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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O Caso do Gênio da Lâmpada, como contado por Swami Vivekananda

No presente relato, Swami Vivekananda conta o caso de um homem que estando necessitado de dinheiro, conseguiu os serviços de um gênio maligno para que lhe satisfizesse todos os desejos. Porém, se este gênio não fosse mantido ocupado o tempo todo...bem, vejamos como segue a situação:

Um pobre homem desejando algum dinheiro, ouviu que, se fosse senhor de um Gênio, poderia fazê-lo trazer-lhe riqueza e o que mais quisesse; ficou assim muito ansioso para conseguir um deles. Saiu à procura de quem lhe pudesse satisfazer esta vontade, e, finalmente, encontrou um sábio com grandes poderes e a ele pediu ajuda. O sábio lhe perguntou o que faria com um gênio: “Quero que trabalhe para mim; ensine-me como encontrar um, senhor, pois desejo muito isso!” Mas, o sábio replicou: “Não se incomode com isso, volte para casa!” No dia seguinte, porém, o homem voltou e recomeçou a lamentar-se: “Consiga-me um Gênio, senhor, preciso de um para ajudar-me!” Afinal, bem desgostoso, o sábio lhe disse: “Tome este encantamento, repita esta palavra mágica e um fantasma aparecerá, e tudo que lhe pedir ele o fará! Mas, tome cuidado, pois eles são terríveis e devem ser mantidos continuamente ocupados. Se falhar em lhe dar trabalho, ele vai tirar sua vida!” O homem respondeu: “Ah, isso é fácil, posso lhe dar o que fazer pelo resto de sua vida!” Assim falando, dirigiu-se a uma floresta e depois de longa repetição da palavra mágica, um enorme fantasma apareceu: “Sou o que pediu. Sua mágica me conquistou, mas tem que me manter ocupado. No momento que falhar em me dar trabalho, vou matá-lo!” O homem, então, declarou: “Erga um palácio!”, ao que o fantasma disse: “Está feito, palácio construído!” “Traga-me dinheiro”, falou o tolo. “Aqui está”, respondeu o outro. “Ponha abaixo esta mata e construa uma cidade em seu lugar!” “Já está concluído”, rebateu o fantasma, “mais alguma coisa?” Neste instante, o homem começou a tremer e pensou que não tinha mais nada a comandar, o outro lhe concedia tudo no ato. O Gênio replicou: “Dê-me algo a fazer ou então vou devorá-lo!” Mas, o pobre tolo não encontrava mais nada para lhe pedir e estava aterrorizado. Saiu, então, em desabalada carreira até encontrar o sábio, a quem implorou: “Oh, senhor, proteja-me!” O sábio lhe perguntou o que estava acontecendo: “Nada mais tenho a pedir ao fantasma. Tudo que lhe comando, realiza em um instante e agora ameaça devorar-me se não lhe der algo a fazer!” Ao dizer isto, o fantasma surgiu dizendo logo: “Vou lhe engolir agora!” e o teria feito. O homem começou a tremer e pediu ao sábio que lhe salvasse. “Vou encontrar uma saída”, disse o sábio. “Vê aquele cão de cauda enrolada? Corte-lhe a cauda com sua espada e dê ao fantasma para que a endireite!” O homem cortou o rabo do cachorro e o deu ao outro dizendo: “Endireite isso para mim!” O fantasma, olhando aquilo, com cuidado e vagarosamente o estendeu, mas tão logo o soltava, o rabo instantaneamente se enrolava outra vez. Mais uma vez, laboriosamente o esticou, apenas para ver que, tão logo o soltava, se enrolava novamente. De novo, com paciência o esticava, mas logo que o libertava, se encolhia outra vez. Continuou assim por vários dias, até que, exausto, reconheceu: “Nunca antes em minha vida encontrei tal dificuldade. Sou um velho e veterano Gênio, mas nunca me achei em tal situação”. “Vamos fazer um acordo”, disse ao homem, “me liberte e deixarei que mantenha tudo que lhe dei, com a promessa de que não lhe molestarei mais!” O homem ficou muito satisfeito e aceitou a oferta com alegria.

Este mundo é como a cauda enrolada de um cachorro e as pessoas têm se esforçado para esticá-la por séculos, mas quando pensam que a tarefa terminou, ela já está encolhida novamente. E como poderia ser diferente? Primeiro se deve aprender como agir sem apego, então se deixará de ser teimoso. Quando sabemos que o mundo é como o rabo enrolado do cão e que nunca será endireitado, não nos tornaremos obstinados. 
Fonte: A obra Karma Yoga, de Swami Vivekananda 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O Segredo do Trabalho, por Swami Vivekananda


Ajudar a outros materialmente removendo suas necessidades físicas é uma grande coisa, mas uma ajuda é ainda melhor se a necessidade for maior e a ajuda tiver longo alcance. Se as necessidades de alguém puderem ser removidas por uma hora, isto é de fato uma ajuda; mas, se puderem ser removidas por um ano, será maior ajuda ainda para a pessoa; porém, se suas necessidades puderem ser removidas para sempre, certamente este é o melhor auxílio que se lhe pode oferecer. O conhecimento espiritual é o único meio de destruir nossas misérias para sempre; qualquer outro conhecimento satisfaz apenas por algum tempo. É somente com o conhecimento do espírito que a faculdade de desejar é aniquilada para sempre. Assim, ajudar alguém espiritualmente é a mais elevada ajuda que se lhe pode dar. Aquele que confere ao homem conhecimento espiritual é o maior benfeitor da humanidade e, sendo assim, vamos sempre reconhecer que aqueles que ajudaram o homem em suas necessidades espirituais foram pessoas muito poderosas, pois espiritualidade é a base verdadeira de nossas vidas. Uma pessoa espiritualmente forte e assertiva, será proeminente em outros campos, se assim o desejar. Até que haja poder espiritual em alguém, mesmo as necessidades físicas não serão bem satisfeitas. Próximo ao espiritual está o auxílio intelectual. A oferta de conhecimento é bem mais elevada que a de roupas ou alimento, e até mais elevada que dar nascimento a alguém, pois a verdadeira vida consiste em conhecimento. Ignorância é morte, conhecimento é vida! A vida é de muito pouco valor se passada na escuridão, tateando pela ignorância e a miséria. Na seqüência vem, é claro, o auxílio material. Portanto, ao considerarmos a questão de ajudar alguém, temos de nos esforçar para não cometer o erro de pensar que o auxílio material é o único a ser dado. Ele não é apenas o último a ser oferecido, mas o mínimo, por não poder trazer satisfação permanente. Se quando estou faminto sinto-me miseravelmente, isso desaparece quando me alimento, mas a fome retorna. Minha carência só irá desaparecer quando estiver satisfeito além de qualquer necessidade. Então, estar faminto não me tornará miserável, nenhum stress, nenhuma dor será capaz de afetar-me. Assim, aquela ajuda que tenciona nos tornar fortes espiritualmente é a mais elevada, próximo a ela está a ajuda intelectual e logo depois vem a ajuda material.

Fonte: "KARMA YOGA" by  Swami Vivekananda




















segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

"O Único Verdadeiro Guru...", comentários de Swami Vivekananda

Como este tópico tem recebido alguma importância nos meios sociais e tem sido matéria de discussões nas escolas e até em programas de TV, oferecemos aqui alguns comentários bastante precisos e iluminados da relação guru-discípulo, pelo renomado Mestre hindú Sri Swami Vivekananda:

1. "O discípulo deve ter fé no Guru (Instrutor Espiritual). No ocidente, o professor dá somente conhecimento intelectual, e é só! Todavia, a relação com o mestre é a mais importante na vida. Meu mais caro e próximo parente é meu guru, em seguida minha mãe e logo meu pai. Minha primeira reverência é para meu guru. Se meu pai disser 'Faça isso..', mas meu guru disser 'Não faça..!', eu não faço! Pois o guru liberta minha alma, pai e mãe deram-me um corpo, mas o guru me dará renascimento da alma!"

2. "O guru deve instruir-me e conduzir-me à Luz, tornando-me um elo naquela cadeia na qual ele já faz parte. O homem nas ruas não pode dizer que é um guru. O guru deve ser alguém que conheceu e de fato realizou a divina Verdade, e que compreende a si mesmo como espírito. Um mero falastrão não pode ser guru!"

3. "Primeiro tenha algo a dar. Só ensina quem tem algo a dar, porque ensinar não é falar. Ensinar não é incutir doutrinas, é comunicar. A espiritualidade pode ser comunicada tão realmente como lhes posso dar uma flor. Isto é verdade no sentido mais literal."

4. "Como, então, é possível conhecer o guru? Em primeiro lugar, o sol não requer tochas para ser visto, não temos de acender uma vela para ver o sol. Quando o sol está surgindo, instintivamente nos tornamos conscientes de seu aparecimento. Quando um Instrutor de homens surge para nos ajudar, a alma sabe - instintivamente - que encontrou a verdade. A verdade se sustenta em sua própria evidência, não requer nenhum outro testemunho para atestá-la, ela é auto-efulgente. "

5. "Você é o maior dos livros que jamais houve ou haverá, depositário infinito de tudo que há. Até que o Instrutor interno se apresente, toda instrução externa é vã. Ela deve conduzir à abertura do livro do coração para possuir qualquer valor...!"  
Fonte: "Obras Completas do Swami Vivekananda".

5. 

terça-feira, 21 de junho de 2011

Identificação equivocada é a semente de todo mal... pelo Swami Vivekananda


"Seja livre, e assim, tenha tantas personalidades quantas desejar. Então, poderá fazer como o ator que vem ao palco e representa  o papel de mendigo. Compare-o com o mendigo que caminha pelas ruas. A cena é, talvez, a mesma em ambos os casos; as palavras também, talvez, as mesmas, ainda assim, veja que diferença! Um deles desfruta sua mendicância, enquanto o outro sente-se miserável por causa dela. O que causa a diferença? Um é amo e o outro, servo. O ator sabe que seu estado de mendigo não é real, mas que foi assumido para aquela representação, enquanto que o verdadeiro mendigo pensa que é seu estado próprio, devendo suportar aquilo queira ele ou não. Esta é a lei. Enquanto não tenhamos conhecimento de nossa verdadeira natureza, somos mendigos, empurrados de um lado a outro, pelas  forças da natureza."
Assim expressou o Swami Vivekananda o estado natural de ignorância que resulta em sofrimento: o esquecimento de quem realmente somos! Sofrer também significa "o desejo de ser diferente do que se é", ou desfrutar de uma identidade passageira, na qual, aos poucos, não encontramos consistência. Claro, existem outros tipos de sofrimento, mas, analisando bem, podemos ver que este é o deslize básico. Esquecidos, nos prendemos a tudo que parece ser duradouro, que parece ser definitivo, que parece ser eterno. Swamiji enfatiza sempre em seu ensinamento, que o destemor é a qualidade singular para a verdadeira realização: "Be fearless...be strong!" ele ensinava. E o único modo de nos tornarmos fortes e sem medo é conhecendo nossa verdadeira condição de soberania, relativamente aos devaneios de nossa mente.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Assim falou Swami Vivekananda: Desperte para sua Vóz Interior!

"Todos estamos seguindo rumo à liberdade, todos estamos seguindo esta vóz, tenhamos ou não consciência; como crianças em um vilarejo são atraídas pela música de um flautista, assim  também é conosco seguindo a música daquele chamado sem o saber! Somos éticos quando seguimos aquela vóz.
Não somente a alma humana, mas todas as criaturas, da mais inferior à mais elevada, ouviram este chamado e de algum modo a ele se dirigem. Neste esforço, ou se associam uns aos outros, ou se empurram para fora do caminho. Assim surgiu a competição, os prazeres, os esforços, a vida e a morte, e todo universo não é mais que o louco resultado para se alcançar a vóz. Esta manifestação é da natureza. Que acontece então? O cenário começa e se modificar, tão logo você conheça e compreenda o que é este chamado todo panorama se modifica. O mesmo mundo que antes era um terrível campo de batalhas, agora tornou-se algo maravilhoso. Não amaldiçoamos mais à natureza, nem afirmamos ser a vida insuportável, não precisamos mais chorar nem lamentar. Tão logo entendemos a vóz interior, compreendemos a razão de todos estes esforços, esta luta, esta competição, esta crueldade para obter pequenos prazeres e sensações. Compreendemos que fazem parte da natureza das coisas, e que, na ausência deste antagonismo, não haveria esta corrida rumo à voz, cuja realização estamos destinados, saibamos ou não. Toda vida humana, toda natureza, portanto, se esforça para alcançar libertação. O maior bem é a mais elevada liberdade!"
Fonte: "Living at the Source", os ensinamentos de yoga de Swami Vivekananda, Shambala Dragon Edt.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Aforismos do Swami Vivekananda

1. "KARMA em seu efeito sobre o caráter, é o poder mais consistente com que o homem tem que lidar. O homem é um centro, por assim dizer, que atrái para si todos os poderes do universo, e neste centro mesmo funde todos eles e, novamente, os envia de volta à vida em um grande impulso. Este 'centro' é o verdadeiro homem - todo poderoso e onisciente - atraindo todo o universo para si mesmo: coisas boas e ruins, miséria e felicidade, tudo se dirige a ele integrando-se ao seu sistema. Com isso em mãos, ele molda o consistente fluxo de tendências chamado 'caráter' e o lança ao exterior. Como ele tem o poder de atrair qualquer coisa, também tem o poder de se desvencilhar de qualquer coisa! 

2. "Aquele que nada deseja para si mesmo, a quem pode temer e o que pode ameaçá-lo? O que pode significar a morte para ele? Que mal pode ele temer? Desse modo, se somos Advaitins, temos que pensar desde este mesmo momento, que nosso velho ego este morto e extinto. O velho Sr. ou Sra. ou srta desapareceram, eram mera superstição e o que permanece é o sempre puro e forte, todo vitorioso e todo sabedor - ele, somente, permaneceu conosco, e à partir dele todo temor desaparecerá!

3."O ideal da fé em nós mesmos é de grande auxílio para nós. Se esta auto-confiança tivesse sido mais extensamente ensinada e praticada, estou certo que grande parte dos males e misérias que vivenciamos, teriam desaparecido. Através da história da humanidade, se algum poder motivador foi mais efetivo que outros na vida de grandes homens e mulheres, este foi o da fé em si mesmos. Nascidos com a consciência que seriam vitoriosos, tornaram-se vitoriosos.
Mais sobre Swami Vivekananda e Sri Ramakrishna em  
Ramakrishna Vedanta Ashrama  - http:// www. vedanta.org.br 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Receita de Auto-Realização, segundo Swami Vivekananda

Como podemos cultivar o potencial da Presença? A coisa funciona mais ou menos assim: alguém pode surgir diante de você e lhe contar toda a Verdade, mas, sua mente conceitual não irá aceitar, não irá acreditar que algo tão simples possa ser a Verdade, algo tão óbvio e que tantos estiveram buscando ao longo das idades todas! Não resulta em nada contar às crianças sobre as complicadas nuances da vida de adulto. Se alguém lhe disser que a Verdade está na 'semente', mas que é preciso plantá-la e cuidar dela, você obedeceria com todo seu coração? Haveria apenas uma condição para que a sementinha brote: SER VERDADEIRO! Esta é a potencialidade da sementinha escondida na alma - ser potencialmente Divina, ou seja, guardar o potencial para realizar nossa verdadeira natureza!
Swami Vivekananda, como em tantos outros momentos, expressou assim a maneira como "cultivar o potencial da Presença":
"Cada alma é potencialmente divina. A meta é manifestar esta divindade interior, controlando a natureza (pessoal), externa e interna. Que isto seja feito através da ação (karma yoga), ou pela devoção (bhakti yoga), pelo controle psíquico (raja yoga) ou filosoficamente (jñana yoga); por uma ou mais delas realize sua perfeita Liberdade! Isso é religião. As doutrinas, dogmas, os rituais, os livros e os templos não passam de detalhes secundários!"
Conforme sua natureza particular, um destes quatro caminhos pode ser eleito, um ou mais que um, depende de sua vontade escolher. Mas, você tem que saber de antemão, aonde deseja chegar! O Swami nos está recordando que nossa real condição, nossa essência, é divina! É livre e sem condicionamentos. Cabe a nós, portanto, reconhecer nossa herança, por assim dizer, e não buscar outra coisa! Somos livres para escolher, permanecer no degráu em que estamos ou realizar nossa sementinha inerente. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Assim falou Swami Vivekananda...

"Samadhi é o estado no qual o Divino e o humano se fazem um; isto significa “a realização da Identidade”.

Todo nosso mundo procede da verdade e da ilusão acopladas. O mundo é Deus e é real; mas, não é esta a maneira como o vemos. Tal como vemos prata na madrepérola, assim também vemos o mundo relativo em Deus. Isto é conhecido como adhyasa ou sobreposição, isto é, uma existência relativa que depende da outra real."
"Uma porção dos textos védicos trata de karma – fórmulas e cerimônias. A outra trata do Conhecimento de Brahman e discute 'espiritualidade'. Nesta parte, os Vedas instruem sobre o Eu Superior, e, por isso, seu ensinamento se aproxima do verdadeiro Conhecimento. O Conhecimento do Absoluto não depende de qualquer livro, não depende de nada: é absoluto em si mesmo. Por muito que se estude, não se alcançará este Conhecimento. Ele não é teórico, é realização. Retire a poeira do espelho, purifique sua própria mente, e, no mesmo instante, verá que é Brahman."

"Nunca se aproxime de nada exceto como Deus; pois, a não ser assim, veríamos o mal. Lançamos um véu de ilusão sobre o que vemos e eis que encontramos o mal. Liberte-se destes enganos, seja venturoso. Liberdade é desligar-se de toda ilusão.
De certo modo, Brahman é conhecido por todo ser humano: este conhece o “eu sou”. Todos sabemos que somos, mas não o que somos. Todas as explicações menores são verdades parciais; mas a flor, a essência dos Vedas, é que o Eu, em cada um de nós, é Brahman."

"Enquanto procurarmos o prazer, a servidão continuará. Somente o homem imperfeito pode ter prazer, sendo tal prazer a satisfação do desejo. A realidade subjacente à natureza, a alma e Deus, são Brahman; porém, Brahman não é conhecido até que O manifestemos. Ele pode ser revelado através de pramantha, que significa “fricção”, tal como o fogo que se produz por atrito. O corpo é a peça inferior de madeira, OM é a peça superior e a meditação é a fricção. Por meio da meditação, aquela luz que é o Conhecimento de Brahman, se acenderá na alma.

Brahman permeia o universo, como a manteiga permeia o leite; mas, o atrito faz com que se manifeste em um lugar particular. Como em uma centrífuga, o leite se faz manteiga; do mesmo modo dhyana, ou meditação, conduz à realização de Brahman na alma."

"Um constante pensamento, ou dhyana, é como o ininterrupto fluir do azeite ao ser derramado de uma vasilha a outra. Dhyana sustenta a mente neste pensamento noite e dia e, assim, nos auxilia a alcançar liberação. Pense sempre “Soham, Soham” , Eu Sou Aquele, Eu Sou Aquele...!
Esta absoluta e contínua recordação do Senhor é o que se quer dizer por bhakti.

Somos como lâmpadas, cujo arder é o que chamamos vida. Quando o suprimento de oxigênio termina, então a lâmpada se apaga."
Excertos do livro "Inspired Talks", do Swami Vivekananda.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A Parábola do Pombo que não comia...

“Certa vez um caçador de pássaros apanhou uma boa quantidade de pombos e, já em casa, trancou-os num enorme pombal, guarnecido é claro por forte tela de segurança. Os pombos, de imediato, tentavam espremer-se através dos espaços da tela, procurando alcançar a liberdade. Mas, eram bem maiores que a trama e tiveram que aceitar sua sorte! Todos os dias o tratador vinha alimenta-los, lhes oferecendo grãos em abundância para que logo engordassem, quando seriam sacrificados e, em seguida, vendidos no mercado. Todos os pombos comiam cheios de apetite, sem se dar conta que quanto mais comessem mais engordavam, e quanto mais engordassem mais próximos de sua destruição estavam. Apenas um dos pombos percebeu a situação e se absteve de comida. Quanto mais dias se passavam, mais ele emagrecia. Tão magro ele ficou que, certa manhã, infiltrou-se pela trama, passou ao outro lado e, sorrateiro, fugiu!
E agora, que foi feito dos outros? Aos poucos foram levados para o mercado!”

Esta parábola pode muito bem ilustrar o que Swami Vivekananda referia como sendo o Ideal da fé em si mesmo. Em suas palestras sobre Vedanta Prática, dadas em Londres ao final do século XIX, ele apresentou estas idéias assim:
"O ideal da fé em nós mesmos nos é de grande auxílio. Se esta fé em nós mesmos tivesse sido mais extensamente ensinada e praticada, estou certo de que grande parte dos males e misérias hoje vividos teria desaparecido. A fé em nós mesmos conseguirá tudo! É um ateu aquele que não acredita em si mesmo. As velhas religiões diziam que era ateu aquele que não acreditasse em Deus. A nova religião diz que é ateu aquele que não acredita em si mesmo! Porém, não se trata de uma fé egoísta. A fé em si mesmo, como parte da doutrina de unidade que prega a Vedanta, significa fé em toda a vida. Amar a si mesmo significa amar a todos, amor pelos animais, amor por tudo."
Por Swami Vivekananda em "Vedanta Prática"
Mais sobre Vedanta em http://www.vedanta.org.br/

sábado, 1 de maio de 2010

A Prática de Vedanta

"Por toda história da humanidade, se alguma força motriz foi mais potente que outra nas vidas dos grandes homens e mulheres, foi aquela da fé em si mesmos. Nascidos na consciência de que seriam ‘grandes’, eles tornaram-se grandes. Que um homem desça tão baixo quanto possível; chegará um tempo em que, por completo desespero, ele fará uma curva para cima e irá aprender a ter fé em si mesmo.


Mas... porque deveríamos passar por todas estas amargas experiências a fim de alcançar fé em nós mesmos? Podemos verificar que toda diferença entre as pessoas se deve à existência ou não de fé em si mesmos. Esta fé em si mesmo alcançará tudo.


A doutrina da unidade, ensinada pela Vedanta, significa ter fé em todos, porque todos são você. Amor a si mesmo significa amor por todos, amor pelos animais, amor por tudo que há, pois todos são UM. Esta é a grande fé que irá tornar o mundo melhor."

By Swami Vivekananda em 'Vedanta Prática'

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A Prática de Vedanta

"Todos os poderes do universo já nos pertencem. Por havermos colocado as mãos sobre nossos olhos, agora reclamamos da escuridão. Saiba que não há escuridão a sua volta! Retire suas mãos e aí está a luz, a mesma luz desde o princípio, jamais houve treva, jamais houve fraqueza!


A Vedanta não reconhece 'pecado', reconhece apenas 'erros' e o maior deles é afirmar-se 'fraco', afirmar-se 'pecador'. Tão logo você diga - 'Ah, eu sou um pobre coitado!', você está fazendo falsa afirmação, está mentindo para si mesmo, está se hipnotizando com algo vil.


Temos sempre que ter em mente que, em Vedanta, não se tenta reconciliar a vida presente, esta vida de hipnotismo, esta vida falsa que assumimos, com o Ideal. Esta vida postiça deve desaparecer e aquela 'verdadeira', a que sempre ficou ao fundo, deve se manifestar, deve brilhar.
O Ideal, como ensinado em Vedanta, está sempre muito à frente do prático, do visual. Em poucas palavras, este ideal é que você é divino, 'Tu És Aquilo', esta é a essência da Vedanta."

By Swami Vivekananda, em Vedanta Prática

terça-feira, 13 de abril de 2010

Inspired Talks, de Swami Vivekananda

"Pensar que você é cativo e mais tarde será livre, eis toda sua enfermidade. Você é aquilo que não se modifica. Fique em silêncio. Sente-se e deixe que todas as coisas passem. Esteja silencioso e conheça o que você é! Não siga a nenhum lema, você é tudo que há! Nada tema, você é a essência da Existência.
Fique em paz! Não perturbe a si mesmo. Você nunca esteve cativo, nunca foi virtuoso nem pecaminoso. Desfaça-se de toda essa ilusão e fique em paz!"

terça-feira, 30 de março de 2010

'Saiba que você é Ele...'

"O homem é o mais elevado, o Taj Mahal dos templos. (...) No momento em que eu houver realizado a Deus sentado no templo de cada forma humana, no momento em que reverenciar cada ser humano vendo Deus nele, neste momento torno-me livre de toda servidão, tudo que me prende desaparecerá e estou livre.

Seja livre, e assim, tenha tantas personalidades quantas desejar. Então, poderá fazer como o ator que vem ao palco e representa o papel de mendigo. Compare-o com o mendigo que caminha pelas ruas. A cena é, talvez, a mesma em ambos os casos; as palavras também, talvez, as mesmas, ainda assim, veja que diferença! Um deles  desfruta sua mendicância, enquanto o outro sente-se miserável por causa dela. O que causa a diferença? Um é amo e o outro, servo. O ator sabe que seu estado de mendigo não é real, mas que foi assumido para aquela representação, enquanto que o verdadeiro mendigo pensa que é seu estado próprio, devendo suportar aquilo queira ele ou não. Esta é a lei. Enquanto não tenhamos conhecimento de nossa verdadeira natureza, somos mendigos, empurrados de um lado a outro, pelas forças da natureza."
Swami Vivekananda, em Vedanta Prática.

OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente



Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.

O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.

Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.

Para ler todo o texto, click acima das postagens em 'Meditação em Yoga'.