atman”. Ouça, noite e dia, que você é este Atman. Repita a si mesmo sem cessar, até que isto entre em suas veias, até que lateje em cada gota de sangue, em todos seus ossos e carne. Que o corpo todo se preencha com este único ideal –‘Eu sou  o imortal, o venturoso, o onisciente, o todo poderoso e sempre glorioso Atman’. Pense nisso dia e noite até que seja parte efetiva de sua vida.
Pois, sermos lembrados de nossa fraqueza não nos ajuda muito. Traga a força em vez disso, mas esta não vem se ficarmos pensando em fraquezas o tempo todo. O remédio à fraqueza não é nos entregarmos a ela, e sim, pensarmos na 'força'. Ensine às pessoas sobre a força que já se encontra em seu interior. Esta é a única atitude a cultivar!"  
( Assim falou o Swami Vivekananda, em Vedanta Prática)

Este é o contexto à partir do qual podemos tomar uma resolução: elevar a qualidade de nossa vida só depende de nós. Uma vez que tenhamos estabelecido um nível de consciência elevado, podemos iniciar nosso trabalho com os decretos dinâmicos ou afirmações positivas.
A primeira e mais simples de todas elas é a afirmação 'Eu Sou'.
À partir desta, tendo-a como base, muitas outras podem ser criadas contemplando de algum modo um aspecto de nossa real Natureza. Vejamos alguns exemplos:

"Eu Sou laboriosa Presença trabalhando em tudo que deve ser feito!"
"Eu Sou a fonte que oferece sem cessar a água cristalina do verdadeiro Amor!"
"Eu Sou a consciência, a luz, a presença da Existência!"
"Eu Sou o Atman, todo maravilhoso e livre!"
"Eu Sou este Poder que em toda parte opera!", ou mesmo,

"Eu estou em paz com Deus, estou em paz comigo e também com o amigo e o inimigo;
 estou em paz com todos pois todos estão em mim!" , ou ainda,

"Que todos os seres sejam felizes, que todos os seres sejam ditosos,
 que todos os seres estejam em Paz!"

Estas afirmações devem ser conscientizadas, declaradas para si mesmo e feitas em suave e demorado silêncio! Não se trata de mantras conducentes à condições de meditação. Você pode, com o tempo, ir definindo alguma em especial para você, para certos momentos, para acalmar sua mente e lhe conferir visão mais clara. Porém, lembre-se sempre, isto é escolha apenas sua. Outras pessoas podem não desejar se envolver com este desenvolvimento de sua personalidade. Haja , portanto, com inteligência!
(a continuar)

Meditação em Yoga: encontro Ocidente e Oriente (IV)

IV. Portanto, a idéia de ‘meditação’ é bastante antiga, incluída que está em uma tradição que ostenta mais de 6.000 anos de conhecimento, de averiguação e de auto-sustentação, e tudo, em qualquer dos sistemas de pensamento e filosofia, está baseado na verificação intuitiva, através da meditação!

Porém, aqui no ocidente, não se conhecia nada disso até bem pouco tempo atrás. A educação psicológica foi sempre desvalorizada, dando-se preferência à educação apenas operativa, fornecedora de ferramentas para o sustento do corpo e nada para o aprimoramento mental. Nas igrejas se ensinou sobre os pecados capitais, sobre vergonhas e culpas; confissões, orações, medos; Deus e o diabo! Falou-se muito em perdão e arrependimento, mas nada foi dito sobre algum meio de harmonizar as tendências inatas, e crescer interiormente.

Nos mosteiros, aqueles monges que viviam experiências mais reclusas, podiam falar em ‘meditação’, e em algumas das tradições mais ascéticas, chamadas ‘dos pés descalços’, a vida contemplativa deveria se harmonizar, de fato, com a vida ativa.
Um monge beneditino ou trapista, por exemplo, poderia recomendar a um devoto a meditação em textos consagrados ou em certas frases, que inclinassem à submissão e ao arrependimento.

Alguns destes monges obtiveram de suas Ordens autorização para uma visita ao Oriente, tanto à Índia quanto ao Tibete, como aconteceu no caso de Thomas Merton, escritor e pensador trapista que relatou passagens de sua viagem no livro, bastante conhecido, “O Diário da Ásia”, que não chegou a concluir: após visitar Darjeeling, Calcutá e Madras, veio a falecer vitima de um choque elétrico, no mosteiro em que se hospedava, no ano 1.968, em Bankoc, na Tailândia. Era tão apaixonado pela Índia, que ao sobrevoar Calcutá, escreveu o seguinte:

‘É uma cidade que eu amo! O vôo de hoje foi lindo. Não me refiro à beleza bizarra e macabra das favelas, ao antigo esplendor perdido. Falo da beleza sutil dos açudes suburbanos e dos pomares, homens que solenemente se banham de manhã cedo e de garças brancas muito lindas e quietas, de pé entre os lótus, ou voando. Também a cidade, com seus muros em ruínas avivados por inscrições em bengali!’

(a continuar)

OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente



Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.

O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.

Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.

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