quarta-feira, 30 de junho de 2010

"Busque, mas sem Buscar!"

Havia na Índia certo guru, de tradição advaita, que chamavam de Yogaswami. Um de seus lemas favoritos era "busque, mas sem buscar!" Ora, parece muito incongruente, é o mesmo que dizer 'faça sem fazer' ou 'procure sem desejar', algo assim. Bom, mas ele deixou explicado: enquanto estivermos buscando a Deus em meditação, existem dois - Deus e o buscador ou devoto. Mas, ele não pretendia dizer que desistíssemos de nossa sadhana. O sentido real do que dizia é que, para aprofundar nossa meditação, enquanto sentados em postura de lótus, fazendo pranayama, a fim de intensificar este estado, pare de procurar e comece a realizar que você já é Aquilo pelo que está procurando. Enquanto houver procura Shiva não foi encontrado, pois procurar significa que há dois e Ele é um só! Como alcançar Isto? Yogaswami dizia: "Pare de procurar, apenas seja!" Pensando bem nisso, vemos que as palavras continuam sendo enigmáticas. Mas, ele continua a nos explicar: "Renuncie à consciência que vê e registra o que foi visto. Torne-se apenas o OM, seja um com ele e mergulhe na Realidade Última!"

terça-feira, 29 de junho de 2010

Lustrando o assoalho sempre...a prática do dia a dia!

Precisamos ter alguma auto-disciplina. Na vida nada se pode alcançar sem prática e duro esforço. A sociedade ou a igreja organizada lhe dará certos princípios gerais, um arcabouço dentro do qual você terá que atuar. Mas, compete a mim a melhor forma de agir. Ninguém pode me ajudar nisso. Existe apenas um Princípio ou Divindade em torno do qual temos que nos organizar. De verdades inferiores ascendemos às verdades superiores. Isto é tudo o que entendo hoje, mas, à medida que reflito, verdades mais amplas se abrem para mim. Temos que prosseguir passo a passo, desde o mais denso ao mais sutil. A cada dia nossa visão tem que se tornar mais e mais clara e firme. Digamos que eu queira manter um aposento limpo. Todos os dias faço um pouco de faxina e assim as coisas são mantidas limpas e em ordem. Esse pouquinho que seja será suficiente, mas deverá ser feito com regularidade, sistematicamente. Na Índia, confortos materiais são mínimos. Minha primeira experiência com piso de tábuas foi em Shillong, no clima frio dos Himalayas, onde as casas de madeira são construídas sobre pilotis e assoalhadas. Anteriormente, vivera sempre em climas quentes, em casas pavimentadas com cimento polido que duravam séculos. O assoalho de Shillong era sem vida e eu não tinha condições de usar tapetes ou acarpetá-lo. Alguém me sugeriu que fizesse um polimento com óleo de linhaça, mas ainda assim continuou fosco e embotado. Assim, todas as manhãs, esfregava o assoalho com um pedaço de pano. As pessoas riam de mim e me perguntavam por que fazia aquilo. Eu lhes respondia que não gostava daquele piso tão sem graça. Na verdade,  nunca ouvira falar no uso de ceras de polimento, mas com o simples esfregar aquele pano seco, diariamente, o piso adquiriu um brilho tão bonito, que aquelas mesmas pessoas pensaram que eu havia utilizado alguma cera. Veja só: apenas um suave polimento e nada mais!
É assim que devemos organizar nossa vida interior. Todos os dias dar um polimento. “Não disponho de muito tempo, não tenho paciência e nem o equipamento!" Pense como quiser, mas faça o que puder – simplesmente faça-o, esfregue-o, limpe-o todos os dias; é o bastante. Então, lentamente, a coisa desabrocha por si mesma. O melhor possível para a minha personalidade vem à tona. E quando isso acontece o desabrochar é mais amplo ainda, porque em essência, nós temos o Poder Divino dentro de nós e você acabou de criar a situação para que ele se abra por si mesmo. E se isso acontece você ganha força para fazer mais e mais.
Você não precisa ficar desanimado nem desencorajado por não ter podido fazer isso ou aquilo - “Oh, eu tinha tomado uma decisão, tropecei e então caí.” Levante-se e caminhe novamente, basta isso! O fracasso não está somente no fato em si; o verdadeiro fracasso está em aceitar o fracasso. Portanto, não o aceite. Levante-se e comece de novo a caminhar e você aprenderá. Isso é o que eu acredito que se deva fazer na vida espiritual. Isso é o que eu considero prático, conforme meu entendimento. Erros existem, não importa; são grandes lições recebidas. “Eu simplesmente não posso seguir esse caminho, não o compreendo; mas sigo o que posso e o que compreendo. A longo prazo é tudo uma soma e lentamente nos chega uma mudança, uma transformação.”
Você não deve entregar-se à tentação de pensar: “Eu não tenho aptidões para isto!” Este tipo de autocrítica, de autodepreciação, na verdade não é digna de um aspirante espiritual. “Deus me deu tanta força interior que eu farei tudo; então, vamos ver o que acontece!” Esta tem que ser a atitude.
(Resumo de uma palestra do Rev. Swami Bhavyananda, diretor espiritual do Centro Ramakrishna Vedanta, Londres)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

A Realização do Ser é a mais valiosa das conquistas.

Depois da realização do Ser, você irá entender que é apenas Ele, e não o ego, que desempenha todas as atividades. É o próprio Ser que se acha animando as atividades de todas as pessoas. Quando você tiver sua própria experiência terá completa confiança nisso e também naquelas atividades em que Ele lhe colocar. 
A realização do Ser é a mais valiosa das conquistas. Se você deseja ajudar o mundo, esta é a melhor maneira de fazê-lo! Neste estado, o Ser vai revelar a você quais são Seus planos. Mas, para permitir ao Ser usá-lo desta maneira, você tem que se render a Ele, tem que se devotar a Ele e ter verdadeira obediência. Sendo bem sucedido nisso vai saber que você e Ele são um. Sabendo disso, estará consciente de que, sejam quais forem as tarefas que seu corpo realizar, é somente o Ser que as realiza. Tudo que for realizado neste estado é perfeito, excelente, pois o Ser não comete erros. Nem tampouco possui capacidade para julgar se as atividades são boas ou más. Entregue-se ao Ser com grande devoção e fique silencioso. É tudo que há para fazer. Havendo sucesso nisso, você vai reconhecer, de imediato, em seu interior, uma chama de energia que lhe trará muita força, permeando seu sistema nervoso com uma 'vontade' que, por seus próprios meios, não alcançaria!
By Papaji, no livro "Interviews", fundação Avadhuta

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Néctar das Palavras de Sri Ramakrishna (II)

 Sri Ramakrishna sobre o Conhecimento Perfeito:
 “Enquanto o homem pensar que Deus se encontra ‘alhures’, ele é ignorante. Porém, ele alcança Real Conhecimento quando sente que Deus está é ‘aqui’!”
Escute uma estória:
'Um homem desejava fumar. Dirigiu-se a casa vizinha para acender seu cigarro. Era tarde da noite e todos estavam dormindo. Depois de muito bater, alguém apareceu à porta. Ao ver o outro, perguntou: ‘Olá, o que está acontecendo?’ O outro lhe respondeu: ‘Não pode adivinhar? Você sabe quanto gosto de fumar. Vim aqui a fim de acender meu cigarro!’ Então, lhe respondeu o dono da casa: ‘Ah! ah! ah!... você é ótimo, vizinho. Deu-se ao trabalho de vir até aqui a estas horas, bater à porta, sem perceber que carrega uma vela acesa em sua mão!”
O que a pessoa tanto procura se acha muito próximo dela. Ainda assim, vagueia de um lugar a outro buscando!'
"A Verdade é uma, mas é designada por diversos nomes. Todos estão buscando a mesma Verdade, a diferença se deve ao clima, ao temperamento e às palavras. Em um lago há muitos atracadouros. Em um deles, os hindús pegam água em jarras e a chamam 'jal'. Em outro, os muçulmanos apanham água em bolsas de couro e a chamam 'pani'. Em um terceiro, os cristãos pegam a mesma coisa e a chamam 'água'. Suponha que alguém afirme que aquilo não se chama 'jal', mas 'pani', ou que não é 'pani' e sim 'água', ou que não é 'água' e sim 'jal'. Isso seria de fato ridículo! Porém, esta mesma questão se acha na raiz da divergência entre tantas seitas e alimenta seu desentendimento. Por isto, as pessoas se ferem e se matam umas às outras, derramando sangue em nome de religiões. Isso não faz sentido, todos se dirigem à mesma meta, e irão realizá-la se tiverem sinceridade e anelo em seu coração!"  

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O Néctar das Palavras de Sri Ramakrishna

Sri Ramakrishna estava explicando o significado do sagrado 'OM' e também o real sentido do Conhecimento de Brahman: "O som OMMMmmm... é o divino poder Brahman. Os sábios da antiguidade praticavam austeridade afim de realizar este OM eterno. Mas, o que se pode obter por meramente ouvir este som? Ouve-se o bramido do oceano desde certa distância. Seguindo este bramido, pode-se chegar ao oceano. Enquanto houver este 'bramido', é certo que há um oceano. Seguindo a trilha de OM se alcança Brahman, de quem a palavra é um símbolo.
Pense no sol e em dez jarras cheias d´água. O sol se reflete em cada jarra. A princípio se vê o sol real e dez reflexos dele. Se nove das jarras são quebradas, vai sobrar apenas o sol real e um sol refletido. Cada uma das jarras representa uma alma. Seguindo a imagem refletida pode-se encontrar a imagem verdadeira. Através da alma individual pode-se chegar à Alma Suprema. O que permanece depois que a última jarra for quebrada não se pode descrever.
A alma individual a princípio permanece em um estado de ignorância, não tem consciência de Deus, apenas da multiplicidade. Ela vê muitas coisas ao seu redor. Mas, ao alcançar Conhecimento, fica consciente de que Deus reside em todos os seres. Suponha que alguém está com um espinho na sola do pé. Ele consegue um outro espinho para poder retirar o primeiro. Em outra palavras, ele remove o espinho da ignorância por meio do espinho do conhecimento. Porém, alcançando a Suprema Sabedoria, discarta ambos os espinhos, do conhecimento e da ignorância. Aquele que apenas ouviu falar do leite é 'ignorante'. Aquele que chegou a ver o leite possui 'conhecimento'. Mas, aquele que bebeu leite e se fortaleceu com ele, este possui verdadeiro Conhecimento."
Texto retirado de "Sri Sri Ramakrishna Kathamrita", de Mahendranath Gupta. Querendo conhecer mais, procure em www.vedanta.org.br

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Cidade da Memória Perdida (final)

Com o passar do tempo, um dia chegou ali um santo homem. De imediato reconheceu o rei de Smritinagar, que era dado como perdido, e se apressou a lhe dizer: “Por onde tem andado, Sua Majestade? Todo seu reino está em confusão esperando seu regresso!”
“O que quer dizer?”, replicou o rei caçador um tanto atônito com aquela novidade. “Mas... pensando melhor, tenho tido um sonho estranho todas as noites”, confessou. Quando relatou seu sonho, o santo homem compreendeu o que lhe havia sucedido. Logo divisou um plano para que o rei retomasse seu trono. “Deixe-me dar-lhe um conselho, meu filho, vou contar-lhe o que fazer para tornar seu sonho em realidade. Primeiro trate de se convencer de que é, de fato, um rei. Procure lembrar-se de sua condição de nobreza, de soberania, de poder e bonomia. Sinta-se novamente como sendo soberano, pense como tal, aja como tal, seja de novo um rei. Afirme a si mesmo, tanto quanto possa: ‘eu sou aquele rei perdido’, ‘eu sou aquele soberano’. Quando conseguir mande chamar-me, e então lhe direi o que fazer.” E assim dizendo se foi.
O rei ficou sozinho a cismar: “Isto é muito ridículo. Meramente afirmar que sou o rei não fará de mim um soberano!”. Porém, não tendo outra escolha, resolveu começar.
O tempo passou. Aquele que um dia duvidara agora possuía certeza. “Estou convencido de que sou aquele monarca esquecido de sua própria condição. Vou mandar chamar o santo homem para que me diga o que fazer a seguir.”
Ao chegar o eremita, para demonstrar sua fé e gratidão, o rei se prosternou e recebeu a benção do santo.
Agora que o rei havia recuperado a memória, não duvidando mais de sua majestade, o eremita lhe deu a seguinte indicação: “Vá agora e alugue um cavalo branco, todo arreado, juntamente com alguns homens armados para acompanhá-lo. Cavalgue, então, em direção ao reino vizinho de Smritinagar, e proclame-se o rei perdido.”
No dia seguinte, indo ao vilarejo, o rei procedeu como lhe fora indicado, alugando um cavalo branco, arreios e um contingente de soldados. Logo dirigiu-se ao reino vizinho e, quando cruzava a fronteira, viu que uma patrulha de soldados montados se aproximava. Com grande alarde e numa voz que soava sem temor, declarou: “Eu sou o rei perdido de Smritinagar!” E, para sua surpresa, todos desmontaram-se, inclinando-se diante dele.
À medida que adentrava os limites da cidade, os camponeses se amontoavam para vê-lo passar. “Eu sou o rei perdido de Smritinagar!”, ele declarava em toda parte, vendo que todos lhe davam boas vindas com grande alegria. Sua autoconfiança crescia. Quanto mais afirmava sua real natureza, mais alegria ele sentia, e, enquanto cavalgava, o charme de suas palavras também trabalhava em seu favor. Era o delírio!
Agora, as ruas e palacetes, o próprio cenário lhe pareciam familiares. Teve um forte sentido de já haver estado ali antes, e, quando as enormes muralhas brancas do palácio surgiram diante de si, sua memória se clareou completamente, e ele cavalgou destemidamente através dos velhos portões.
(Velho conto hindú de autoria desconhecida.)

domingo, 20 de junho de 2010

"Esteja Desperto", um Upanishad moderno

“Não temos que despertar a consciência, nós já somos esta Consciência. E este contínuo despertar é amoroso. Quando é amplo, quando não está fixo em alguma identidade estreita e artificial, algum anseio mesquinho, argumentação, irritação ou medo, a natureza deste despertar é incondicionalmente afetiva, carinhosa, sensível e compassiva. Todas as formas verdadeiras de misticismo são apenas portas para esta descoberta.
Sua vida é a vida do Amor. Se você tentar retirá-lo da vida, se tentar limitá-lo numa tentativa de satisfazer alguma obsessão emocional ou mental com segurança ou prazer, encontrar-se-á, em pouco tempo, a vagar através dos muitos reinos infernais da inveja, do medo, dos ciúmes, da possessividade, da frustração, dos vícios, da solidão e tanta coisa mais.
Como dar um fim a este inferno? Pare de tomar a sério as imagens mentais e estórias sobre você mesmo e outras pessoas; pare de ser complacente com elas como se fossem importantes, como se fossem confiáveis e úteis, pois o pensamento ego-centrado, qualquer deles, é uma espécie de insanidade. E, ao renunciar completamente a isto, a paz e a segurança que buscou em tantas formas transientes e limitadas, estarão em toda parte.

A palavra “iluminado” simplesmente se refere à vida sem passado e nem futuro, vida sem aquela ego-centrada fantasia, cuja totalidade é feita apenas de memória. Fantasia romântica, fantasia de riqueza e poder, fantasia política, fantasia sexual, fantasias de prestígio e segurança, etc., onde não há realidade, não há amor nem liberdade. Pare de indulgir neste tipo escapista de sonhar. Você é tudo que há, cada lampejo, cada barulho, cada aroma, sabor, sentimento, pensamento, ocasião e experiência, tudo que nasce, vive e morre é você. A idéia de uma identidade separada, com todos seus desejos conflitantes e competitividade, julgando e culpando a si mesmo e aos demais, nada mais disso faz sentido. (...) O mundo é absolutamente completo e sereno, e você se encontra emudecido com infinito amor e admiração. Palavras como bom e mau, bonito e feio, certo e errado, solidão, divisão, meu, teu, nós, eles, não significando mais qualquer coisa para você."
Um discípulo de Sri Nisargadatta

OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente



Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.

O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.

Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.

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