sábado, 12 de junho de 2010

A Canção 'Eu Sou', de Sri Nisargadatta

"Mergulhe fundo no sentido 'Eu Sou' e você o encontrará!
...foque sua mente em 'Eu Sou', que é o puro e simples S E R. Dê o primeiro passo primeiro. Toda ventura vem de dentro. Volte-se para dentro. O 'Eu Sou' você conhece. Esteja com ele todo tempo que puder, até reverter a ele expontaneamente. Antes de qualquer começo, antes de qualquer fim... Eu Sou!
Mergulhe fundo em si mesmo e vai saber que é bem fácil e bem simples! Siga em direção do 'Eu Sou'!
Ao afirmar 'Eu Sou', não me refiro a uma entidade separada, com seu corpo e núcleo. Refiro-me à totalidade da Existência, o Oceano de consciência, o inteiro universo com tudo que é e possui consciência. 
Mas, as palavras mostram sua limitação. O real não pode ser descrito, apenas deve ser experimentado. 
Tudo é Um, não importa quanto discordemos. Tudo se realiza a fim de satisfazer a única fonte e meta de cada desejo, aquele que todos nós conhecemos por 'Eu Sou'. 
Tal como o sol se encontra refletido em bilhões de gotículas de orvalho, assim também o Eterno é repetido de modo infindável. Quando repito 'Eu Sou'...'Eu Sou', apenas afirmo e reafirmo um fato sempre presente. Não veja as palavras que podem cansar, veja a verdade por trás delas. Entre em contato com ela e conhecerá o significado completo das palavras e do silêncio - de ambos!"

Do livro "I Am That", de Sri Nisargadatta Maharaj

segunda-feira, 7 de junho de 2010

        "O Resplendente Ser"
Seu ser é o miraculoso Ser divino!
Quando se busca as coisas da mente inferior, fica-se sujeito ao mundo da lei.
Mas, quando se busca as coisas da mente superior, coisas divinas, espirituais e além da matéria, entra-se em um reino de milagres e graça!
Coisas miraculosas acontecerão quando você pensar na real natureza do Ser.
Você ficará surpreso ao verificar como o Ser se tornou uma força iluminadora dentro de você!
A natureza é vestimenta do Divino. Para além das leis mecânicas da natureza existem leis superiores, bem mais flexíveis; de lá são provenientes os milagres!
Quando você afirma "Eu Sou o ser Divino", vai perceber que o verdadeiro Ser principia a se manifestar.
"Toda verdade se acha em meu interior", isto é conhecimento: Eu sou a testemunha, o espectador!
Eu sou aquela efulgência Infinita sobre a qual todo o universo dança!
Seja a Testemunha. Tudo não passa de um jogo - todo universo é um jogo.
Assim, tudo está carregado de veracidade!
Do livro "Shafts of Light", by Swami Ashokananda, edt. por Kalpa Tree Press

A Jóia Suprema do Discernimento, segundo a "Bhagavad-Gitâ"

Para muitos este texto "Bhagavad-Gitâ", composto ao que se sabe há pelo menos 6.000 anos, é a pedra filosofal, por assim dizer, da psicologia e filosofia oriental. Tem sido, portanto, um seguro roteiro espiritual, em que Arjuna, um discípulo de natureza guerreira, houve de seu Instrutor, Sri Krishna, sobre a arte de sobrepujar as emoções pessoais diante de todas adversidades. Este diálogo acontece no campo de batalha de Kurukshetra, onde os exércitos oponentes se encontram dispostos, à espera do sinal para o início da guerra. Tudo isso, é claro, está em linguagem simbólica. No 2º capítulo, intitulado "A Yoga do Conhecimento", cujo verso 49 vamos examinar agora, Sri Krishna está recordando Arjuna de sua verdadeira natureza, e que, sendo assim, ele não pode desistir de seu papel, tem que enfrentar seu compromisso e lutar, porém, à partir de uma atitude ponderada e equilibrada, surgida da prática de Yoga. Cada um dos versículos, ao longo de 18 capítulos, é comentado nesta obra extensamente, seguramente, com clareza e síntese, de modo a que o leitor ocidental tire o máximo de proveito em seu estudo.

"A primeira coisa a fazer é comandar sua mente. Nós, raramente, manejamos nossa mente. Sabemos manejar ferramentas, mas a maior das ferramentas é nossa própria mente, e nunca a manejamos, deixamos que siga como lhe apraz. Assim, a Gitâ nos provê com outro ensinamento: maneje as ferramentas, mas também sua mente. Então algo grandioso acontecerá a você!
O próximo verso, verso 49, diz assim:
'O trabalho (motivado pelo desejo) é muito inferior aquele realizado com a mente estabelecida em buddhi-yoga. Oh, Herói, busca refúgio neste buddhi, a serenidade da mente; infelizes são os que atuam por resultados egoístas. ’

Estes versos, no coração do segundo capítulo da Gitâ, são magistrais, transmitindo uma profunda filosofia de vida à toda humanidade: ‘Oh, Arjuna, as ações realizadas por motivos pessoais são bem inferiores aquelas feitas do ponto de vista de buddhi-yoga; tome refúgio em buddhi, desenvolva este buddhi em si mesmo. Aqueles que correm atrás dos frutos do trabalho, são de mente estreita. (...)
Buddhi é um grande conceito em Vedanta, surgindo muitas vezes na Gitâ. Na verdade, trata-se da faculdade de raciocinar, de julgar e de discriminar. Representa a integração entre intelecto, vontade e emoção. Também controla, ou deveria controlar, todos os processos sensoriais e psíquicos no ser humano. Este sistema cerebral é o instrumento orgânico de buddhi, e foi feito para controlar e regular todo o organismo humano, menos as funções automáticas do corpo. Entendendo isso, e tentando praticar um pouco deste conhecimento, qualquer um pode desenvolver buddhi em si próprio, como instrumento de realização da meta evolutiva no estágio humano. Isto é fabricado com o sistema de energias psicofísicas em cada pessoa, purificamos esta energia e a refinamos; então, ela se torna buddhi.
Todo caráter superior está baseado no refinamento da energia psíquica. Energia psíquica bruta nos fornece um caráter grosseiro. Este é um tema importante: temos hoje grandes refinarias em muitos países, onde se toma óleo cru, se refina e se obtém ótimos produtos de petróleo, até mesmo essências finas. Refinar é essencial no que concerne ao óleo natural. Similarmente, a natureza concedeu ao homem uma surpreendente refinaria de experiências em seu interior. Tome uma experiência crua, rude, refine-a, e então ofereça estes sublimes produtos do caráter: amor, compaixão, eficiência no trabalho, paz, dedicação – à partir de uma forma primitiva de energia existente em si mesmo. É um tema no qual os jovens deveriam pensar e exercitar em suas vidas: como refinar minha própria experiência? Hoje em dia, no conceito e prática da educação em todo mundo, quase nada existe deste refinamento de experiências. A grosseria surgida em nossas vidas é espantosa! Grosseria nas relações humanas comuns, grosseria na política, grosseria em tudo; há educação, mas não refinamento; há energia psíquica, mas não refinada; esta grosseria é um sinal de que nós não usamos nosso sistema corpo-mente como refinaria de experiências. Todas estas idéias fazem parte do ensinamento que Sri Krishna nos oferece neste 2nd. capítulo. Onde não há buddhi, vivemos e trabalhamos à partir de um nível inferior da vida. Assim, nos tornamos pessoas motivadas a retirar os frutos para si mesmas. Não há espaço para ‘você’ ou para ‘nós’ em nossa mentalidade. Ao contrário, do nível de buddhi, toda ação ou pensamento irá procurar o bem-estar alheio, junto com o próprio: ‘Que posso fazer por você?’, será a atitude preponderante. Isto se chama buddhi-yoga ou yoga-buddhi, a única fonte de energia de qualidade superior. Este buddhi em você é o mais próximo do Atman ou Brahman, o único Ser divino em todos. Buddhi tem apenas que se voltar, e o Atman lá está, aquele que é Infinito.
Ao estudarmos o Katha Upanishad, nos defrontamos com o lindo exemplo da biga, ou carro de guerra. A vida humana não deixa de ser uma viagem em busca de realização. Há dois tipos de viagem: a externa, onde o corpo é o carro, ou biga, os órgãos dos sentidos são os cavalos, a mente são as rédeas e buddhi dirige o carro. Dentro do carro está o Ser, o Atman, o mestre condutor em ação. Mas, no contexto da mesma viagem, há outra viagem no sentido interior. Esta viagem interior é a que vale para o caráter e capacitação espiritual superior. (...) Nesta representação de guerra, quem conduz o carro é buddhi, que dirige toda movimentação dos sentidos ou cavalos atrelados; toda energia deste movimento está nos cavalos. Estes devem ser controlados pelas rédeas, que devem estar seguras por alguém e este alguém é buddhi. Estas rédeas representam manas, o sistema psíquico. Assim, buddhi é o condutor e diretor da viagem toda, ele estabelece o ritmo da empreitada. Ele, e não os cavalos, pode enxergar longe, ser prudente ao antever ou prever algo. O sistema sensorial não possui pré-visão ou prudência. O sistema psíquico tem um pouco de antevisão, mais que o sistema sensorial, Porém, quando se chega ao buddhi, você encontra elevada premonição e pré-visão. Isto se chama sabedoria. Buddhi é instrumento sem igual para conduzir a vida humana e para atingir o destino humano. Assim, Sri Krishna nos diz aqui: ‘tome refúgio em Buddhi’; não permita que sua viagem seja conduzida nem pelos cavalos, nem pelas rédeas ou pela força das rodas. Do mesmo modo, na situação humana, não deixe o corpo decidir sobre o propósito de sua vida. Nem tampouco o sistema sensorial, nem mesmo o psíquico, mas permita ao buddhi decidir sobre o curso da viagem de sua vida. (...)
Da obra "Universal Message of the Bhagavad Gitâ", by Swami Ranganathananda, edt. Advaita Ashrama, Índia

domingo, 6 de junho de 2010

Preceitos para praticar o Reto Discernimento

À medida que se avança no caminho do reto entendimento, vai-se compreendendo o valor inestimável de certos procedimentos. Alguns dos passos de Yoga, que já foram apontados na postagem "Meditação em Yoga", fazem parte da abordagem desenvolvida aqui sob o ângulo de 'Mergulhe Fundo'. Um destes preceitos, o de um reto discernimento, pode ser melhor entendido à partir de uma explicação dada por Sri Ramakrishna a um grupo de aspirantes, sobre o necessário cuidado ao se lidar ou associar a pessoas cuja mente não foi ainda colocada sob qualquer forma de disciplina. Diz ele assim:

"Neste mundo de Deus há uma variedade de coisas: homens, animais, árvores, plantas. Entre os animais, alguns são próximos, outros selvagens. Há animais ferozes, como os tigres. Algumas árvores dão fruto doce como néctar e outra frutos venenosos. O mesmo se dá com os seres humanos, há os bons e os máus, os decididos e os indecisos. Há os que se devotaram a Deus e os que se devotaram ao mundo.
Mas, mas todos eles podem ser classificados em quatro categorias: os sem liberdade, ou sem desejo por liberdade, que são apanhados na rede da mundanidade; os que buscam liberação, os que têm sucesso nessa busca e se tornam livres, e os sempre livres.

Os sempre livres, como o sábio Narada e outros, vivem no mundo para o bem da humanidade, e são como seus instrutores.

As almas sem liberdade são aquelas que permanecem obcecadas com as coisas do mundo, se esqueceram de Deus e jamais pensam nele.
Logo estão as que buscam liberação, algumas delas a conseguem e outras não. As que conseguem são almas livres, que venceram luxúria e cobiça – são os sadhus e mahatmas, em quem não há mais traço de mundanalidade. Suas mentes permanecem fixas aos pés de lótus de Deus.

Quando uma rede é lançada nas águas de um lago, há alguns peixes muito espertos que não se deixam apanhar nela. Estes são como as almas sempre livres. Contudo, a maioria realmente é apanhada pela rede. Alguns destes se esforçam para escapar, são como os que buscam libertar-se, porém nem todos eles conseguem. Alguns poucos escapam da rede com grande estardalhaço, ao que os pescadores comentam – ‘Lá se vai um dos grandes!’ A maioria deles, porém, não pode escapar e nem mesmo chegam a tentar; com a rede presa em suas bocas, se enterram na lama e lá permanecem quietos, pensando que estão a salvo e que não há mais nada a temer. Não se dão conta de que os pescadores, em seguida, vão arrastá-los para fora d´água e separá-los. Estas são as almas sem liberdade.
Estas almas ligadas se emaranharam à rede de luxúria e cobiça, e se acham presas dos pés à cabeça. Chegam mesmo a crer que naquele lodaçal vão encontrar felicidade e segurança. Não percebem que estão para encontrar a morte em estado de servidão. Quando uma destas almas ligadas está para morrer, sua esposa lhe diz: ‘ Você se vai, mas o que está deixando para mim?’ E seu apego ao que possui é tanto que, mesmo naquele momento, ao ver uma lamparina acesa, dirá: ‘Diminua aquela luz, está gastando muito óleo’.
Estas almas ligadas não pensam em Deus. Se dispõem de algum tempo de lazer, gastam-no em conversas ociosas ou atividades inúteis. Se você perguntar a uma delas o que está fazendo, responderá: ‘Não me posso sentar sossegado, assim estou erguendo esta cerca!’ Ou mesmo, quando a coisa aperta, talvez comecem um jogo de cartas!"

Do livro "Sri Sri Ramakrishna Kathamrita", 'O Néctar das Palavras de Sri Ramakrishna', cap. 1

quinta-feira, 3 de junho de 2010

As Leis da Vida Espiritual, segundo a filosofia Vedanta

1. O que, presentemente, tomamos como real, afeta toda nossa personalidade, pensamentos, emoções e ações. Todo nosso ser responde à esta realidade.


2. Nosso conceito de realidade depende de como consideramos a nós mesmos; ou seja, a concepção que o homem tem de Deus evolve com o desenvolvimento  desta consciência de si mesmo.


3. Despertar espiritual é a transformação da consciência da pessoa, o que significa a mudança de um centro inferior a um centro mais elevado de consciência.


4. Embora distinta dos imperativos morais, a aspiração espiritual deve ser sustentada por estes. A prática da concentração (meditação) se não for precedida e sucedida pela purificação da mente e sublimação dos instintos, poderá levar o aspirante a desviar-se.


5. Cada aspirante deve, primeiramente, compreender onde está e começar desde aí; porém, fazendo o melhor uso da proteção e amparo recebidos durante os primeiros anos de sua vida, deve ultrapassá-los e amparar-se em suas próprias pernas, retirando sua sustentação mais do Divino que de homens ou instituições. Esta é a lei do crescimento espiritual. Significa que um aspirante só poderá adiantar-se no caminho espiritual, se estiver preparado a abandonar os suportes que o auxiliaram durante o estágio inicial.


6. A realização do Absoluto- a Realidade transcendental, chega sempre através da realização do Divino Princípio imanente. A sagrada Personalidade (Ishta Devata) é uma manifestação deste divino Princípio.


7. Quanto mais se expande nossa consciência, mais presenciamos o Divino em todas as pessoas e mais espirituais nos tornamos.


By Swami Yatiswarananda, no livro "Meditation and Spiritual Life"

terça-feira, 1 de junho de 2010

Consciência e Centramento, segundo Osho

Primeiro é preciso entender o que significa ‘consciência’.

Você está andando na rua. Está consciente de muitas coisas – das lojas, das pessoas, do tráfego, de tudo. Está ciente de muitas coisas, menos de uma – de você mesmo! Você está passeando, consciente de muitas coisas, mas esquecido de si mesmo! Essa consciência de si, Gurdjieff chamou de ‘lembrança de si mesmo’. Ele dizia: ‘Constantemente, onde quer que você esteja, lembre-se de si mesmo!’
Não importa o que esteja fazendo, nunca deixe de fazer outra coisa interiormente: ficar consciente do que está fazendo. Você está comendo, está caminhando, está falando ou ouvindo, fique consciente de si mesmo. Quando estiver com raiva, fique consciente de que está com raiva. Essa lembrança constante de si mesmo cria uma energia sutil dentro de você, você começa a se cristalizar!
Na maior parte do tempo, você é apenas algo vazio. Nenhuma cristalização, nenhum centro de verdade – só liquidez, só uma combinação ao acaso de muitas coisas sem centro. A consciência é o que faz de você o comandante do navio, não quero dizer que possua o comando, mas que seja a presença, uma presença contínua. Sempre que estiver fazendo alguma coisa, ou não estiver fazendo nada, de uma coisa tem que estar consciente: que você é!
O simples sentimento de si mesmo ( de ser ), e de que este si mesmo é (real), cria um centro – um centro de calma, de silêncio, um centro de comando interior. Trata-se de um poder interior. (...)
Se começar a ficar consciente, você começará a sentir uma energia nova em você, um fogo, uma vida nova. E, devido a esse poder, a essa energia, aquilo que dominava você se dissipa.
Você tem ainda que lutar contra a raiva, contra a ganância, contra o sexo porque você é fraco. Portanto, na verdade, a ganância, a raiva, o sexo não são o problema, a fraqueza é o problema. Quando começar a ficar forte interiormente, com um sentimento de presença interior – de que você é – suas energias se cristalizam em um único ponto, e nasce um ‘Eu’. Veja, não nasce um ego, mas um ‘Eu’. O ego é um sentido falso do ‘Eu’. Mesmo sem ter um ‘Eu’ – um centro – você continua acreditando que você é um ‘eu’, que na verdade é o ego.
O ego é uma noção falsa de algo que ainda não existe. ‘Eu’ significa que existe um centro, mas esse centro só é criado por quem está continuamente alerta, consciente. (...) Tente ficar consciente o tempo todo e então começará a sentir que surge um centro dentro de você: as coisas começaram a se cristalizar, ocorre um centramento. Tudo passa a se relacionar com este centro.
Mas, atualmente, estamos sem este centro. Às vezes, nos sentimos centrados, quando somos obrigados a ficar conscientes. Se surgir uma situação de grande perigo, começamos a sentir um centro lá dentro, pois temos consciência de que há perigo. Se alguém o ameaça, não dá para ficar inconsciente, não dá para correr ao passado ou ao futuro, esse momento é tudo que há. Nesse instante, você não somente fica consciente da ameaça, como também de si mesmo. Nesse momento sutil, você começa a perceber o centro que há em você. É por isso que os jogos perigosos atraem as pessoas. Você está dirigindo um carro e começa a aumentar cada vez mais a velocidade, a coisa começa a ficar perigosa. Você não pode pensar, não pode imaginar, o presente se torna sólido. Nesse instante de perigo, quando a qualquer momento algo pode acontecer, fica-se repentinamente consciente de um centro dentro de si mesmo. O perigo fascina simplesmente porque, quando há perigo, você pode ficar centrado. (...) Quando a morte está próxima, a vida fica intensa e você fica centrado. Mas, se for apenas circunstancial esse centro desaparece logo que a situação terminar.

Por isso tem que ser mais interior, não fruto do momento. Tente ficar consciente diante das coisas mais comuns. Quando estiver sentado, por exemplo, tenha consciência do ato de sentar-se. Não só da cadeira, não só do ambiente em que está, da atmosfera que o cerca; mas do fato de estar sentado. Feche os olhos e sinta-se, mergulhe fundo e sinta-se!


Lin-chi fazia sua preleção matinal quando alguém perguntou: ‘Só me diga uma coisa – quem sou eu?’ Lin-chi saiu de onde estava e foi até o homem. Todos na sala ficaram em silêncio. Era uma situação incomum. Lin-chi ficou de frente para ele e o olhou nos olhos. O ar ficou pesado. O inquiridor começou a suar. Lin-chi então respondeu: ‘Não pergunte a mim. Mergulhe dentro de si mesmo e encontre quem está perguntando. Feche os olhos. Não pergunte ‘Quem sou eu?’ Entre dentro de você e descubra quem está perguntando, quem é o indagador interno. Esqueça-me. Encontre a fonte da pergunta. Mergulhe fundo em seu mundo interior.



E contam que o homem fechou os olhos, ficou em silêncio, e, de repente, se iluminou! Abriu os olhos, riu, tocou os pés de Lin-chi e disse: ‘Você respondeu! Tenho feito esta pergunta a todos e recebi muitas respostas, mas nada provou ser a resposta. Mas, você respondeu!’


By Osho no livro "Consciência", edt. Pensamento, SP

O Néctar das Palavras de Sri Ramakrishna

"Deus e Sua glória. Este universo é sua glória. As pessoas ao verem Sua glória, esquecem-se de tudo mais. Não querem a Deus cuja glória é o mundo. Todos querem desfrutar de ‘luxo e luxúria’, mas há muita miséria e preocupação nisso. Este mundo é como o torvelinho de um rio, se um bote entra ali não há esperança de resgate! Também pode ser comparado a um arbusto espinhoso; alguém com dificuldade se livra de um maço de espinhos, mas logo está emaranhado por outros. Uma vez dentro de um labirinto, vê-se quão difícil é sair dele. Ao viver no mundo fica-se flambado, como se fosse.’

‘Não é para qualquer pessoa ser um guru. Um enorme tronco flutua sobre a água e pode carregar animais consigo. Mas, um pedaço de madeira sem valor, se alguém se sentar nele vai afundar. Por conseguinte, em cada era, Deus se encarna como o Guru para ensinar à humanidade. Somente Satchidananda é o Guru!

"Maya não é mais que ‘luxo e luxúria’ (kamini kanchan). A pessoa alcança Yoga quando liberta a mente destes dois. O Ser Supremo é o ímã e o ser individual é uma agulha. O ser individual vivencia o estado de Yoga quando é atraído pelo Ser Supremo. Porém, o ímã não atrai a agulha se esta se acha coberta com barro. Só quando o barro for removido a agulha poderá ser atraída. O barro de ‘luxo e luxúria’ deve ser retirado!

"Duas situações provocam o riso de Deus. Ele ri quando dois irmãos, ao dividirem um pedaço de terra entre si, estendem uma corda de um lado ao outro, dizendo: ‘Este lado me pertence e o outro lado te pertence !’ Deus sorri e diz consigo mesmo: ‘Todo o universo pertence a Mim, e eles, por causa de um pequeno lote, declaram: Oh, este lado é meu e aquele é teu!’ Deus ri também quando o médico afirma à mãe chorosa, que vê seu filho entre a vida e a morte: ‘Não tenha medo, mãe, eu vou curar seu filho!’ O doutor não compreende que ninguém pode curar uma criança que Deus não deseja salvar!

"A verdade é que só Deus é real, a Eterna Substância, tudo mais é ilusório. Homens, universo, casa e filhos – todos estes são como a magia do mago. O mago golpeia sua varinha e diz: ‘Vem ilusão, vem confusão!’ Logo diz à audiência: ‘Levantem a tampa da vasilha e vejam os pássaros voarem para o céu!’ Mas, só o mago é real e sua magia irreal. O irreal existe durante um segundo e logo se desvanece.
Somente a água é real, por exemplo, suas borbulhas aparecem e desaparecem; se desvanecem na mesma água da qual surgiram. Deus é como um oceano e os seres viventes são como suas borbulhas. Nascem ali e ali morrem. Os filhos são como as poucas borbulhas que cercam a maior. Deus somente é real. Façam um esforço para cultivar amor por Ele, e encontrem um meio de alcançá-lo. Que vão ganhar afligindo-se?

"Existe em Deus tanto conhecimento quanto ignorância, tanto vidya quanto avidya. Vidyamaya conduz a Deus e avidyamaya afasta a pessoa de Deus. Conhecimento superior, devoção, compaixão e renúncia pertencem ao reino de vidya, com sua ajuda nos aproximamos de Deus. Mais um passo e se alcança a Deus, o Conhecimento de Brahman. Neste estado a pessoa sente e vê com clareza que foi Deus que se tornou tudo. Então, ela não tem nada a renunciar, e nada a aceitar. É impossível a ela sentir raiva por qualquer outro.

Do livro "Sri Sri Ramakrishna Kathamrita", por Mahendranath Gupta

OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente



Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.

O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.

Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.

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