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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Sri Ramana entre os macacos, nas colinas de Arunachala!

Continuando aqui com breves relatos da vida de Sri Maharshi, vemos que é muito importante hoje, devido a questão ambiental, tomar conhecimento de como eram tratados os animais no 'ashram' onde ele vivia. Um ashram, como se sabe, é um local dedicado ao trabalho de aperfeiçoamento espiritual, onde os residentes se dedicam também às tarefas normais de toda comunidade, sob a orientaçãode um mentor principal, ou sob regras estabelecidas por um mentor não presente. É claro que tudo é bastante simples, o conforto não é elemento importante, não havia água encanada nem energia elétrica naquela época, nem banheiros!! O objetivo era o aprimoramento interior, servindo e vivendo na companhia de um verdadeiro Guru.

"Cães, vacas, gatos ou macacos eram tratados do mesmo modo que os humanos. Pessoas recém chegadas podiam se surpreender ao ouvir alguém se referir aos "garotos". Nenhum deles era tratado abaixo disso, nunca sendo designado como 'coisa'. Tampouco Sri Ramana permitia aos residentes do ashram maltratar qualquer deles: "Nós não sabemos que alma está vivendo nestes corpos", ele dizia aos devotos, "nem com que propósito vieram aqui em busca de nossa companhia, talvez para cumprir algum karma não extinto."
Era desse modo que Sri Maharshi considerava os macacos que abundavam as colinas ao redor.
Invariavelmente, os macacos ostracizam qualquer membro do grupo que seja tocado por humanos. Porém, abriam aqui uma exceção: chegaram a sair de sua regra ao escolher para seu rei um macaco aleijado, que havia sido socorrido, depois de sério acidente, por Sri Maharshi, sendo que para essa posição escolhem geralmente o mais forte.
Sempre que macacos se enfrentam por invasão de território de outro grupo, eles tentam resolver a disputa amigavelmente, através de um deles com poderes plenos, mas, se isto falha, se seguirá uma luta sangrenta. Quando Sri Ramana estava em Arunachala, estas brigas eram raras. Ele resolvia suas disputas e ambas as partes se retiravam satisfeitas. Muitas foram as passagens que ele contou destes 'camaradinhas'. Em uma delas, os seguidores de certo rei se achavam assustados, pois o rei tinha tido a atitude corajosa de exilar dois membros poderosos de seu grupo. Certo dia, o rei desapareceu. Quando regressou depois de duas semanas, desafiou os rebeldes e críticos, mas não houve resistência. Todos ficaram com medo de tão forte que ele parecia!
Em raras ocasiões os macacos se comportavam mal com Sri Maharshi, mas logo se arrependiam. Em geral, sua atitude era de respeitosa gratidão, e deram efetiva demonstração disso certa vez, quando Sri Ramana e alguns devotos voltavam de longa caminhada. A tarde estava quente e eles se sentiam tanto sedentos, quanto famintos. Não havia fonte por perto. Um grupo de macacos compreendeu sua necessidade e, subindo em uma árvore de jambos, sacudiram os galhos, fornecendo assim um bom suprimento de frutos. Então, quietamente desceram e se foram, nenhum deles apanhou qualquer fruta.
A atitude de Sri Ramana com os animais usualmente perigosos era a mesma, e serpentes eram suas companheiras quando ele esteve morando nas cavernas. Ele costumava dizer: 'Viemos morar em sua casa, não temos o direito de perturbá-las. Elas não nos ferem se tivermos a atitude correta para com elas!"
Extrato do livro "Sri Maharshi", edição 1973, Tiruvannamalai, Índia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A Yoga da Auto-averiguação "Quem sou eu?", de acordo com Sri Ramana Maharshi

"QUEM SOU EU?" foi um dos dois primeiros trabalhos do Maharshi, sendo o outro 'Auto-indagação', composto mais ou menos na mesma época. Foram escritos por volta do ano de 1.901, aos 22 anos de idade, quando não era ainda chamado de Bhagavan Sri Ramana Maharshi. Todavia, já era um Sábio auto-realizado, em estado de perfeito conhecimento divino, vivendo na caverna Virupaksha, no sagrado monte de Arunachala.
As pessoas já começavam a procurá-lo, mas embora ele não tivesse feito qualquer voto de silêncio, raramente falava. Por vezes, respondia às perguntas por escrito. Assim fez em resposta a 14 perguntas apresentadas por um daqueles primeiros discípulos. Mais tarde, outras tantas foram acrescentadas, o que ocasionou uma publicação provisória, em prosa, sem as perguntas, como aparecem abaixo. O Ensinamento, em toda sua simplicidade e grandeza, se acha sempre convergindo para a questão básica 'Quem sou eu?'
"QUEM SOU EU" ou "Who am I" no original em inglês...
Cada ser vivente aspira ser feliz, intocado pelo desgosto. E cada qual tem o maior amor por si mesmo, o que se dá unicamente pelo fato de que a 'felicidade' é sua verdadeira natureza. Assim, de modo a realizar aquela felicidade inerente e imaculada, experienciada em sono profundo quando a mente é deixada para trás, é essencial conhecer a si mesmo. Para obter tal conhecimento, a indagação 'Quem sou eu?', feita em busca do Ser, é o meio por excelência.
"Quem sou eu?" Não sou este corpo físico, nem os cinco órgãos de percepção; não sou os cinco órgãos de atividade externa, nem tampouco as cinco forças vitais e nem mesmo a mente pensante! Também não sou aquele estado de inconsciência que apenas retém as tendências sutis da mente, sendo portanto livre da atividade funcional dos órgãos dos sentidos e da mente...(...)
Deste modo, rejeitando sumariamente todos os acima mencionados acessórios do corpo físico, com suas funções, afirmando 'eu não sou isto' e também 'eu não sou aquilo', o que permanecer em separado e isolado naturalmente, este puro 'estado de percepção', é isto que eu sou! Este estado de puro conhecimento é, por sua própria natureza, SAT-CHIT-ANANDA, ou seja, pura existência-pura consciência-puro júbilo...
Se a mente, que é o instrumento de conhecimento e base de toda atividade, cessa, a percepção do mundo como realidade objetiva também cessa. A menos que a percepção ilusória da 'cobra na corda enrolada' (*) cesse, a corda sobre a qual a ilusão se forma, não é reconhecida como tal.
De mado semelhante, a menos que a ilusória percepção do mundo como sendo real desapareça, a Visão da verdadeira natureza do 'EU', sobre o qual a ilusão surgiu, não é alcançada!"
(*) O exemplo clássico usado em Filosofia Vedanta, no qual se sugere a retificação da percepção inicial, em que uma corda enrolada é tomada por uma cobra, quando vista no escuro!
Fonte: Copyright a Sri Ramanashraman, Tiruvannamalai-Índia.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Sobre a Auto Iniciação e a Upadesa, segundo Sri Ramana...

A transmissão do Guru ao discípulo de sílabas sagradas (mantras), mudras (gestos) e símbolos imaginários é descrita na sagrada tradição como "iniciação ao Conhecimento". Do mesmo modo, em muitas tradições monásticas, ,upadesas, que são ensinamentos verbais curtos, são oferecidos como uma forma de iniciação. Dentro desse costume, quase todos os que procuravam Sri Ramana, desejavam muito receber dele alguma forma especial de upadesa. A um destes buscadores, Sri Bhagavan deu a seguinte resposta:
"O Conhecimento não é dado nem do exterior, nem por outra pessoa. Ele pode ser realizado por qualquer pessoa em seu próprio coração! O Guru de cada um é o Ser Supremo, que revela Sua própria verdade em cada coração através do princípio consciente 'Eu Sou'. A concessão de verdadeiro conhecimento por Ele é a iniciação em Jñana. A graça do Guru é somente esta auto-percepção, que é a real natureza da pessoa. É esta consciência espiritual que revela, seguidamente, a existência do Guru. Esta divina Upadesa está sempre ativa, naturalmente, em cada qual. Sendo que apenas esta Upadesa é reveladora da realização natural do Ser Supremo através da própria vivência pessoal, os buscadores amadurecidos não têm necessidade - jamais - de procurar auxílio externo ao Conhecimento Superior. Desde que o significado do termo 'upadesa' é 'permanecer no Ser' ou 'viver como o Ser', enquanto se estiver à procura de realização exterior, a Auto-realização não poderá ser alcançada. Desde que a pessoa é, ela própria, a realidade toda radiosa no coração, como consciência espiritual, que procure viver sempre como sthita prajna - estabelecido em Sabedoria - como quem alcançou sua verdadeira Natureza. Permanecer estabelecido na experiência da Realidade Sublime é descrito nos Upanishad como 'Supremo Silêncio', 'Ficando em Quietude' ou 'realização de sua própria natureza'."
Fonte: "The Power of the Presence", por David Godman.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Assim Falou Sri Ramana Maharshi...

Existe a graça Divina ou temos de praticar nosso auto-esforço? Temos de voltar nossa mente para Deus ou é Deus mesmo que nos inclina em sua direção? Estas questões, com frequência, surgem na mente do aspirante. Aqui, nesta sequência, Sri Ramana nos ensina como é:
"Todos temos de retornar à fonte. Todo ser humano está em busca de sua fonte de origem e deve, algum dia, alcançá-la.  Viemos do Interior; nos exteriorizamos por algum tempo e agora precisamos regressar. O que é meditação? É nosso Ser mais natural. Nos recobrimos com pensamentos e desejos; para nos livrarmos disso precisamos nos concentrar em um único pensamento: o Ser!
O Ser é como um poderoso magneto escondido em nosso interior. Ele nos atrái gradualmente para Si, embora imaginemos estar indo até Ele de nossa própria vontade. Ao nos aproximarmos o suficiente, Ele põe fim a nossas outras atividades, nos aquieta, e então retoma nosso fluxo pessoal, assim dissolvendo nossa personalidade. Isto sobrepuja o intelecto e flui por toda a existência. Podemos pensar que estamos meditando nEle e progredindo em sua direção, mas a verdade é que somos como filigranas de ferro e é o Atman-magneto que nos atrái para Si. Dessa maneira, o processo de buscar o Ser é uma forma de magnetismo divino."

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O Poder da Presença - relatos de Sri Ramana Maharshi

Sri Ramana nunca prescrevia disciplinas a ninguém. Era de sua natureza instruir seguindo ele mesmo todas as disciplinas de conduta em que estavam envolvidos os aspirantes espirituais. Mesmo assim, nunca permitia excessos por parte dos que dependiam dele inteiramente. Costumava corrigí-los em particular com palavras gentis. Alguns achavam que ele deveria censurar publicamente certos defeitos de conduta dos devotos. Ao tomar conhecimento disso, Sri Ramana mostrou seu ponto de vista como se segue:
"Quem deve corrigir quem? Não é apenas o Senhor que possui autoridade para corrigir todos? Tudo que podemos fazer é corrigir a nós mesmos! Isso é também corrigir outros."
O Ser Supremo, que foi explicado na terceira pessoa pelas grandes encarnações como Krishna, Buddha, Jesus, Maomé, é agora revelado por Maharshi como sendo a Primeira Pessoa, por meio da seguinte explicação:
"Consciência clara é a verdadeira natureza do homem. Mas, em seu estado atual, não tem consciência de nada. Por quê? Porque aquilo que é existente é somente Um, e sua natureza é consciência da existência. Sendo este o estado natural da pessoa, naquele espaço supremo de não-dualidade, não há qualquer margem para dualidades ou trindades. Assim, a ciência do Ser é somente o reconhecimento claro, por parte da pessoa, de sua verdadeira natureza como mera existência perceptiva. Esta auto-consciência, sem qualquer 'extranheza' ou limitações, é descrita como 'visão sapiente' ou 'auto-conhecimento'!"
Trechos extraídos do livro "The Power of the Presence", de David Godman.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Poder da Presença, passagens na vida de Sri Ramana (II)

(em continuação)
Aquelas pessoas sentiam haver encontrado um verdadeiro Guru, reverenciando-o como manifestação divina, porém eram incapazes de aceitar seus conselhos quando se tratasse de renunciar aos costumes tradicionais. Continuavam com suas práticas devocionais diárias, fazendo 'pujas' em ocasiões especiais e destinando oferendas aos deuses quando se tratava de satisfazer seus desejos. Também saiam em peregrinações a fim de ganhar mérito espiritual e livrar-se de seus pecados. Sri Maharshi, porém, lhes dizia: 'Não há necessidade destas coisas, apenas se aquiete! Permanecer em silêncio é a maior peregrinação que alguém pode empreender. Querem ir até Benares? Onde está um centro tão importante quanto Arunachala (onde se achavam) para se visitar? Aqui é o próprio Himalaya, aqui é o monte Kailash!'
Mesmo assim, a despeito de todas estas assertivas da parte de Sri Ramana, os devotos continuavam com suas peregrinações.
Às vezes, Sri Ramana se tornava indiferente a todos acontecimentos à volta, mas, outra vezes, demonstrava apurado interesse em trivialidades. Certa vez, tomou grande cuidado com um pequeno esquilo que havia se perdido de sua mãe, e quando o ovo de um pardal caiu do ninho, ele o apanhou e ficou cuidando até que o pequeno saiu. Depois, alegremente, ficou mostrando a todos o bebê pardal! Logo, depois de estar interessado em coisas tão triviais, ele poderia responder muito sem se afetar: 'Oh, foi mesmo?', se alguém lhe viesse informar que um devoto próximo tinha falecido. Quando livros estavam sendo encadernados ou um guarda comida era montado, ele costumava supervisionar tudo com muita atenção. Ficava insistindo com as pessoas envolvidas para que todas as medidas fossem obedecidas à risca. Mantinha a mesma atitude com relação à cozinha do ashram, dando instruções detalhadas aos cozinheiros, recomendando que fossem seguidas inteiramente. Em contraste com esta atitude, se alguns dos itens solicitados se perdesse ou se estragasse, ele não demonstrava qualquer reação quando os detalhes das perdas lhe fossem relatados.'
(a continuar)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Retratos cotidianos da Divina Presença (I)

O que, de fato significa, crescimento espiritual? Sim, pois de algum modo, todos estamos buscando nos aperfeiçoar mentalmente, ou moralmente, ou eticamente ou, ao menos, culturalmente. Alguns gostam de ser chamados 'devotos', outros preferem ser 'estudantes' e outros ainda 'aspirantes'. Quem puder transformar os ensinamentos disponíveis em sua própria experiência, tirou deles o melhor proveito e se tornou um 'portador-de-luz'! Além do ensinamento explícito recolhido dos própios lábios do Guru, sua vida cotidiana, seus hábitos, seus inesperados ânimos, seus silêncios, suas caminhadas solitárias ou em companhia de alguns poucos, seu comportamento durante alguma homenagem, etc, são como vivas parábolas, coisas bem prosaicas, mas que protagonizam os mais simples ensinamentos. Foi um veterano amigo nosso quem, de certa forma, sugeriu a divulgação do pensamento de Sri Ramana Maharshi. Estranhei o pedido pois se tratava de um dos mais antigos devotos de Sri Ramakrishna, aqui no Brasil. Mas ele foi logo explicando: "Em minha lua de mel, estava lendo 'A Índia Secreta', daquele inglês Paul Brunton, relatando passagens da vida de Maharshi. Senti brotar em mim imensa vontade de pedir ao Maharshi que me colocasse diante de um verdadeiro guru; e foi assim que, algum tempo depois conheci Swami V., em São Paulo a quem devo tudo que alcancei em minha vida!" Foi o que este amigo me contou.
Tendo isso em perspectiva, começamos hoje a enfocar algumas das passagens nas vidas dos grandes Instrutores da humanidade, que podem também servir de aula implícita para aqueles que se rejubilam com estes tipos de relato, bem simples. Não possuindo câmara fotográfica nem gravador, ainda assim 'pintaram' expressivos retratos daqueles reverenciados gurus.
Relato extraido do livro "The Power of the Presence", do escritor David Godman:
"Gurus como Sri Maharshi são manifestação de Deus em forma humana. Para aliviar e redimir o sofrimento da humanidade, o Senhor ocasionalmente desce à terra e se manifesta em corpo humano. Ele aceita muitos como discípulos e os torna puros com Sua graça. Mesmo sendo divino, cada qual vai lidar com os devotos de modo diferente. O ensinamento destes Gurus com frequência diferem, ou contradizem, as doutrinas, os costumes, tradições e éticas das pessoas entre as quais tomaram um corpo. Todavia, por mais que o Guru se desvie do tradicional, é trabalho do devoto confiar implicitamente nele e desenvolver obediência inequívoca aos seus ensinamentos. (...) Sri Bhagavan contrariava a crença tradicional de muitos dos devotos, por raramente seguir o costume ortodoxo. Ele se esforçou bastante para fazer com que alguns de seus devotos desistissem de suas práticas tradicionais, mas nem sempre tinha sucesso. Muitos deles se sentiam orgulhosos de ser seus seguidores. Sentiam haver encontrado um grande Guru....
(a continuar)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

As Pérolas de Sri Ramana Maharshi

Pergunta: "Senhor, como podemos restringir a mente?"
Sri Ramana: "Será que um ladrão vai denunciar outro ladrão? Será que a mente vai controlar a si mesma?
          A mente não pode 'procurar' pela mente! Você tem ignorado aquilo que é real e se preocupa com a mente, que é irreal, tentando até saber o que ela é! Durante seu sono, a mente estava presente? Não estava, mas agora está aqui. Ela é, portanto, impermanente! Como você pode encontrar a mente? A mente não é você, embora você pense que é, e assim segue perguntando como pode restringí-la. Se ela é real, pode ser controlada, mas não é! Compreenda esta verdade por sua própria investigação. Descobrirá que buscar o impermanente é inútil - portanto, busque a Realidade, ou seja, o Atman.
Esta é a maneira como a mente pode ser restringida!
Das "Conversações com Sri Ramana Maharshi".

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O Néctar das palavras de Sri Ramana Maharshi

Instruções relativas ao auto-questionamento ou constante indagação "Quê Sou Eu?"
"Por incessantemente indagar a si mesmo 'Quê Sou Eu?, você conhecerá seu verdadeiro Ser e, assim, alcançará Liberação.

"O Eu real, que é o Ser, não é nenhum dos cinco sentidos, nem os objetos dos sentidos, nem os órgãos de ação, nem mesmo o sopro vital ou prana; nem é a mente, nem o estado de sono profundo, em que não há reconhecimento de nenhum destes.

"Aquilo que persiste depois da exclusão de cada qual dos acima ditos, é o Eu Real, o mesmo que a pura Consciência. A mente só pode encontrar descanso quando houver respondido à indagação 'Quê Sou Eu?'

"O primeiro e mais importante dos pensamentos é o pensamento 'eu'!
"A mente e o ego são uma mesma coisa. Neste corpo, aquilo que afirma 'eu' é apenas a mente. Portanto, se você indaga de onde surge o pensamento 'eu', verá com certeza que o coração é a origem.

"Nem ao menos murmure 'eu', mas indague com firmeza o que é, neste mesmo instante, que brilha dentro do coração como 'eu'. Ao transcender o intermitente fluxo dos diversos pensamentos, ergue-se a contínua e indivisível consciência desperta, silenciosa e espontânea, como 'eu, eu, eu' - provindo do coração.

"Se a pessoa a ela se adere e prossegue em silêncio, isso vai aniquilar completamente o sentido do 'eu' corporal, que se consumirá como cânfora queimada. Os Sábios e as escrituras proclamam isso como Liberação."

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Como alcançar a Realização do Eu Superior, segundo Sri Ramana Maharshi

"Todos deveremos retornar à nossa fonte. Cada ser humano está em busca de sua fonte e algum dia a encontrará. Nós viemos do Interior, nos exteriorizamos e, agora, temos de nos interiorizar outra vez. O que é meditação? É nosso Ser natural. Nos recobrimos com pensamentos e paixões, e para descartá-los devemos nos concentrar em um único pensamento: o Ser.

O Ser é como um poderoso imã oculto dentro de nós. Nos dirige gradualmente para Si, embora imaginemos estar indo para Ele de nossa própria vontade. Quando já nos aproximamos o suficiente, Ele coloca um fim a qualquer outra de nossas atividades, nos torna silenciosos e assim engole nossa própria corrente pessoal, matando dessa forma nossa personalidade. Isto sobrepuja o intelecto e inunda todo o ser. Pensamos que estamos meditando n’Ele e nos aproximando d’Ele, enquanto que a verdade é que somos como filigranas de ferro e é o imã do Atman que nos atrai para Si. Assim, o processo de realizar o Ser é uma forma de divino magnetismo.
Pergunta: 'Como atingir a realização do Eu Superior?'
A realização não é algo que se obtém, já está aqui. Basta libertar-se do pensamento “Não realizei!” A quietude, ou paz, é a realização. Não há um só momento em que o Eu Superior não exista. Enquanto persistirem dúvidas ou o sentimento de não-realização, deve-se buscar a libertação destes pensamentos, os quais se originam na identificação do Eu Superior com o ego. Ao desaparecer o ego, apenas o Eu Superior permanece. Para que se aumente o espaço em um recinto, basta retirar o que está obstruindo o espaço. O espaço não é trazido de nenhum outro lugar.

O problema é que você ignora seu estado de plenitude. Este desconhecimento lança um véu sobre o puro Eu Superior, que é beatitude. Este conhecimento errado é a falsa identificação do Ser com o corpo, mente, etc. Essa falsa identificação precisa desaparecer, restando, assim, apenas o Eu Superior. Por isso afirmo que o Eu Superior não é alcançável. Você é o Eu Superior, você já é isso!
Você perdeu a visão desta Beatitude porque sua atitude meditativa não se tornou natural e também devido a recorrência das tendências latentes da mente (vasanas). Quando se tornar habitualmente reflexivo, desfrutar do estado de plenitude espiritual haverá de ser algo da experiência natural. Não é pela simples compreensão “eu não sou o corpo” que a meta do Atman será alcançada. Será que nos tornamos “soberanos” por vermos ao rei apenas uma vez? Se você mantiver o pensamento no Ser e intensamente aspirar por Ele, então até mesmo aquele único pensamento usado para focalizar a concentração desaparecerá, e você verá simplesmente que É, ou seja, o verdadeiro Ser, sem 'eu' ou ego." 
Do livro  "Ensinamentos Espirituais de Sri Ramana Maharshi", edt. Cultrix, SP

terça-feira, 27 de abril de 2010

Entendendo como controlar o pensamento...

Na obra 'Talks with Sri Ramana Maharshi', em forma de conversações, pessoas estão apresentando a ele suas dúvidas no que concerne à prática espiritual: 
Pergunta: 'A prática da concentração é necessária?'
Sri Ramana: 'A concentração não é pensar apenas em um objeto. Ao contrário, é descartar-se de todos os pensamentos que obstruem a visão de nossa verdadeira natureza. Agora, parece difícil a supressão dos pensamentos, porém, no estado natural, será mais difícil ativá-los! Afinal, porquê deveríamos pensar nestas coisas todas? Existe apenas o Atman, o Ser. Pensamentos existem somente em presença de objetos, mas, não havendo objetos, como podem os pensamentos surgir?
Os hábitos nos convenceram de que cessar o pensamento é difícil. Se este erro fosse entendido, ninguém seria tão tolo de se esforçar desnecessariamente. Quando a atenção é dirigida aos objetos, a mente fica consciente deles somente.  É nossa situação atual. Porém, ao colocarmos a atenção no Ser interior, nos tornamos conscientes dele. Assim, tudo é apenas questão de atenção.
Se a mente começa a vagar, devemos de imediato reconhecer que não somos aquilo e perguntar - 'Que sou eu?', trazendo outra vez a atenção ao pensamento do Ser.
A meditação no Ser é nosso estado natural. É somente porque a consideramos difícil, que a imaginamos como um estado sobrenatural. Temos sido todos tão artificiais!
A mente repousando no Ser é sua condição natural, porém, ao invéz disso, nossas mentes descansam nos objetos externos!'

By Sri Ramana Maharshi, sábio hindú, residente em Arunachala, sul da Índia, abandonou seu corpo em 1950.

OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente



Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.

O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.

Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.

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