quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Breves relatos da vida de um Avatar: Sri Ramakrishna

“Todos os problemas terminam quando o ego desaparece. Enquanto um traço da ego consciência permanecer, a pessoa estará vendo diferenças. Ninguém sabe o que restará após o desaparecimento do ego, pois não se pode expressar isso em palavras. Aquilo que é, apenas, permanece!
Satchidananda é o oceano. O pote do ‘eu’ está imerso nele. Enquanto o pote existir, a água parecerá dividida em duas partes: uma parte dentro do pote e a outra parte fora. Mas, quando o pote for quebrado restará apenas uma extensão de água. Nem mesmo isto pode ser dito, quem o diria?”

Alguns o chamavam Venerável Senhor, outros Sri Babaji, ou Paramahamsa Deva, que significa ‘grande cisne divino’; outros ainda de Sri Thakur, ou Kalpataru ou algum outro nome que indicasse proximidade e parentesco. Mas, ele não gostava de ser chamado nem de ‘guru’, nem de ‘santo’ e nem de ‘pai’ ou Baba. Na Índia, acredita-se que a Divindade, de tempos em tempos, assume um corpo físico para restabelecer a verdade e a retidão entre os homens. Muitas são, assim, as encarnações divinas reconhecidas. A estas ‘Encarnações’ dá-se o nome de Avatar. Sri Ramakrishna foi considerado o Avatar da era de Aquário, a era em que estamos vivendo. Mas, ele mesmo, não se impressionava muito com isso!
É claro que se nos perguntassem o que de melhor encontramos em alguém, pedindo que apontássemos suas qualidades, nossa reação seria a de – obviamente- indicar coisas reconhecidas por nossas mentes, talvez comportamentos padronizados. Há, porém, muitos destes ditos padrões, que se tornaram estereotipados, ou seja, o que hoje se chama de ‘figurinha carimbada’! Podemos ainda, admirar muitas qualidades que talvez sejam apenas temporárias, ou mesmo, fruto de nossa imaginação. Imaginamos que alguém seja, por exemplo, um modelo ideal, segundo conceitos modernos. Mas, trata-se somente de padrões de pensamento aceitos em certas épocas. Aprendemos que ser pacientes, esperançosos, respeitosos, bons filhos e bons esposos (as), são qualidades boas e necessárias, indicando que somos ‘confiáveis’! Tudo que presenciamos, conhecendo ou não, desejamos medir, ou aferir, com a régua de nossa mente. Alguém que seja um pouco fora de padrão, ou de natureza diferente, que manifeste gosto por coisas diversas das que gostamos, chamamos logo de ‘excêntrico’, de ‘fenômeno’, de ‘santo’ ou de ‘anti-social’!
Bem, quando surge uma figura extraordinária em campos convencionais de conhecimento, isto é aplicável. Mas, quando se trata de campo religioso ou místico, como Mahatma Gandhi, Madre Tereza de Calcutá ou Sai Baba, não esquecendo o nosso Chico Xavier, nosso vocabulário se torna insipiente, ínfimo, sem profundidade. Quando muito, podemos admitir: ‘Oh, fulano é uma pessoa fantástica!’, ou como se diz hoje – ‘Um figuraço!’, ou, ainda poderíamos arriscar - ‘é um santo!’ Porém, acho que não saberíamos bem do que estaríamos falando.
Aqui temos um personagem, por assim dizer, que os padrões ocidentais de objetividade, de competitividade, de imediatismos e de aparentar ser, não poder nem medir, nem aferir, nem associar.
Vamos, portanto, deixar de lado todas nossas boas intenções de classificar, e deixar nossos modelos, nossos conceitos e valores antigos, por melhores que tenham sido!
Pois, este homem vem, se é possível admitir, de algum Admirável Mundo Novo! Sim, ele não vem de nosso mundo com certeza; ele esteve aqui, mas não pertence a este mundo. Não sei se há nomes para isso, prefiro não utiliza-los. Prefiro referir-me a algumas passagens de sua vida, sobre as quais eu li, algumas fotografias por assim dizer, de momentos que me são ainda mui queridos.
Ele não gostava, como já disse, de ser chamado de ‘guru’; nem de estar com pessoas de mentalidade mundana e nem podia reter em sua mão qualquer objeto de metal, moedas, em particular! Mas, gostava de estar reunido com pessoas puras e com possibilidades de despertar espiritualmente. Gostava também de contar sobre a Sabedoria de Deus, a quem chamava “Mãe Divina”, de desvendar os mistérios do Espírito, para quem estivesse disposto a conhece-los, e era capaz de falar horas a fio, dependendo da qualidade da audiência. Gostava de comida simples, mas bem preparada; gostava de sorvetes, entrava em êxtase com facilidade quando se falava no Nome de Deus, ou, então, preferia cantar ou dançar, a dança dos místicos, aqueles que entram em êxtase bailando, muitas vezes, solitariamente, tarde da noite!
Ele era tão inadvertido de sua pessoa humana que, certa vez, estando nos jardins do templo coletando flores, alguém se aproximou e o tomou pelo jardineiro, perguntando-lhe: “Rapaz, poderia me dizer onde se encontra Sri Ramakrishna?”, ao que ele respondeu: “Olhe, senhor, parece que há alguém aqui com este nome, mas não foi visto hoje ainda!"   (a continuar)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Maravilha que é Deus!

Dos muitos caminhos que conduzem a Deus, o do maravilhoso deveria, certamente, vir em primeiro lugar. A cadeia altaneira de montanhas, o glorioso sol poente, o vasto oceano, as florestas e férteis planícies, tudo isso pode lançar a mente ao estado do maravilhoso. Ao observarmos a prodigiosa natureza, nos perguntamos:- Quem teria feito este mundo e dirigido todos os seus movimentos? A resposta interior nos diz que deve haver uma Inteligência Infinita por detrás deste mundo, pois compreendemos que tudo se comporta de acordo com certas leis, princípios e desígnios.

A emoção do maravilhoso pode estimular nossa busca por Deus. Um cientista que procura resolver os mistérios da natureza está em vantagem se tiver o coração humilde e receptivo ao maravilhoso de Deus, porque a natureza revela mais rapidamente seus segredos aqueles que, por amor a Deus, aplacaram seu ego humano. Pense na humildade de Einstein, quem, por meio da pesquisa científica, ficou convencido de uma divina Inteligência. Similarmente, Isaac Newton que traçou um paralelo entre o conhecimento intelectual e a vastidão do oceano, declarando que “havia tido o privilégio de juntar alguns seixinhos na praia”. Tais pensamentos nos deveriam convencer de que, quanto mais afetuosamente tratarmos com a natureza, a maravilhosa manufatura de Deus, mais nos aproximamos do Infinito. A pequenez do ego humano diminui em proporção direta. Este se encontra confinado aos limites deste universo, mas, a grande Inteligência que não é vista, por detrás das coisas visíveis e invisíveis, está criando formas magníficas continuamente.
As mais conhecidas escrituras enfatizam a importância espiritual da utilização, com propósitos meditativos, dos assombros de Deus. Sri Ramakrishna contava a anedota de um santo que vivia na Índia, em pequena cabana às margens de um rio. Depois de permanecer por todo o dia no interior da choça, fazia, diariamente ao anoitecer, o ritual de sair e, unindo as mãos, erguer os olhos com reverência para o esplendor do céu ao entardecer, repetindo: “Oh! Quão maravilhoso Tu és!” Em profunda meditação, costumava ficar imóvel, absorvendo aquela quietude e beleza por um longo período.
Procurando a Deus através do prodigioso, o buscador é dirigido ao aspecto impessoal de Deus, e, em meditação, tenta entrar em contato com a Inteligência divina, aquela pura mente impessoal, que governa o tempo e o espaço, e todos os fenômenos da natureza. Este tipo de contemplação é o que as escrituras devocionais da Índia denominam “shanta”, ou, uma pacífica relação com Deus.
Estudos biológicos e anatômicos comprovaram a maravilha que é o corpo humano. Podemos pensar em Deus como o supremo Artista que criou inumeráveis formas humanas, nenhuma das quais é uma duplicata. De forma presunçosa podemos ver nossas capacidades criativas, porém a habilidade humana jamais poderá produzir sequer um encantador colibri. E, tanto quanto se sabe, Deus criou 157 variedades desta espécie.
O inexaurível Infinito está, cem cessar, suscitando criação e dissolução. Ambos, vida e morte, representam um drama cósmico, pois “modificação” é uma lei da matéria. Somente nosso verdadeiro Ser, que é Deus, é imutável e eterno. E esta é a maior maravilha de Deus!
Deus criou com total desapego. Ao nos desenvolvermos espiritualmente, começamos a partilhar deste divino desapego, que se contrapõe ao apego humano. Deus projetou este universo, e pode, no espaço de um batimento cardíaco, fazer com que desapareça.
Maior evidência dos prodígios de Deus é a mente humana, que não passa de pálido reflexo da glória cósmica.
Toda mente humana pode ascender a alturas sublimes, desde que esteja bem orientada; é capaz de tocar as fronteiras de tempo, espaço e causalidade; pode imitar a paz majestática, o poder e a divina compaixão de Jesus Cristo, Buddha ou Sri Krishna.
Algo que também nos deve maravilhar é que, de toda criação, só os seres humanos são abençoados com o potencial sublime para, de modo pessoal, experimentar a realidade divina. Mesmo os deuses, declaram os Upanishads, não têm este potencial.
Sri Krishna relata que, de todas as maravilhas divinas, descritas no capítulo X da Bhagavad-Gitâ, a maior é Deus tornar-se um ser humano individual. Quando, finalmente, alcançarmos o auto-conhecimento, haveremos de compreender que tudo aquilo que se constituiu em fonte de beleza para nós, era, de fato, Deus em manifestação.
Quando pudermos levantar os véus obscurecedores de Maya e dizer: -“Eu sou Ele!”, só então teremos escapado de nosso casulo de ignorância. Para nós, a “Divina Comédia” terá terminado, por intermédio da contemplação do sublime esplendor que é Deus.
By Swami Shraddhananda no livro "Seeing God Everywhere", Vedanta Press

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Aprendendo a estar só...por Thomas Merton

Para quem não sabe, Thomas Merton foi monge trapista americano, falecido na Ásia em 1968. Embora sua tradição religiosa fosse inteiramente ocidental, estudou e se aprofundou em filosofias orientais (hinduísmo, zen e budismo), tornando assim mais universal ainda o seu ponto de vista. Segundo ele, a vida contemplativa não era uma vida isolada e solidão não era sair a viver nos ermos...

"Solidão física, silêncio exterior e verdadeiro recolhimento são necessários a todo aquele que deseja levar vida contemplativa; porém, como tudo mais, são apenas meios para se chegar a um fim, e, se não compreendermos o fim, teremos usado erradamente os meios.

Não vamos ao ‘deserto’ com o intuito de fugir dos demais, e sim, para aprender como encontra-los! Não nos separamos das pessoas com a finalidade de não nos interessarmos mais por elas, mas para encontrar o melhor modo de lhes fazer bem. Mas, esse é apenas um fim secundário. O fim primordial e que inclui aos demais, é amar a Deus! (...)
Só há uma fuga verdadeira do mundo e não se trata de fugir do conflito e do sofrimento, mas sim da desunião e da separatividade, para dentro da paz e da união pelo amor aos demais.
Qual é o ‘mundo’ pelo qual Jesus não quis orar e do qual disse que seus discípulos estavam nele, mas a ele não pertenciam? É a cidade irrequieta dos que vivem para si e estão, por isso mesmo, divididos uns contra os outros numa luta sem fim... É a cidade dos que lutam para possuir coisas limitadas e pelo monopólio de bens e prazeres que não podem ser compartilhados.
Mas, se tentamos sair deste mundo, abandonando apenas fisicamente a cidade para nos escondermos em algum lugar, levamos conosco a ‘cidade’; no entanto, podemos estar inteiramente alheios ao mundo mesmo ‘estando nele’, se consentimos que Deus nos liberte de nosso egoísmo e se vivemos unicamente para o amor. (...) Contudo, a solidão mais autêntica não é algo externo a nós, não é a ausência de pessoas ou ruídos: é como um abismo que se abre no centro de nossa própria alma! E esse abismo da quietude interior é uma necessidade que jamais será satisfeita por alguma coisa criada. O único meio de encontrar esta solitude é pela fome e sede, pela dor e pela pobreza, e pelo desejo! E quem achou a solitude está vazio, como se tivesse sido esvaziado pela morte!
Quem a encontrou, adiantou-se para além de todos horizontes. Não há mais nenhuma direção em que possa viajar. Acha-se num país cujo centro está em toda parte e cuja circunferência não está em nenhum lugar. Não pode ser este país encontrado por meio de viagens e sim pelo fato de nos mantermos quietos e sossegados!"

Extratos do livro "Novas Sementes de Contemplação", Edt. Fisus, 1999.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Realidade por trás de todas as facticidades...

Tenho hoje para comigo uma certeza: é preciso cultivar uma boa reserva de bom humor para se viver. Muitas situações contrárias são resolvidas apenas com ‘bom humor’. Não com calculismos, não com velhos conceitos, menos ainda com ‘mau humor’! Sem uma boa dose de ‘bom humor’ é como se os acontecimentos ficassem maiores do que são e nossa própria perspectiva fosse diminuindo... diminuindo...!

Não se trata, porém, de cultivar o gosto por anedotas, que têm seu valor, nem de ficar deixando correr o riso fácil. Não, nada disso! Temos de aprender a encontrar e compreender o natural lado humorístico da vida, retirando daí a munição necessária para o dia a dia. A Realidade por trás de todas as facticidades, sendo plena e perfeita, está sempre cheia de quadros cômicos, que asseguram ao bom observador, a reserva humorística necessária. Se não, vejamos - a vida em si mesma é muito engraçada: pessoas que se querem bem, vivendo separadas, enquanto inimigos e adversários vivem enlaçados! Quando muito desejamos que algo aconteça, acontece exatamente ao contrário. Você tem algo superior a oferecer, parece que lhe voltam as costas, mas se tem algo apenas banal... sua porta fica congestionada! Ah, que magníficas coisas desproporcionais! Sim, a vida é realmente muito cômica!
Por meu lado, havendo levado certo tempo para entender, tenho visto que não adianta adotar uma postura muito rígida com nada, tudo é passageiro e tão fugaz... A graça natural das coisas, o lado cômico, ocasional e fresco, está embutido em qualquer situação, esperando que você o surpreenda. Os homens realmente sábios, não nos esqueçamos, são cheios deste ‘bom humor’; de onde o retiraram?
Há em uma vila litorânea, em sua única rua comercial, um rosto enorme de um sábio, um boddhisattva, à entrada de uma loja de presentes. É uma face esculpida em pedra e que mantém um sorriso afável e impessoal, parecendo confirmar ou concordar com tudo que se passa a sua volta. Noutro dia sentei-me diante desse rosto ‘que não vê você’ e procurei captar seu ensinamento: ao lado, em um bistrô, pessoas se divertiam ouvindo música; na loja, outras entravam e saiam, crianças choravam já cansadas de tanto passear, e por trás, em uma pequena igreja, devotos cantavam acompanhando a missa vespertina. Olhei aquele rosto e seu sorriso permanecia o mesmo; fiz uma observação a respeito da confusão ao seu redor, e o sorriso continuou igual. Indaguei-lhe, então, sobre a impermanência das coisas da vida e o sorriso se tornou mais sereno ainda. Senti que minha idéia básica estava confirmada: o bom humor se acha entrelaçado à divina sabedoria!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A "Cosmoterapia" de Huberto Rohden

"A alopatia reprime os sintomas mórbidos do corpo material. A homeopatia elimina as desarmonias do corpo astral. A cosmoterapia cura o homem de modo integral. Doença não faz parte do macrocosmo sideral, nem do microcosmo hominal. A Alma do Universo é perfeita saúde e sanidade. Amigo, mantém harmonia com o Universo da tua alma, da tua mente e corpo. Mantém harmonia com o sistema planetário da tua natureza humana. Põe no centro o sol do Espírito e faz gravitar em torno dele os planetas dos teus sentimentos, pensamentos e emoções. E teu universo hominal cantará a sinfonia do Universo sideral!
Realiza a tua Cosmoterapia!, e todo o caos de tuas angústias e moléstias será substituido pelo cosmos da saúde e da felicidade. Todas as tuas desarmonias têm início em teus pensamentos: o homem é aquilo que ele pensa em seu coração! Quem pensa errado, vive errado - quem pensa certo, vive certo! Teu pensamento é certo quando harmoniza com teu Ser. Teu Ser é o Espírito de Deus. Tua consciência é a vóz de Deus em ti. Sintoniza teu agir com teu Ser, e estarás em sintonia com Deus. Esta Cosmoterapia te garantirá santidade, sapiência e sanidade. Santidade da alma, sanidade da mente e saúde ao corpo.
Para gozar desta gloriosa cosmoterapia, dessa cura pelo espírito, deve o homem diariamente contatar o centro cósmico em si mesmo, que os hindus chamam  Atman, que Jesus chama Alma e que os filósofos chamam Eu verdadeiro. Pela cosmo-meditação alcança o homem a cosmoterapia, e a saúde da alma dará saúde ao corpo. A plenitude espiritual transbordará em abundância material, realizando o homem integral, o homem cósmico, o homem crístico!"
By Huberto Rohden, do livro "De Alma para Alma", edt. Martin-Claret, S.P.

sábado, 16 de outubro de 2010

A Observação Consciente é a Chave Áurea para a Espiritualidade, diz Osho

Osho afirma que a arte de 'testemunhar' (as próprias disposições) é a chave para a vida espiritual! Ele enfatiza para que observemos todos nossos momentos, mas com isenção. Osho diz que a arte de observar faz com que aquilo que é inútil, desapareça. Este 'conto' ilustra bem seu pensamento:
"Era uma prática regular de um místico chamado Baal Shem, quando desse meia-noite retirava-se para a beira do rio, e sentando-se, entrava em absoluto silêncio! O vigia de uma vizinha mansão, todavia, ficou intrigado com  o comportamento do místico. Certa noite, ao soar 12 horas, quando Baal Shem apareceu, o guardião correu até ele e lhe perguntou: 
'Senhor, o que vem fazer aqui todas as noites, sentando-se em silêncio no escuro?'
Baal Shem ao invéz de responder, contrapôs: 'Qual é seu trabalho?', ao que o guarda respondeu: 'Sou vigia, senhor.' Baal Shem, então lhe diz: 'Bem, eu também sou um vigia!' O outro, muito surpreso, insistiu: 'Mas, sendo um vigia, que vem fazer aqui todas as noites?' Baal Shem sentenciou: 'Você vigia a casa de alguém, porém, eu vigio minha própria casa! Onde quer que eu vá, estou vigilante, pois trago comigo minha casa! Sou continuamente seu vigia!"

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A Verdade sobre o Atman, segundo a Bhagavad-Gitâ


"Assim falou o abençoado Senhor Krishna" (cap.II)
Tradução do Swami Vijoyananda, edt. Kier-Bs.As.

11. Tens estado a lamentar-te por aqueles que não merecem, e sem dúvida, falas como um sábio. Porém, os verdadeiros sábios não se lamentam, nem pelos vivos, nem pelos mortos.
12. Nunca houve um tempo em que Eu não existisse, nem tu ou estes reis e nem deixaremos de existir no futuro.
13. Assim como o Ser encarnado tem sua infância, juventude e velhice, na seqüência ele toma outro corpo. Os sábios não se confundem sobre este ponto.
14. Oh Arjuna, as noções de calor e frio, prazer e dor, nascem do contato dos sentidos com os objetos, têm portanto princípio e fim, são transitórios.
15. Aceita-os! Somente aquele que não se aflige com estas modificações, sendo equânime no prazer e na dor, alcança imortalidade.
16. O irreal jamais existiu e o real sempre existirá. Os sábios conhecem esta verdade.
17. Sabe que é imperecível Aquilo que permeia todo o Universo. Nada pode destruir este Princípio imutável.
18. Estes corpos em que habita o Eterno, o imperecível Ser, porém, têm fim.
19. Quem pensa que este Ser mata ou que é morto, é ignorante. O Ser não mata nem morre.
20. O Ser não nasce nem morre, nem se reencarna; não tem origem, é eterno, imutável e o primeiro de todos.
21. Aquele que sabe que o Ser é imperecível, eterno e sem nascimento, como pode matar ou morrer?
22. Como alguém que abandona suas vestes gastas e coloca outras novas, assim o Ser corpóreo deixa seu corpo desgastado e entra em um outro novo.
23. Armas não o destroem, o fogo não o queima, a água não o molha e o vento não o seca.
24. A este Ser não se pode dividir, nem queimar, nem molhar, nem secar; é eterno, onipresente, estável, imóvel e primordial.
25. Se diz que este Ser é imanifestável aos sentidos, impensável pela mente, e não se modifica; sabendo que é assim, não te podes afligir!

OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente



Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.

O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.

Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.

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