Aprender a rir de si mesmo é uma valiosa conquista. Rir de fatos corriqueiros, de ocorrências engraçadas ou da desgraça alheia é bem mais fácil. Há personagens na TV, no cinema ou na calçada que fazem parte da comédia da vida. Há muitas coisas engraçadas acontecendo, mas quero me referir mais à arte de rir de si mesmo, do personagem malicioso, estranho, e porque não dizer, tragicômico que somos; o personagem contraditório e afetável, profano e religioso, um livro aberto, por vezes, mas também misterioso, tantas vezes fraco e temeroso, e outras vezes heroico e generoso. Quem é este cara? Não podemos saber...mas podemos rir e sorrir dele e de suas patranhas. Até onde pude entender, não adianta reclamar muito com ele, nem criticá-lo, muito menos repudiá-lo. E o ZEN, aquela forma oriental de psicologia, nos ensina exatamente isso: não se leve tão à serio, não se valorize tanto, saia deste pedestal do eu imaginário...e o modo suave como se pode fazer isto é...com muito bom humor! Rir de si mesmo não é sinal de complacência ou de paternalidade para com seu próprio egoísmo, não se trata de auto-adulação. Vejo que se trata mais é de haver compreendido melhor a abrangência e sutileza de nossas relações, com nós próprios, com os outros e com a vida. Quero dizer, aprendemos a ver que a vida não depende tanto assim de nossa "figura", nem dos outros tantos figurantes do romance épico da existência, ou de suas opiniões e preconceitos. A vida parece seguir sua própria intenção, sua própria determinação e se desdobra de modo perfeito e intocado. Gostamos de influenciar, de "meter o bedelho" onde não fomos chamados, de interferir com intenção, é claro, de melhorar as coisas - com nosso olho clínico e crítico: pois bem, esqueça! Observe-se, examine-se, critique um pouco suas próprias maneiras, e depois, aceite-se! Diga para si próprio: como sou tão engraçado, tão desajeitado, tão teimoso...eu mesmo não me conheço! Rio-me...divirto-me com minhas esquisitices...e sigo em frente! Rir de mim mesmo significa que estou deixando de ser um "personagem" apenas e começo a ser o "observador" do que se passa. Na cidade em que cresci, e isso foi há muito tempo, havia uma mania entre a garotada: as balas Zéquinha! As balas vinham envolvidas em figurinhas, que mostravam o personagem em toda parte e como sendo isto ou aquilo: era o "Zéquinha em Roma", "Zéquinha alfaiate", "Zéquinha professor", "Zéquinha trambiqueiro", "Zéquinha em Salvador" e assim por diante. Da mesma forma, o Zéquinha que está em nós, devemos nos rir dele pois, do mesmo modo que ele é tão engraçado, travesso e malicioso, mas também generoso e camarada, nós também o somos. Não sou mais o Zéquinha de minha infância, aquele personagem amadureceu e se transformou, hoje comete outras gafes, outros enganos, as peraltices são diferentes...tudo bem para mim, rio-me dele, hoje dou gargalhadas com ele! E vejo que, sem querer, pratiquei o Zen, alcancei bom humor comigo mesmo e com o que mais acontece. Alguém lhe passa para trás ou se esquece de você, ou não cumpre com o prometido, ou fala mal de suas boas intensões...que se pode fazer? É ótimo...alguém lhe dá um pisão...rio-me! Assim, rindo de si mesmo e assobiando com as mãos nos bolsos como um colegial aventureiro, siga adiante que ninguém lhe pode parar. Aprenda isso...isso apenas é ZEN!!!
Palavras de Sri Ramana Maharshi: "A verdade permanente é tão simples. Não é nada mais que estar em seu próprio estado original. Todavia, é de admirar que para ensinar algo tão simples, inúmeras tradições foram criadas, iniciando disputas entre si sobre quem recebera autoridade divina para ensinar. Que lástima! Seja você mesmo, isso é tudo!"
Mostrando postagens com marcador Editorial. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Editorial. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 4 de setembro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Para o Universo tudo tem finalidade... (Editorial)
Hoje em dia ainda há pessoas
que indagam: “Bem, pq devo ser melhor ou pq tenho que me harmonizar?” Vi em um vídeo, César Millan, o conhecido
adestrador de cães, afirmar que nenhum de seus clientes reconhece a necessidade
de “equilíbrio” e dizem: “Que vou ganhar com isso? Mais amigos, mais dinheiro,
mais amor?” Millan ainda afirmou: “Alcançar equilíbrio é a meta da vida dos
cães..!”
E temos de nos perguntar:
“Mas, não é a meta da vida humana também?”
Bom,
penso que ‘equilíbrio’ é consequência do que supomos seja nosso
‘background’. Ou melhor, o que podemos intuir, ou conceber, como ‘pano-de-fundo’
para nossa existência. Vamos imaginar nossa existência fazendo parte do Todo.
Para o Universo, tudo tem finalidade, como para o oceano tudo que há no oceano,
tem finalidade. O menor dos torvelinhos, a mais pequenina ondazinha, o menor
dos moluscos, o peixinho-limpador, o maior dos predadores...tudo, enfim, tem
finalidade. Nada está sobrando, nada em falta! O sabor e potencial do oceano
está contido na menor de suas gotas, assim como, o sabor e potencial do
Universo, da Totalidade, está embutido na menor de suas sementes. Estas ‘sementes’
todas, ao se desenvolver, haverão de manifestar a vontade e presença do Todo em
toda parte. Este ‘sabor semente’ se encontra ali dentro, na fonte da vida que
está em nós, como pulsação, como apreciação, como sapiência, como continuidade,
etc. Saber-me ‘oceânico’ ou ‘univérsico’ é destino de cada semente: a mensagem
sutil do Universo está chegando continuamente a você, mas você tem que se
tornar “receptivo”, aberto, como que de ouvido apurado para poder escutar e compreender.
Meditação é isto, ALINHAR-SE com Aquilo que é continuamente perfeito e único! O
que mais nos pode trazer equilíbrio?
Há
somente uma mensagem fluindo de modo inaudível em toda parte, porém vestida em
várias tonalidades e sabores, conforme o lugar onde é captada e transformada em
tradição religiosa: Tibet, Índia, antiga Grécia e Egito, antigos Incas e Mayas.
Esta mensagem aponta diretamente para seu coração, e diz: “Já sabe quem é você?”
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Abordando a questão do sofrimento...por outro ângulo...!
Conta-se também que Gautama, o Buddha, resumidamente concluiu que a fonte do sofrimento humano se enraíza no fato de que ele se acha apegado às coisas passageiras. É claro que um mesmo ponto focal está aqui sendo indicado: sofremos como resultado de nos havermos esquecido de nossa real natureza! Podemos compreender refletindo um pouco, que o desfrutar de coisas passageiras trás a sensação ilusória de que é duradouro, de que pode perdurar por algum tempo, e de que o prazer pode continuar. Todavia, fomos nós que nos deixamos iludir. Nós bem sabemos que a natureza de qualquer situação ou 'coisa', é transitória. Como diz antigo provérbio: "Não há mal que dure para sempre, nem bem que nunca se acabe!" Isso pode ser visto na vida de cada um: sucesso e fracasso se sucedem, bons e maus momentos se sucedem, alegria e tristeza se sucedem, força e fraqueza se sucedem e assim por diante. Em certo momento estamos no 'alto', e no momento seguinte no 'baixo'...e é esta a natureza do mundo!
A natureza do mundo e suas coisas, seus acontecimentos, é transitória, mas, qual é nossa natureza, dos que experienciamos esta transitoriedade? Qual é a natureza deste 'observador' que sofre? Porque ele sofre?
Ele sofre porque se identificou, se apoderou daquilo que é impermanente, tornou-se "do mundo" ´perdendo seu status original, procurando de qualquer jeito transformar o que é "passageiro" em algo definitivo! Qual o remédio para esse antigo mal? Ele está hoje disponível sob vários rótulos, porém, em essência é o mesmo medicamento: "Conhece a ti mesmo...mergulha fundo em teu coração e resgata a pérola das pérolas, a gema das gemas, a chave que liberta..!"
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Uma oferenda de Natal: "Canção dos Andes"
Penso que seria muito bom neste momento oferecer aos amigos leitores do Blog "Mergulhe Fundo", uma lembrança natalícia, por assim dizer, como uma comemoração. Há, é claro, de nossa parte, uma vontade de virtualmente dar em cada um, aquele abraço fraterno, dizendo: 'Que bom estarmos aqui e de algum modo, podermos olhar na mesma direção!' E digo mais: siga em frente com a luz de seu discernimento, seja sempre sincero consigo mesmo, ofereça o que é seu quando for possível, e se não for, espere a oportunidade. Tudo será alcançado no tempo certo.'
Aqui deixo duas estrofes de um poema escrito em 1988, "Canção dos Andes", durante uma viagem ao sul da América.
1. Ao longe as cordilheiras;
entre o que vejo e o que sou,
rompe o trigo sua semente de luz,
dançam os girassóis à linguagem solar,
perde-se meu pensamento pelas vertentes geladas.
Algo une a pequenez e a vastidão,
enquanto o sol transforma o éter cósmico
e o derrama sobre a improdutiva terra;
desde onde estou até os contrafortes,
povoou o homem a paisagem árida,
sobrevoando a campina amarela
de pedras singularmente esquecidas,
atravessando com sua lança salgueiros e álamos.
Segue meu olhar a tangente luminosa e livre
da senda inatingível,
para que o anjo verde dos Andes envie sua mensagem ancestral
com as frias borboletas brancas!
2. É com árvores caídas, lenha empilhada,
caminhos tortuosos e ensombreados;
é com a transparência azul das águas
e a doca lacustre de espectral anatomia,
também com a chuva copiosa que molha, de súbito,
a senda em que caminho;
é com os grandes co-y-hues
e a chaminé de pedra fumegando ao vento
o caldeirão do lenhador;
é com a coroa ignota do céu noturno
e a inacessibilidade da rocha íngreme,
que confecciono a substância viva de minha poesia.
É preciso encontrar nas coisas simples,
na simplicidade das formas naturais,
na rede da vida humana,
a matéria prima da pura inspiração.
Na realidade cotidiana
é preciso encontrar meios e métodos
para conhecer uma outra realidade
e produzir com as próprias mãos
uma outra vida, um novo destino histórico."
Copyright "Mergulhe-Fundo.blogspot.com"
Aqui deixo duas estrofes de um poema escrito em 1988, "Canção dos Andes", durante uma viagem ao sul da América.
1. Ao longe as cordilheiras;
entre o que vejo e o que sou,
rompe o trigo sua semente de luz,
dançam os girassóis à linguagem solar,
perde-se meu pensamento pelas vertentes geladas.
Algo une a pequenez e a vastidão,
enquanto o sol transforma o éter cósmico
e o derrama sobre a improdutiva terra;
desde onde estou até os contrafortes,
povoou o homem a paisagem árida,
sobrevoando a campina amarela
de pedras singularmente esquecidas,
atravessando com sua lança salgueiros e álamos.
Segue meu olhar a tangente luminosa e livre
da senda inatingível,
para que o anjo verde dos Andes envie sua mensagem ancestral
com as frias borboletas brancas!
2. É com árvores caídas, lenha empilhada,
caminhos tortuosos e ensombreados;
é com a transparência azul das águas
e a doca lacustre de espectral anatomia,
também com a chuva copiosa que molha, de súbito,
a senda em que caminho;
é com os grandes co-y-hues
e a chaminé de pedra fumegando ao vento
o caldeirão do lenhador;
é com a coroa ignota do céu noturno
e a inacessibilidade da rocha íngreme,
que confecciono a substância viva de minha poesia.
É preciso encontrar nas coisas simples,
na simplicidade das formas naturais,
na rede da vida humana,
a matéria prima da pura inspiração.
Na realidade cotidiana
é preciso encontrar meios e métodos
para conhecer uma outra realidade
e produzir com as próprias mãos
uma outra vida, um novo destino histórico."
Copyright "Mergulhe-Fundo.blogspot.com"
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
A Realidade por trás de todas as facticidades...
Tenho hoje para comigo uma certeza: é preciso cultivar uma boa reserva de bom humor para se viver. Muitas situações contrárias são resolvidas apenas com ‘bom humor’. Não com calculismos, não com velhos conceitos, menos ainda com ‘mau humor’! Sem uma boa dose de ‘bom humor’ é como se os acontecimentos ficassem maiores do que são e nossa própria perspectiva fosse diminuindo... diminuindo...!
Não se trata, porém, de cultivar o gosto por anedotas, que têm seu valor, nem de ficar deixando correr o riso fácil. Não, nada disso! Temos de aprender a encontrar e compreender o natural lado humorístico da vida, retirando daí a munição necessária para o dia a dia. A Realidade por trás de todas as facticidades, sendo plena e perfeita, está sempre cheia de quadros cômicos, que asseguram ao bom observador, a reserva humorística necessária. Se não, vejamos - a vida em si mesma é muito engraçada: pessoas que se querem bem, vivendo separadas, enquanto inimigos e adversários vivem enlaçados! Quando muito desejamos que algo aconteça, acontece exatamente ao contrário. Você tem algo superior a oferecer, parece que lhe voltam as costas, mas se tem algo apenas banal... sua porta fica congestionada! Ah, que magníficas coisas desproporcionais! Sim, a vida é realmente muito cômica!
Por meu lado, havendo levado certo tempo para entender, tenho visto que não adianta adotar uma postura muito rígida com nada, tudo é passageiro e tão fugaz... A graça natural das coisas, o lado cômico, ocasional e fresco, está embutido em qualquer situação, esperando que você o surpreenda. Os homens realmente sábios, não nos esqueçamos, são cheios deste ‘bom humor’; de onde o retiraram?
Há em uma vila litorânea, em sua única rua comercial, um rosto enorme de um sábio, um boddhisattva, à entrada de uma loja de presentes. É uma face esculpida em pedra e que mantém um sorriso afável e impessoal, parecendo confirmar ou concordar com tudo que se passa a sua volta. Noutro dia sentei-me diante desse rosto ‘que não vê você’ e procurei captar seu ensinamento: ao lado, em um bistrô, pessoas se divertiam ouvindo música; na loja, outras entravam e saiam, crianças choravam já cansadas de tanto passear, e por trás, em uma pequena igreja, devotos cantavam acompanhando a missa vespertina. Olhei aquele rosto e seu sorriso permanecia o mesmo; fiz uma observação a respeito da confusão ao seu redor, e o sorriso continuou igual. Indaguei-lhe, então, sobre a impermanência das coisas da vida e o sorriso se tornou mais sereno ainda. Senti que minha idéia básica estava confirmada: o bom humor se acha entrelaçado à divina sabedoria!
Não se trata, porém, de cultivar o gosto por anedotas, que têm seu valor, nem de ficar deixando correr o riso fácil. Não, nada disso! Temos de aprender a encontrar e compreender o natural lado humorístico da vida, retirando daí a munição necessária para o dia a dia. A Realidade por trás de todas as facticidades, sendo plena e perfeita, está sempre cheia de quadros cômicos, que asseguram ao bom observador, a reserva humorística necessária. Se não, vejamos - a vida em si mesma é muito engraçada: pessoas que se querem bem, vivendo separadas, enquanto inimigos e adversários vivem enlaçados! Quando muito desejamos que algo aconteça, acontece exatamente ao contrário. Você tem algo superior a oferecer, parece que lhe voltam as costas, mas se tem algo apenas banal... sua porta fica congestionada! Ah, que magníficas coisas desproporcionais! Sim, a vida é realmente muito cômica!
Por meu lado, havendo levado certo tempo para entender, tenho visto que não adianta adotar uma postura muito rígida com nada, tudo é passageiro e tão fugaz... A graça natural das coisas, o lado cômico, ocasional e fresco, está embutido em qualquer situação, esperando que você o surpreenda. Os homens realmente sábios, não nos esqueçamos, são cheios deste ‘bom humor’; de onde o retiraram?
Há em uma vila litorânea, em sua única rua comercial, um rosto enorme de um sábio, um boddhisattva, à entrada de uma loja de presentes. É uma face esculpida em pedra e que mantém um sorriso afável e impessoal, parecendo confirmar ou concordar com tudo que se passa a sua volta. Noutro dia sentei-me diante desse rosto ‘que não vê você’ e procurei captar seu ensinamento: ao lado, em um bistrô, pessoas se divertiam ouvindo música; na loja, outras entravam e saiam, crianças choravam já cansadas de tanto passear, e por trás, em uma pequena igreja, devotos cantavam acompanhando a missa vespertina. Olhei aquele rosto e seu sorriso permanecia o mesmo; fiz uma observação a respeito da confusão ao seu redor, e o sorriso continuou igual. Indaguei-lhe, então, sobre a impermanência das coisas da vida e o sorriso se tornou mais sereno ainda. Senti que minha idéia básica estava confirmada: o bom humor se acha entrelaçado à divina sabedoria!
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Editorial: "Aquilo que está escrito em toda parte"!
Coloque o signo da não-dualidade em sua mente, e então faça como desejar.
Podemos fazer seja o que for: comércio, caridade, cultura, etc, desde que compreendamos o que está acontecendo, quem está envolvido naquela atividade. É a pessoa? É apenas a mente? É a Individualidade? Quem está de fato dirigindo toda ação? Quando ingressamos na não-dualidade, sabemos que tudo é ‘Eu Sou’, o princípio divino em toda parte. É apenas ‘Eu Sou’ que, desde o centro anímico, como Fonte, inspira e mantém tudo. A ânsia por fazer, realizar e cumprir metas, não passa de nossa visão distorcida e aderida ao externo, ao aparente. Porém, é somente o ‘Eu Sou’ o promotor, o motivador e o Instrutor. Nós somos as ‘máquinas’ e Ele o maquinista, somos as ‘varinhas’ com que o Mago dispõe sua magia. Para a consciência pura, não-dual, que observa somente a Unidade, fazer ou não fazer é indiferente, como atributos da diversidade. Nós, sendo esta Consciência, temos que tomar consciência de que somos Eu Sou, o ser vivente. É a ele que chamamos Ser, ou Deus, o Eterno Presente, a Consciência pura em toda parte existente.
Portanto, aquilo que fizermos será também perfeito, se for mantido o reto conhecimento de que o ‘fazedor’ é este ‘Eu Sou’! Há muito pouca coisa no mundo feita com esta perspectiva. Portanto, que mundo é este? Toda perspectiva está equivocada, todos pensam que são o “autor” de seus feitos. Mas, é somente este Princípio Divino a que chamamos ‘Deus’, ou simplesmente ‘Aquilo’, o verdadeiro moto-contínuo em tudo que há!
Aqui fica um koan ZEN para você: "encontre sem procurar, atire a flecha sem mirar, exista sem pensar, caminhe sem temer e alcance sem desejar!"
By Jay Govinda
Podemos fazer seja o que for: comércio, caridade, cultura, etc, desde que compreendamos o que está acontecendo, quem está envolvido naquela atividade. É a pessoa? É apenas a mente? É a Individualidade? Quem está de fato dirigindo toda ação? Quando ingressamos na não-dualidade, sabemos que tudo é ‘Eu Sou’, o princípio divino em toda parte. É apenas ‘Eu Sou’ que, desde o centro anímico, como Fonte, inspira e mantém tudo. A ânsia por fazer, realizar e cumprir metas, não passa de nossa visão distorcida e aderida ao externo, ao aparente. Porém, é somente o ‘Eu Sou’ o promotor, o motivador e o Instrutor. Nós somos as ‘máquinas’ e Ele o maquinista, somos as ‘varinhas’ com que o Mago dispõe sua magia. Para a consciência pura, não-dual, que observa somente a Unidade, fazer ou não fazer é indiferente, como atributos da diversidade. Nós, sendo esta Consciência, temos que tomar consciência de que somos Eu Sou, o ser vivente. É a ele que chamamos Ser, ou Deus, o Eterno Presente, a Consciência pura em toda parte existente.
Portanto, aquilo que fizermos será também perfeito, se for mantido o reto conhecimento de que o ‘fazedor’ é este ‘Eu Sou’! Há muito pouca coisa no mundo feita com esta perspectiva. Portanto, que mundo é este? Toda perspectiva está equivocada, todos pensam que são o “autor” de seus feitos. Mas, é somente este Princípio Divino a que chamamos ‘Deus’, ou simplesmente ‘Aquilo’, o verdadeiro moto-contínuo em tudo que há!
Aqui fica um koan ZEN para você: "encontre sem procurar, atire a flecha sem mirar, exista sem pensar, caminhe sem temer e alcance sem desejar!"
By Jay Govinda
quarta-feira, 7 de julho de 2010
O Personagem Imaginado...por todos nós!
Fomos nós que 'imaginamos' nosso personagem e cremos ser ele! Um mundo foi criado a partir disso e o personagem passou a ter vida especial. Pelo menos foi o que imaginamos. O personagem se alegra, se entristece, pensa em vitória e derrota, perdas e ganhos... família, durabilidade...conceitos! Em certo momento, sofre porque acha que deve se 'afastar do palco', as luzes foram apagadas, ele está desesperado!
E agora? Porém, nunca se lembra de que ele não é o personagem. Que tudo não passa de grande ilusão! Como se tomasse um rolo de corda a um canto, pensando ser uma cobra. O sofrimento nos parece bem real porque nos esquecemos de quem somos realmente, e nos apegamos a um eu conceitual, passageiro. Assim, qualquer coisa se torna uma ameaça à minha humanidade. Sendo "humano", sou imperfeito, sou carente, verdadeiramente um necessitado! Então...lágrimas e lágrimas! Foi uma escolha feita no passado e devo experimentar o resultado de minhas escolhas. Quando não quiser mais sofrer, o remédio, o único remédio é DESPERTAR! É tão surpreendente, mas outros, adormecidos, não me podem falar nesta medicação, pois estão sonhando. Só alguém já desperto me pode dizer - Desperte!
Escute uma estória: havia um homem que desenvolveu a mania de cortar papel, todo papel que encontrava, não podia resistir...cortava! No começo não tinha muita importância, eram pedaços soltos que encontrava, mas, com o tempo, passou a cortar jornais, documentos e até, imaginem, dinheiro! Aí a coisa se complicou! Todos ficaram bem preocupados, tendo que ocultar suas coisas mais valiosas. Quando a coisa se tornou insuportável - aqueles papéis rasgados por toda casa - resolveram procurar ajuda de algum profissional. Levaram-no a um médico e nada, a um psicólogo e nada, nem hipnose lhe conseguiu ajudar. Tentaram cartomantes, adivinhos, astrólogos e até videntes, mas ninguém conseguia chegar a um medicamento certo. Mas, aquilo não podia continuar, quase em desespero, afinal, ficaram sabendo que acabara de chegar à cidade um jovem terapeuta, que estava operando verdadeiros milagres, sem qualquer ostentação. Logo, conseguiram uma entrevista e conduziram o 'doente' até lá. Não havia mais nenhum papel em toda casa e agora ele estava começando a gostar de cortar também panos. Depois de ouvir toda aquela narrativa, este jovem retirou-se com o maníaco para caminhar, andaram em círculos por algum tempo, o terapeuta às vezes o abraçava e enquanto isso, conversavam. Então, segredou-lhe algo ao ouvido, os olhos do doente brilharam, seu corpo se endireitou, seus passos se firmaram e o rapaz disse: 'Podem levá-lo, já está curado!'
Claro, ninguém entendeu nada, tantos especialistas tinham sido consultados e agora um desconhecido qualquer, e tão jovem, achava que tudo se havia acabado? Mas, tinham que acreditar e se retiraram.
Todavia, algum tempo depois, verificaram que o homem estava completamente curado, já não cortava mais nada. Voltaram ao "doutor": - O que foi que lhe disse naquele dia, doutor? Ocorreu um verdadeiro milagre!!
'Bem', respondeu aquele jovem, 'eu apenas lhe disse que ele não era um cortador de papel e sim um homem!' e isso criou uma reação favorável instantânea.
Ora, o mesmo parece que está acontecendo em toda parte, não somos "contadores de papel". Como personagem imaginário, tudo me pode afetar, mas conhecendo minha verdadeira natureza, serei capaz, eu mesmo, de realizar verdadeiros milagres!
By Jay Govinda
segunda-feira, 26 de abril de 2010
O que vem a ser 'Mergulhe Fundo'?
Todos nós que temos estudado e procurado praticar os Ensinamentos de Yoga, mesmo em caso dos mais simples, às vezes continuam dúvidas. Assim, para que não restem dúvidas sobre o que vem a ser o 'momento presente', vamos dizer que é aquele espaço de tempo em que o Oceano da Divindade se abre para nós! Sim, aquele instante em que ficamos conscientes de sermos UM com a Totalidade. O 'momento presente' é o momento em que, com grande clareza, temos a visão de nossa Real Natureza. Afim de sintetizar toda uma situação, às vezes com explicações elaboradas, Sri Ramakrishna, o grande místico da Índia do século XIX, cunhou a expressão 'mergulhe fundo', indicando a imediata possibilidade de absorção no oceano da Existência que começa em nosso próprio interior. Nesse sentido, para enfatizar esta tendência natural em nós, ele podia acrescentar: 'assim como o peixe está no oceano, do mesmo modo está o homem em Deus!'
Assim pensando, podemos entender que o 'momento presente' é, pois, como uma praia em que se pode ter contato, e ingressar, no estado Divino. Em nosso planeta, há apenas um grande oceano, mas que recebe vários nomes, em várias partes. Ao banhar as costas de algum país, recebe alí outros tantos nomes locais: praia do forte, praia de sambaquis, praia Grande, praia de Ipanema, etc.
O Momento Presente é aquela praia onde você se pode entregar ao Oceano da Divindade. Oh...mas onde está a entrada? Ora, está diante de você, envelopada na idéia de hoje e do agora. Significa que, ao ser suspensa a atividade pensante, você se torna consciente do que há a seu redor e lá dentro de você. Em silêncio, onde nada precisa ser dito, você reconhece o exato local de cada coisa e reconhece seu próprio local, sua própria morada que é seu próprio Ser ou Atman.
Por isso, Sri Ramakrishna ensinava de modo tão simples, mas bem significativo: 'Mergulhe fundo!'
Ou também, ele poderia dizer: 'Siga em frente'! São, todavia, a mesma idéia: não se detenha aí onde você pensa haver chegado, ainda não é todo seguro. Explore um pouco mais, vá um pouco mais adiante e descubra a excelência de seu próprio existir e a maravilha que é poder viver de olhos abertos, conscientemente. Estar consciente é de nossa natureza divina!
By Jay Govinda
sábado, 17 de abril de 2010
Não reclame da escuridão...
Se você se considera apenas 'uma pessoa', que é falível, apegada, repetitiva, desastrada, estressada, etc, etc, então a realização daquilo que é a excelência de viver, se torna quase impossível para você!
Se você não puder aceitar, por pouco que seja, sua natureza divina, é quase certo que não irá realizá-la!
Na vida, há dois planos a considerar: primeiro, o plano imediato e óbvio, o campo das ações ou campo dos efeitos; segundo, o plano 'causante', campo em que a existência vibra em forma de consciência e vontade.
É a este segundo plano que devemos prestar atenção, aprendendo como estas conexões se efetivam.
No mundo, o que acontece não passa de reflexos desta Realidade; vemos algo, de relance, e saímos como garotos, correndo atrás. É um efeito chamado 'espelhismo'! Marca registrada da mente descontrolada da grande maioria. Mas, para os aspirantes... meditação também é reconhecer isso o tempo todo. É o significado da palavra dhyana, a 7ª pétala da Flor da Yoga, e quer dizer: 'estar atento' ou seja, desperto, interpretando o que se passa.
Os Mestres nos deixaram seus melhores ensinamentos, mas temos de fazer nossa parte, e nisso, a primeira coisa é ENTENDER, e depois praticar, para depois poder manifestar aquilo que aprendeu.
Portanto, não reclame da escuridão, acenda sua Luz!
sábado, 3 de abril de 2010
Mergulhe fundo nas Águas da Divindade
"Mergulhe fundo" é um convite para buscar a profundidade interior, aquele espaço sem nome, sem margens, sem comunicação verbal, onde certamente vamos encontrar a Verdadeira Identidade. Sri Ramakrishna, o grande místico da Índia que viveu no séc. XIX, costumava se expressar com palavras simples, despretensiosas, afim de indicar o caminho ao sincero buscador espiritual:
'Mergulhe fundo no oceano de Satchitananda. A morte não há que temer ao se banhar nestas águas, pois se trata do oceano da Imortalidade!'
SAT designa nossa existência, CHIT é nossa consciência e ANANDA é a felicidade suprema resultante desta conscientização.
'Realize a Deus', ele ensinava, 'nada mais importa!' Deus é nossa verdadeira natureza, o oceano divino em cuja superficie nós, como pequenas borbulhas, percebemos nossa existência.
Onde está este oceano? Em nossa própria experiência, na continuidade de nosso 'existir natural' que só pode ser compreendido em meditação, no contato suave e amoroso de nosso Eu Interior.
Assinar:
Postagens (Atom)
OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente
Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.
O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.
Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.
Para ler todo o texto, click acima das postagens em 'Meditação em Yoga'.




