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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Por que estamos inconscientes de nossa Divindade?

Texto introdutório ao livro "Vedanta: a Simple Introduction", de autoria da monja Sra. Vrajaprana, da Sociedade Vedanta da Califórnia, USA, ainda sem edição em português.
"A Vedanta é uma das mais antigas e abrangentes filosofias religiosas do mundo. Baseada nos Vedas, as sagradas escrituras da Índia, a Vedanta afirma a unidade da existência, a divindade da alma e a harmonia das religiões. A Vedanta é o fundamento filosófico do hinduísmo; mas, enquanto o hinduísmo inclui aspectos da cultura indiana, a Vedanta tem aplicação universal, sendo igualmente relevante para todos os países, todas as culturas e contextos religiosos.
Um exame da palavra “Vedanta” é revelador: “Vedanta” é uma combinação de duas palavras, “Veda”, que significa “conhecimento”, e “anta”, que quer dizer “a conclusão de”, ou, “a meta de”. Neste contexto, a meta do conhecimento não é intelectual, ou seja, aquele conhecimento limitado que adquirimos pela leitura de livros.
Aqui, “conhecimento” significa o conhecimento de Deus, tanto quanto o conhecimento de nossa própria natureza divina. Vedanta, portanto, é a busca pelo Auto-conhecimento tanto quanto a busca por Deus.
Mas, que designamos ao usar a palavra Deus? De acordo com a Vedanta, Deus é infinita existência, infinita consciência e infinita felicidade. O termo para esta impessoal e transcendental realidade é Brahman, o divino espaço do ser. Não obstante, a Vedanta ainda declara que Deus também pode ser pessoal, assumindo forma humana em cada época.
Ainda mais importante, Deus habita em nosso próprio coração como o divino Ser ou Atman. O Atman jamais nasceu e jamais morrerá. Não sendo manchado por nossas falhas ou afetado pelas vacilações do corpo e da mente, o Atman não está sujeito ao nosso pesar ou desespero ou enfermidade ou ignorância. Puro, perfeito, livre de limitações, o Atman, como a Vedanta declara, é um com Brahman. O maior templo de Deus jaz no íntimo do coração humano.
A Vedanta afirma ainda que a meta da vida humana é realizar e manifestar nossa divindade. Isso não é apenas possível, mas, inevitável. Nossa verdadeira natureza é divina; assim, a realização do Divino é nosso direito de nascimento. Cedo ou tarde, nós todos manifestaremos nossa divindade, seja nesta vida ou em futuras, pois a maior verdade sobre nossa existência é nossa própria divina natureza.
Finalmente, a Vedanta conclui que todas as religiões ensinam as mesmas verdades básicas sobre Deus, o mundo e nosso relacionamento uns com os outros. Há milhares de anos atrás, o Rig Veda enunciou: “A Verdade é uma, os sábios chamam-na por diversos nomes.” As religiões estabelecidas oferecem vários enfoques para Deus, cada qual válido e verdadeiro, cada qual oferecendo ao mundo um caminho insubstituível e sem igual rumo à auto-realização. 
As mensagens conflitantes encontráveis entre as religiões devem-se mais aos dogmas e doutrinas que à realidade da experiência espiritual. Enquanto existam diferenças nas regras externas das religiões do mundo, as internas sustentam notáveis semelhanças.
(a continuar)

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Por que estamos inconscientes de nossa Divindade? (II)

O Conceito de Maya
A Vedanta declara que nossa verdadeira natureza é divina: pura, perfeita, eternamente livre. Não temos de nos tornar Brahman, isto já somos. Nosso Ser genuíno, o Atman, é um com Brahman.
Porém, se nossa autêntica natureza é divina, por que então nos encontramos tão espantosamente ignorantes dela? A resposta a esta questão jaz no conceito de maya, ou ignorância. Maya é o véu que encobre nossa real natureza e a real natureza do mundo a nossa volta. Maya é, fundamentalmente, inescrutável: não sabemos por que ela existe e desconhecemos quando principiou. O que sabemos de fato é que, como toda outra forma de ignorância, maya cessa de existir com o despertar do conhecimento, o conhecimento de nossa própria essência divina.
Brahman é a verdade genuína de nossa existência: n’Ele vivemos, nos movemos e n’Ele existimos. “Tudo isto é, em verdade, Brahman”, nos ensinam os Upanishads, as escrituras que formam a filosofia Vedanta. O mundo variável que observamos a nossa volta pode ser comparado às imagens móveis em uma tela de cinema: sem aquela invariável tela como fundo, não poderia haver nenhum cinema. De modo semelhante é aquele imodificável Brahman, o substrato da existência, que, como pano de fundo para este mundo cambiável, confere a ele sua realidade.
Mesmo assim, para nós, esta realidade se acha condicionada, como um espelho recurvo, pelos conceitos de tempo, espaço e causalidade, constituindo a lei de causa e efeito. Nossa visão da realidade se encontra ainda mais obscurecida por uma identificação equivocada: identificamo-nos com o corpo, a mente e o ego, mais que com o Atman, o Ser divino.
Este equívoco hereditário gera ainda mais ignorância e sofrimento, como um efeito dominó: ao nos identificarmos com o corpo e a mente, receamos enfermidade, velhice e morte; identificando-nos com o ego, sofremos com a ira, ódio e centenas de outras misérias. Ainda assim, nada disso afeta nossa verdadeira essência, o Atman.
Maya pode ser comparada àquelas nuvens que encobrem o sol: ele permanece no alto do céu, mas densas nuvens o escondem e nos impedem de vê-lo. Quando as nuvens se dispersam, tornamo-nos conscientes de que o sol ali esteve sempre. Nossas nuvens – maya aparecendo como egotismo, desamor, ganância, luxúria, ira e ambição – são afastadas ao meditarmos em nossa verdadeira natureza, ao nos engajarmos em ações inegoístas, e quando, consistentemente, pensamos e agimos de modo a manifestar nossa real natureza, ou seja, através da veracidade, pureza, contentamento, autocontrole e abstinência. Esta purificação mental carrega para longe as nuvens de maya e permite à nossa divina essência irradiar.
Shankara, o grande sábio filósofo da Índia no sétimo século, se utilizava do exemplo da corda e da serpente para ilustrar o conceito de maya. Caminhando por uma estrada escura, um homem vê uma serpente: seu coração se alarma, seu pulso se acelera. Porém, ao observar mais de perto, a “serpente” se transforma em um pedaço de corda enrolada. Uma vez que a ilusão se desfaz, a cobra desaparece para sempre.
Similarmente, caminhando pela estrada escura da ignorância, vemos a nós mesmos como criaturas mortais e, ao redor, o universo de nome e forma, condicionado por tempo, espaço e causalidade. Tomamos consciência de nossas limitações, ligaduras e sofrimentos. Porém, em uma observação mais atenta, tanto a criatura mortal quanto o universo, se revelam como Brahman. Uma vez que a ilusão se desfaz, nossa mortalidade, tanto quanto o universo, desaparece para sempre. Vemos apenas a Brahman existindo em toda parte e em tudo.
Trecho do livro "Vedanta: a Simple Introduction", de autoria da Sra. Vrajaprana, Vedanta Press, Hollywood-California, sem edição em português.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Verdade sobre o Atman, segundo a Bhagavad-Gitâ


"Assim falou o abençoado Senhor Krishna" (cap.II)
Tradução do Swami Vijoyananda, edt. Kier-Bs.As.

11. Tens estado a lamentar-te por aqueles que não merecem, e sem dúvida, falas como um sábio. Porém, os verdadeiros sábios não se lamentam, nem pelos vivos, nem pelos mortos.
12. Nunca houve um tempo em que Eu não existisse, nem tu ou estes reis e nem deixaremos de existir no futuro.
13. Assim como o Ser encarnado tem sua infância, juventude e velhice, na seqüência ele toma outro corpo. Os sábios não se confundem sobre este ponto.
14. Oh Arjuna, as noções de calor e frio, prazer e dor, nascem do contato dos sentidos com os objetos, têm portanto princípio e fim, são transitórios.
15. Aceita-os! Somente aquele que não se aflige com estas modificações, sendo equânime no prazer e na dor, alcança imortalidade.
16. O irreal jamais existiu e o real sempre existirá. Os sábios conhecem esta verdade.
17. Sabe que é imperecível Aquilo que permeia todo o Universo. Nada pode destruir este Princípio imutável.
18. Estes corpos em que habita o Eterno, o imperecível Ser, porém, têm fim.
19. Quem pensa que este Ser mata ou que é morto, é ignorante. O Ser não mata nem morre.
20. O Ser não nasce nem morre, nem se reencarna; não tem origem, é eterno, imutável e o primeiro de todos.
21. Aquele que sabe que o Ser é imperecível, eterno e sem nascimento, como pode matar ou morrer?
22. Como alguém que abandona suas vestes gastas e coloca outras novas, assim o Ser corpóreo deixa seu corpo desgastado e entra em um outro novo.
23. Armas não o destroem, o fogo não o queima, a água não o molha e o vento não o seca.
24. A este Ser não se pode dividir, nem queimar, nem molhar, nem secar; é eterno, onipresente, estável, imóvel e primordial.
25. Se diz que este Ser é imanifestável aos sentidos, impensável pela mente, e não se modifica; sabendo que é assim, não te podes afligir!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Compreendendo a 'raiz do problema', segundo a Vedanta

Pergunta:
Nós inicialmente pensamos que compreender uma filosofia seja algo intelectual, mas parece que a verdadeira experiência espiritual está conectada a um estado supra-consciente, além da mente. Este processo de reflexão ou estudo conduz a isto?
Resposta:
Tem havido muitas formas de abordar o problema, mas a questão é: “somos já espirituais ou estamos evolvendo à caminho da espiritualidade?”  Esta é a indagação principal! Sou eu já espiritual ou vou tornar-me espiritual?
As religiões populares têm sempre procurado dar ênfase a que “eu fiz algo muito errado antes e agora tenho que fazer-me bom!” A Vedanta é a única religião que diz- “Você já é espiritual, tem apenas que tomar consciência disso.” Assim, tenho que descobrir como: se através da devoção, ou através do entendimento racional, ou por meio da ação desinteressada ou pelo caminho da meditação. São estas as formas de compreender o problema. Seja qual for a qualidade de energia que eu possuo, a energia da ação, a energia da emoção, do discernimento ou da meditação, por qualquer destes tipos de energia posso me desenvolver até um nível em que alcance o supra-consciente. Porém, não há propriamente divisões entre os níveis, a vida comum não é inútil e apenas a vida supra-consciente seja útil.
Eu preciso entender como a Vedanta procura explicar que minha natureza básica é espiritual, que nasci espiritual e jamais poderei livrar-me de minha espiritualidade. A única questão é: - Eu desconheço isso!
Assim, esta ignorância, este desconhecimento, tem que ser removido. Como? Bem... há muitos modos!
O homem tem sempre se perguntado: - porque sofro? Ë o problema básico da humanidade. Em resposta, as religiões antigas dão a interpretação de que o homem teria agido mal, algo como “pecado original”, que é muito difícil de entender, portanto, não me peçam para explicar... Depois,simplificaram o problema dizendo: “Eu conheço a Verdade, vou explicar um caminho, você o segue e isto é tudo!”
Bom, não estamos hoje propensos a aceitar isso. Sendo assim, o uso da razão é muito necessário para o devido entendimento. Mas, se de novo começarmos a dizer – Oh, isto é muito difícil, não tenho tempo nem energia para compreender! , a autoridade aparecerá outra vez, pois sempre há quem esteja pronto para reinterpretar estes ensinamentos para nós, em troca de dinheiro.
Os princípios básicos não são difíceis de entender. Quais são estes princípios básicos?
O princípio básico, de acordo com a Vedanta, é: - "A divindade está dentro de mim! Eu sou divino por natureza!"
A pergunta que se segue é: - Porque não tenho consciência disso?
Muito simples de explicar: - Eu ainda não conheço tudo que está envolvido nisso, estou aprendendo!
Agora entra em cena a questão de evolução. Que vem a ser “evoluir”?
Até a completa evolução do corpo e da mente humanas, o mais importante era o desenvolvimento das espécies. Agora, como conseqüência, é necessário que o próprio indivíduo tome a responsabilidade de evoluir conscientemente. Para tanto, um sistema sensível já nos foi dado, temos que usá-lo.
Assim, o raciocínio, como atributo intelectual, tem sido muito valorizado em cada esfera da vida. De modo correspondente, se não for praticado também na vida espiritual haverá enorme desequilíbrio.
Trecho de uma palestra dada no Brasil, em 1996, pela monja hindú sra. Vivekaprana, do mosteiro Sri Sarada Math, Índia.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Qual a melhor maneira de iniciar o estudo da Vedanta?

Pergunta:
"Qual seria a melhor forma de abordar a Vedanta? A forma devocional, a forma de raciocínio, a forma monista, a forma de trabalho desinteressado, ou alguma outra forma?"
Resposta:
"A filosofia Vedanta enfatiza a necessidade de estudarmos nossa própria dimensão. Basicamente, eu devo saber o que estou buscando, o que necessito. Desde que é muito difícil compreender a mim mesmo e poder escolher um caminho, uma tradição de Mestres foi aceita na Índia. Esta filosofia deveria ser estudada sob a direção de um instrutor qualificado, profundo conhecedor da natureza humana, que pudesse conduzir as pessoas ao entendimento de sí mesmas, e, finalmente, poder escolher. Esta escolha nunca seria imposta a alguém. E como estas tradições estavam desaparecendo e instrutores daquele calibre não mais eram encontrados na Índia, Sri Ramakrishna veio dar novo impulso e orientação ao antigo método. Penso que esta ciência veio ao ocidente com o propósito de fornecer às pessoas o conhecimento necessário a sua auto análise, de modo a que possam interpretar esta filosofia à luz de sua experiência pessoal.
Sei que é uma grande tentação pedir a alguém que decida por mim. Porém, a base da psicologia Vedanta é que cada ser humano possui diferentes tendências e estas tendências têm que ser compreendidas. Para isso, a liberdade já nos foi concedida. Desde que somos nós que estamos em dúvida, precisamos estudar estes princípios, mesmo tomando a liberdade como um desafio. Assim, nossa própria experiência, nosso próprio entendimento sobre nós mesmos, nos conduzirá a um caminho específico.
Não é uma psicologia a ser praticada como algo inaplicável à minha vida cotidiana. É algo que deve tornar-se “minha vida diária”.
Assim sendo, apenas eu posso compreender minhas tendências, e assim escolher, destes princípios, os que se ajustam melhor às minhas inclinações.
Porque a idéia básica é que “nós já estamos todos nos empenhando para evoluir”. Portanto, temos de mudar nossa atitude, não propriamente nosso estilo de vida, ou nosso trabalho ou aparência exterior.
É preciso que também compreendamos nesse momento que a religião ensinada com base na autoridade de outra pessoa, é algo que vem sendo tentado em todas as culturas nos últimos 2.000 anos de história, pelo menos. Assim, essa época  requer, e nos desafia, a alcançar algo “novo”, à partir do entendimento de que fomos nós mesmos que iniciamos o processo de dúvidas e questionamento.
Também é verdade que, hoje, temos muito pouco tempo para dedicar a exercícios especiais. Assim, um novo processo de abordar a vida em profundidade, ou vida espiritual, tem que ser desenvolvido.
Descobertas científicas recentes vêm se tornando auxiliares na maneira como estamos vendo o mundo, e que precisam ser incorporadas também à nossa vida espiritual. Não podemos simplesmente retornar ao modo religioso que se costumava seguir sob a autoridade alheia.
Assim, desde que a vida tornou-se complicada, temos de nos retirar desta complicação desenvolvendo alguns princípios que explicarão tanto minhas urgências particulares, quanto de minha vida espiritual. De outro modo, ela se tornará uma vida muito fragmentada."
Fragmento de palestra proferida no Brasil, em 1996, pela monja hindú Sra. Vivekaprana, do monastério Sri Sarada Maa.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A Luz Interior, uma visão Quântica (final)

O 6º capítulo da 'Bhagavad-Gitâ', um dos textos mais antigos da Índia, prescreve um modo básico para que a Luz interior seja encontrada. Através da prática de concentração, temos de retirar a mente dos pensamentos divagadores e dirigi-la ao Atman- o Ser radioso dentro de nós.

Mas, o auto-conhecimento também pode ser alcançado pela investigação interior, ou vichara. Outro texto, o Kena Upanishad, principia com a seguinte questão: “Quem dá à mente condições para pensar, ao prana para funcionar, aos ouvidos para escutar e aos olhos para enxergar?” A resposta é encontrada através da discriminação entre o que vê e o que é visto- entre o Imutável e o impermanente. Os sentidos e a mente estão em um constante estado de movimento, mas o Ser é a testemunha inflexível. A atividade cerebral só é possível por causa da Consciência e não vice-versa. Esta Consciência é conhecimento sem nenhum conteúdo objetivo. Somos, finalmente, forçados a compreender que todo conhecimento objetivo tem sua origem no Ser- a secreta Luz da Consciência.
Em todos os períodos da história espiritual da Índia, houve homens e mulheres que descobriram a verdade do Ser. (...)  Um outro sábio declara no Svetasvatara Upanishad:
"Ouçam, oh crianças da imortalidade, também deuses e anjos: eu descobri meu
verdadeiro Eu, aquele antigo e infinito Ser em meu coração, aquela Luz de todas
as luzes, além de toda escuridão. Encontrando- O, também a morte é conquistada.
Não há outra maneira."
Imortalidade não é um conceito teológico. Não é um estado a ser alcançado depois da morte. É uma verdade que pode ser conhecida agora, nesta mesma vida. Temos de saber por nós mesmos, que somos realmente atemporais e imortais. Enquanto a mente permanecer em maya, ou ignorância, nós parecemos estar em um mundo manifestado, onde tudo principia e termina. Porém, quando houvermos descoberto a imutável Verdade, a morte perderá o seu terror. A eterna luz da Consciência é, deveras, a imortalidade. Tudo o que existe, existe no Ser; o Ser é a totalidade da existência. Está escrito no Taittiriya Upanishad:
"Quando alguém encontra existência e unidade no Ser... só então transcende o medo.
Enquanto persistir a mínima idéia de estar separado d’Ele, o medo continua."
Deus é, com freqüência, descrito como sendo luz; Ele é a luz da Consciência. Quem, senão o Deus da luz, poderia haver creado este universo de luz? Todas as coisas criadas são objetos de conhecimento; eles brilham na Consciência. Tempo, espaço, matéria, energia e vida, são, de acordo com a Vedanta, formas da Realidade fundamental que é a Consciência.
Quando pensamos ser apenas nossos corpos materiais, somos de fato pequenos. Estamos constantemente receosos do impacto da matéria e da energia. Nossos corpos são como pequenos torrões de terra. Quão insignificantes eles são comparados ao vasto universo exterior. Do mesmo modo, quando nos consideramos como entidades psicológicas, ficamos obcecados por um sentido de medo e apequenamento. A mente individual possui muito pouca capacidade de compreensão. Está sempre atormentada por tensões e paixões. De modo natural, nos sentimos insignificantes e frustrados- quão pouco sabemos em comparação ao vasto acúmulo de conhecimento humano. Porém, ao conhecermos nosso verdadeiro Ser como todo abarcante, pura Consciência, a Luz de todas as luzes, nossa identidade não mais estará limitada por corpo e mente; nos tornaremos ilimitados. O mundo não mais nos aterrorizará, teremos alcançado a fonte de todo conhecimento.
Extratos do livro "Seeing God in Everything", by Swami Shraddananda-Vedanta Press

terça-feira, 10 de agosto de 2010

As Leis Fundamentais da Vida Espiritual

Há duas importantes leis que governam a relação entre o homem e o cosmos.

A primeira lei é:
"Qualquer que seja a coisa que se tome como real, isso arrasta o ser do indivíduo por completo: os próprios pensamentos, os sentimentos e a vontade."

Este mundo se nos apresenta como real, isso arrasta, então, todo o nosso ser. Se o Divino nos parece como real, então nos retiramos do mundo e estabelecemos todo nosso coração no Divino. Quando consideramos o mundo com real, estamos repletos dele. Quando consideramos o Divino como real, estamos repletos somente do Divino. Então, aquilo que se torna uma realidade para nós é o que seguimos de todo nosso coração.
Para nós é necessário. portanto, inquirir sobre a natureza da realidade. Quando fazemos esta investigação descobrimos outro fato, a segunda lei fundamental da vida espiritual:
"Nosso conceito de realidade depende do conceito que temos de nós mesmos."

Para uma criança, suas bonecas são seres vivos reais. Na medida em que cresce, seu conceito de si mesma muda e por isso as bonecas perdem sua realidade. Da mesma forma, a adolescência, a juventude e a velhice trazem mudanças no conceito que o homem tem sobre o mundo externo. Há uma estreita conexão entre o conhecimento que temos de nós mesmos e o conhecimento do mundo objetivo.
A conhecida história do rei que teve uma doença que afetou seus olhos ilustra esse ponto.
Os médicos disseram ao rei que olhasse sempre para as coisas de cor verde. O rei ordenou que todo palácio fosse pintado de verde. Mas um sábio ministro sugeriu -  todavia - que, ao invés disso, o rei usasse óculos com lentes verdes. Então o rei viu todo o palácio como sendo verde.

A vida espiritual se inicia quando nosso conceito sobre nós mesmos muda e começamos a nos ver como almas. Quando nos vemos como espírito, buscamos o Espírito Infinito.
Sempre que o mundo físico se torna mais real que o mundo espiritual, o corpo já se tornou mais real que a alma em nossa consciência. De fato, há primeiro uma queda em nossa consciência e , então, nos tornamos mais conscientes do corpo físico e, portanto do mundo exterior.

Fonte: Revista Vedanta, São Paulo - Março de 1995

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A Luz Interior, uma visão quântica! (II)

Neste estado de sono (sem sonhos) nos esquecemos completamente de tudo. Não estamos conscientes do corpo, da mente, do ego, nem de passado ou futuro, ou de qualquer outra coisa. Ao regressarmos ao estado vígil, dizemos a nós mesmos:- “Oh, que sono reconfortante; gostaria de haver dormido por mais duas horas!”
Não costumamos examinar ou analisar as experiências oníricas com profundidade. De modo ingênuo afirmamos:- “Oh, meu sono foi pacificador, fiquei bastante relaxado!” Não chegamos a perguntar:- “Que eu foi aquele? Era o mesmo eu do estado vígil?” Este eu que está desperto, precisa sempre de uma experiência objetiva: uma visão, um som, algum cheiro e assim por diante. Ele é intensamente ocupado. O eu sonhador também necessita, seja de objetos da memória do estado vígil, ou daqueles de sua própria criação. Em sono profundo, não há nem o eu vígil, nem o eu que sonha. É um outro aspecto da personalidade. Recordando a experiência do sono (sem sonhos), sabemos não haver desaparecido durante aquele intervalo. Nesta fase da consciência, não tínhamos nenhum conhecimento objetivo, como temos nos estados de vigília e de sonhos. Havia uma implícita conscientização de auto-existência e paz, sem a mediação do que usualmente chamamos mente.
A Vedanta aconselha os buscadores espirituais a que coordenem e analisem estas três experiências de vigília, sonhos e sono profundo, e, disto, descobrir sua verdadeira identidade. Um exame mais acurado destes estados nos dá uma visão de que, na personalidade humana, deve haver um elemento comum entre a experiência de vigília, de sonhos e de sono profundo.
Este elemento comum é o verdadeiro observador das experiências nos três estados. Nos sonhos, a pessoa não recorda o eu vígil; em sono profundo, tanto este eu vígil, quanto o eu sonhador são esquecidos. Mesmo assim, nós de algum modo sentimos uma inexplicável continuidade de identidade, interpenetrando os três estados.
Este percebedor, a testemunha dos três estados, é a Luz interior em nós- a Luz da eterna Consciência. As escrituras da Vedanta descrevem, repetidamente, a glória desta Luz, que é nosso verdadeiro Ser. A consciência, ou percepção, que experimentamos em estado de vigília e de sonhos, e mesmo aquela subjacente ao estado de sono profundo, é uma consciência rompida ou distorcida. Nosso verdadeiro Ser é pura Consciência- Consciência sem qualquer conteúdo objetivo. Não é limitada por tempo e espaço, nem por leis naturais. É a Realidade mais fundamental neste mundo e em qualquer outro.
BY  Swami Shraddhananda em "Seeing God Everywhere", Vedanta Press -
Desejando conhecer mais click em http://www.vedanta.org.br/

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A LUZ INTERIOR, uma abordagem Quântica!

Qual é a função da Luz? Revelar objetos encobertos pela escuridão e iluminar áreas que estiverem ocultas. Quando trazemos luz a um quarto escuro, imediatamente tudo que ali estiver poderá ser visto. Com freqüência, de modo metafórico, designamos a função da luz aos níveis mental e moral. Falamos, por exemplo, da luz da consciência. Quando a mente se encontra turbulenta e não pode decidir sobre o que é certo ou errado, dizemos que um tipo de obscuridade bloqueou a mente. Necessitamos de uma luz interior que nos mostre o caminho. Nós a chamamos consciência. Como a luz, ela dissipa as sombras da confusão e propicia uma ação clara. Similarmente, poderíamos dizer que o amor é uma luz. Quando uma pessoa é solitária e não possui ninguém para cuidar de si, a vida é realmente negra. Mas, se outra pessoa aparece e pode compreender e cuidar dela, a escuridão desaparece. Conseguindo nova alegria e esperança, o mundo, de imediato, se torna significativo pela luz do amor.
Poderíamos, também, falar da luz da compaixão, da luz da verdade, da luz da paz e da luz do conhecimento. Em cada caso, uma dificuldade em particular surge, comparável a algo sombrio, e uma experiência positiva de esperança, júbilo e contentamento se efetiva. Estas “luzes interiores” são mais poderosas que a luz física.


A mais importante luz interior é a luz da Consciência. Os Upanishads chamam-na nosso verdadeiro Ser. É a luz central no âmago de nossa existência, iluminando toda experiência- mesmo aquela da luz física. Embora estejamos experimentando a Consciência o tempo todo, é bastante difícil entender sua verdadeira natureza. A Consciência é a própria essência de toda existência. Não possui nem princípio, nem final: é eterna, infinita e sempre radiosa. O que denominamos por luz física- a luz do sol ou da lua, a luz dos relâmpagos ou das estrelas- todas estas luzes são “iluminadas”, ou seja, conhecidas, através de nossa luz mais íntima, a Consciência.
A Vedanta classifica a experiência existencial em três níveis de consciência: de vigília, de sonhos e de sono profundo. Quando estamos despertos, a consciência, ou percepção, se encontra sempre associada a algum objeto- um vislumbre, um som, um cheiro, um pensamento ou alguma emoção. Qualquer coisa conhecida- externa ou internamente- deve ser primeiramente percebida por meio da consciência. Ao observarmos o interior da mente, vemos um incessante fluxo de consciência, ou “experiência”, em contínuo movimento. Algumas vezes nos referimos a este fluxo como consciência objetiva, uma vez que se encontra relacionado a objetos.
Quando sonhamos, algo semelhante acontece, mas de forma diferente: nos sonhos, há elos de experiência e conhecimento tal como no estado de vigília; porém, ao regressarmos ao estado de vigília, compreendemos que aquelas vivências não foram reais. As coisas mais absurdas foram acontecendo, e nós, de algum modo, no sonho, aceitávamos como verdadeiras. Mas, enquanto durava o sonho, nos pareciam tão reais quanto no estado de vigília.
Quem é este “sonhador”? Não pode ser a mente que está desperta. Como pode a mente racional e vígil, que conhece todos os prós e contras, ser enganada pelas incoerentes ocorrências do estado de sonhos? Parece que quando nos encontramos no estado de sonhos, outra mente passa a funcionar, e esta mente sonhadora também é racional naquele estado onírico. Esta mente sonhadora é muito criativa e pode ajustar a aparência de realidade às idéias. Estas idéias, emergentes da mente sonhadora, são realidades objetivas tal como no estado de vigília.
Em sono profundo há também a luz da Consciência. Este estado é uma experiência de paz e tranquilidade. Neste estado de sono (sem sonhos), não temos experiências objetivas como no estado de vigília ou de sonhos. Quando sonhamos, não apenas esquecemos nossos corpos, mas, também, nossas preocupações, ansiedades, deveres e responsabilidades. Este esquecimento periódico da identidade vígil é extremamente necessário tanto para nossos corpos, como para nossas mentes. O movimento incessante da mente- como experimentado nos estados de vigília e de sonhos- é uma carga cansativa. Necessitamos nos aliviar dela. O sono nos traz alívio; é uma pausa neste “conhecimento”. (a continuar)
Extraído do livro "Seeing God Everywhere", do Swami Shraddananda, Vedanta Press 1996.
Mais sobre Vedanta em http://www.vedanta.org/ e http://www.vedanta.org.br/

terça-feira, 29 de junho de 2010

Lustrando o assoalho sempre...a prática do dia a dia!

Precisamos ter alguma auto-disciplina. Na vida nada se pode alcançar sem prática e duro esforço. A sociedade ou a igreja organizada lhe dará certos princípios gerais, um arcabouço dentro do qual você terá que atuar. Mas, compete a mim a melhor forma de agir. Ninguém pode me ajudar nisso. Existe apenas um Princípio ou Divindade em torno do qual temos que nos organizar. De verdades inferiores ascendemos às verdades superiores. Isto é tudo o que entendo hoje, mas, à medida que reflito, verdades mais amplas se abrem para mim. Temos que prosseguir passo a passo, desde o mais denso ao mais sutil. A cada dia nossa visão tem que se tornar mais e mais clara e firme. Digamos que eu queira manter um aposento limpo. Todos os dias faço um pouco de faxina e assim as coisas são mantidas limpas e em ordem. Esse pouquinho que seja será suficiente, mas deverá ser feito com regularidade, sistematicamente. Na Índia, confortos materiais são mínimos. Minha primeira experiência com piso de tábuas foi em Shillong, no clima frio dos Himalayas, onde as casas de madeira são construídas sobre pilotis e assoalhadas. Anteriormente, vivera sempre em climas quentes, em casas pavimentadas com cimento polido que duravam séculos. O assoalho de Shillong era sem vida e eu não tinha condições de usar tapetes ou acarpetá-lo. Alguém me sugeriu que fizesse um polimento com óleo de linhaça, mas ainda assim continuou fosco e embotado. Assim, todas as manhãs, esfregava o assoalho com um pedaço de pano. As pessoas riam de mim e me perguntavam por que fazia aquilo. Eu lhes respondia que não gostava daquele piso tão sem graça. Na verdade,  nunca ouvira falar no uso de ceras de polimento, mas com o simples esfregar aquele pano seco, diariamente, o piso adquiriu um brilho tão bonito, que aquelas mesmas pessoas pensaram que eu havia utilizado alguma cera. Veja só: apenas um suave polimento e nada mais!
É assim que devemos organizar nossa vida interior. Todos os dias dar um polimento. “Não disponho de muito tempo, não tenho paciência e nem o equipamento!" Pense como quiser, mas faça o que puder – simplesmente faça-o, esfregue-o, limpe-o todos os dias; é o bastante. Então, lentamente, a coisa desabrocha por si mesma. O melhor possível para a minha personalidade vem à tona. E quando isso acontece o desabrochar é mais amplo ainda, porque em essência, nós temos o Poder Divino dentro de nós e você acabou de criar a situação para que ele se abra por si mesmo. E se isso acontece você ganha força para fazer mais e mais.
Você não precisa ficar desanimado nem desencorajado por não ter podido fazer isso ou aquilo - “Oh, eu tinha tomado uma decisão, tropecei e então caí.” Levante-se e caminhe novamente, basta isso! O fracasso não está somente no fato em si; o verdadeiro fracasso está em aceitar o fracasso. Portanto, não o aceite. Levante-se e comece de novo a caminhar e você aprenderá. Isso é o que eu acredito que se deva fazer na vida espiritual. Isso é o que eu considero prático, conforme meu entendimento. Erros existem, não importa; são grandes lições recebidas. “Eu simplesmente não posso seguir esse caminho, não o compreendo; mas sigo o que posso e o que compreendo. A longo prazo é tudo uma soma e lentamente nos chega uma mudança, uma transformação.”
Você não deve entregar-se à tentação de pensar: “Eu não tenho aptidões para isto!” Este tipo de autocrítica, de autodepreciação, na verdade não é digna de um aspirante espiritual. “Deus me deu tanta força interior que eu farei tudo; então, vamos ver o que acontece!” Esta tem que ser a atitude.
(Resumo de uma palestra do Rev. Swami Bhavyananda, diretor espiritual do Centro Ramakrishna Vedanta, Londres)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A Jóia Suprema do Discernimento, segundo a "Bhagavad-Gitâ"

Para muitos este texto "Bhagavad-Gitâ", composto ao que se sabe há pelo menos 6.000 anos, é a pedra filosofal, por assim dizer, da psicologia e filosofia oriental. Tem sido, portanto, um seguro roteiro espiritual, em que Arjuna, um discípulo de natureza guerreira, houve de seu Instrutor, Sri Krishna, sobre a arte de sobrepujar as emoções pessoais diante de todas adversidades. Este diálogo acontece no campo de batalha de Kurukshetra, onde os exércitos oponentes se encontram dispostos, à espera do sinal para o início da guerra. Tudo isso, é claro, está em linguagem simbólica. No 2º capítulo, intitulado "A Yoga do Conhecimento", cujo verso 49 vamos examinar agora, Sri Krishna está recordando Arjuna de sua verdadeira natureza, e que, sendo assim, ele não pode desistir de seu papel, tem que enfrentar seu compromisso e lutar, porém, à partir de uma atitude ponderada e equilibrada, surgida da prática de Yoga. Cada um dos versículos, ao longo de 18 capítulos, é comentado nesta obra extensamente, seguramente, com clareza e síntese, de modo a que o leitor ocidental tire o máximo de proveito em seu estudo.

"A primeira coisa a fazer é comandar sua mente. Nós, raramente, manejamos nossa mente. Sabemos manejar ferramentas, mas a maior das ferramentas é nossa própria mente, e nunca a manejamos, deixamos que siga como lhe apraz. Assim, a Gitâ nos provê com outro ensinamento: maneje as ferramentas, mas também sua mente. Então algo grandioso acontecerá a você!
O próximo verso, verso 49, diz assim:
'O trabalho (motivado pelo desejo) é muito inferior aquele realizado com a mente estabelecida em buddhi-yoga. Oh, Herói, busca refúgio neste buddhi, a serenidade da mente; infelizes são os que atuam por resultados egoístas. ’

Estes versos, no coração do segundo capítulo da Gitâ, são magistrais, transmitindo uma profunda filosofia de vida à toda humanidade: ‘Oh, Arjuna, as ações realizadas por motivos pessoais são bem inferiores aquelas feitas do ponto de vista de buddhi-yoga; tome refúgio em buddhi, desenvolva este buddhi em si mesmo. Aqueles que correm atrás dos frutos do trabalho, são de mente estreita. (...)
Buddhi é um grande conceito em Vedanta, surgindo muitas vezes na Gitâ. Na verdade, trata-se da faculdade de raciocinar, de julgar e de discriminar. Representa a integração entre intelecto, vontade e emoção. Também controla, ou deveria controlar, todos os processos sensoriais e psíquicos no ser humano. Este sistema cerebral é o instrumento orgânico de buddhi, e foi feito para controlar e regular todo o organismo humano, menos as funções automáticas do corpo. Entendendo isso, e tentando praticar um pouco deste conhecimento, qualquer um pode desenvolver buddhi em si próprio, como instrumento de realização da meta evolutiva no estágio humano. Isto é fabricado com o sistema de energias psicofísicas em cada pessoa, purificamos esta energia e a refinamos; então, ela se torna buddhi.
Todo caráter superior está baseado no refinamento da energia psíquica. Energia psíquica bruta nos fornece um caráter grosseiro. Este é um tema importante: temos hoje grandes refinarias em muitos países, onde se toma óleo cru, se refina e se obtém ótimos produtos de petróleo, até mesmo essências finas. Refinar é essencial no que concerne ao óleo natural. Similarmente, a natureza concedeu ao homem uma surpreendente refinaria de experiências em seu interior. Tome uma experiência crua, rude, refine-a, e então ofereça estes sublimes produtos do caráter: amor, compaixão, eficiência no trabalho, paz, dedicação – à partir de uma forma primitiva de energia existente em si mesmo. É um tema no qual os jovens deveriam pensar e exercitar em suas vidas: como refinar minha própria experiência? Hoje em dia, no conceito e prática da educação em todo mundo, quase nada existe deste refinamento de experiências. A grosseria surgida em nossas vidas é espantosa! Grosseria nas relações humanas comuns, grosseria na política, grosseria em tudo; há educação, mas não refinamento; há energia psíquica, mas não refinada; esta grosseria é um sinal de que nós não usamos nosso sistema corpo-mente como refinaria de experiências. Todas estas idéias fazem parte do ensinamento que Sri Krishna nos oferece neste 2nd. capítulo. Onde não há buddhi, vivemos e trabalhamos à partir de um nível inferior da vida. Assim, nos tornamos pessoas motivadas a retirar os frutos para si mesmas. Não há espaço para ‘você’ ou para ‘nós’ em nossa mentalidade. Ao contrário, do nível de buddhi, toda ação ou pensamento irá procurar o bem-estar alheio, junto com o próprio: ‘Que posso fazer por você?’, será a atitude preponderante. Isto se chama buddhi-yoga ou yoga-buddhi, a única fonte de energia de qualidade superior. Este buddhi em você é o mais próximo do Atman ou Brahman, o único Ser divino em todos. Buddhi tem apenas que se voltar, e o Atman lá está, aquele que é Infinito.
Ao estudarmos o Katha Upanishad, nos defrontamos com o lindo exemplo da biga, ou carro de guerra. A vida humana não deixa de ser uma viagem em busca de realização. Há dois tipos de viagem: a externa, onde o corpo é o carro, ou biga, os órgãos dos sentidos são os cavalos, a mente são as rédeas e buddhi dirige o carro. Dentro do carro está o Ser, o Atman, o mestre condutor em ação. Mas, no contexto da mesma viagem, há outra viagem no sentido interior. Esta viagem interior é a que vale para o caráter e capacitação espiritual superior. (...) Nesta representação de guerra, quem conduz o carro é buddhi, que dirige toda movimentação dos sentidos ou cavalos atrelados; toda energia deste movimento está nos cavalos. Estes devem ser controlados pelas rédeas, que devem estar seguras por alguém e este alguém é buddhi. Estas rédeas representam manas, o sistema psíquico. Assim, buddhi é o condutor e diretor da viagem toda, ele estabelece o ritmo da empreitada. Ele, e não os cavalos, pode enxergar longe, ser prudente ao antever ou prever algo. O sistema sensorial não possui pré-visão ou prudência. O sistema psíquico tem um pouco de antevisão, mais que o sistema sensorial, Porém, quando se chega ao buddhi, você encontra elevada premonição e pré-visão. Isto se chama sabedoria. Buddhi é instrumento sem igual para conduzir a vida humana e para atingir o destino humano. Assim, Sri Krishna nos diz aqui: ‘tome refúgio em Buddhi’; não permita que sua viagem seja conduzida nem pelos cavalos, nem pelas rédeas ou pela força das rodas. Do mesmo modo, na situação humana, não deixe o corpo decidir sobre o propósito de sua vida. Nem tampouco o sistema sensorial, nem mesmo o psíquico, mas permita ao buddhi decidir sobre o curso da viagem de sua vida. (...)
Da obra "Universal Message of the Bhagavad Gitâ", by Swami Ranganathananda, edt. Advaita Ashrama, Índia

quinta-feira, 3 de junho de 2010

As Leis da Vida Espiritual, segundo a filosofia Vedanta

1. O que, presentemente, tomamos como real, afeta toda nossa personalidade, pensamentos, emoções e ações. Todo nosso ser responde à esta realidade.


2. Nosso conceito de realidade depende de como consideramos a nós mesmos; ou seja, a concepção que o homem tem de Deus evolve com o desenvolvimento  desta consciência de si mesmo.


3. Despertar espiritual é a transformação da consciência da pessoa, o que significa a mudança de um centro inferior a um centro mais elevado de consciência.


4. Embora distinta dos imperativos morais, a aspiração espiritual deve ser sustentada por estes. A prática da concentração (meditação) se não for precedida e sucedida pela purificação da mente e sublimação dos instintos, poderá levar o aspirante a desviar-se.


5. Cada aspirante deve, primeiramente, compreender onde está e começar desde aí; porém, fazendo o melhor uso da proteção e amparo recebidos durante os primeiros anos de sua vida, deve ultrapassá-los e amparar-se em suas próprias pernas, retirando sua sustentação mais do Divino que de homens ou instituições. Esta é a lei do crescimento espiritual. Significa que um aspirante só poderá adiantar-se no caminho espiritual, se estiver preparado a abandonar os suportes que o auxiliaram durante o estágio inicial.


6. A realização do Absoluto- a Realidade transcendental, chega sempre através da realização do Divino Princípio imanente. A sagrada Personalidade (Ishta Devata) é uma manifestação deste divino Princípio.


7. Quanto mais se expande nossa consciência, mais presenciamos o Divino em todas as pessoas e mais espirituais nos tornamos.


By Swami Yatiswarananda, no livro "Meditation and Spiritual Life"

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Acumule Poder em Silêncio...

Vejamos o que nossos Mentores nos disseram a respeito do Silêncio:

Sri Ramakrishna: "Faça seus deveres, mas com a mente firme em Deus!

Se você entra no mundo sem primeiro cultivar o amor a Deus, vai se emaranhando cada vez mais. Até ser sobrepujado por seus perigos, seus lamentos, suas dores.
Antes de qualquer coisa, passe óleo em suas mãos, só depois abra a fruta da jaca, do contrário ficarão grudentas devido ao suco pegajoso. Primeiro proteja-se com o azeite do Divino amor, só então se disponha aos deveres no mundo. Mas, para alcançar este divino amor deve-se buscar solidão. Para retirar a manteiga do leite, este deve ser deixado num local tranqüilo para que se torne coalhada: se a vasilha for muito mexida, o leite não ficará coalhado. Portanto, deixe seus outros deveres de lado, sente-se num lugar sossegado e bata a coalhada. Só assim terá manteiga!
Mais ainda, por meditar em Deus em solidão a mente adquire conhecimento, devoção e se torna imparcial. Porém, a mesma mente, se colocada no mundo, perde sua rica aquisição."

Swami Vivekananda: "Viva em solidão, na solidão de sua mente! Isto é felicidade. Adquira poder em silêncio e transforme-se em um dínamo de espiritualidade!"

Sri Ramana Maharshi: "O Senhor controla o destino das almas de acordo com seus feitos passados. O que estiver destinado a não acontecer, não acontecerá! O que estiver destinado a acontecer, acontecerá; mesmo que você trabalhe contra! Isto é certo. O melhor a fazer, então, é permanecer em silêncio!"

Paramahansa Yogananda: "Quando as feras das preocupações, das doenças e da morte o estiverem perseguindo, seu único refúgio é o templo interno do silêncio! O homem espiritual vive dia e noite num calmo silêncio interior, no qual nem as preocupações ameaçadoras, nem mesmo o choque de mundos em colisão podem penetrar."

OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente



Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.

O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.

Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.

Para ler todo o texto, click acima das postagens em 'Meditação em Yoga'.