Enquanto o entardecer se aproximava, algumas lamparinas foram acesas na sala e na varanda. Sri Ramakrishna se inclinou diante da Mãe Divina e iniciou o cântico do nome de Deus. Os devotos sentaram-se ao redor, escutando seu doce murmurar. Depois de algum tempo, Sri Ramakrishna falou:
“Se um homem desfruta da alegria de Deus, não consegue desfrutar do mundo. Havendo experimentado a felicidade divina, o mundo lhe parece insípido. As pessoas falam sobre levar uma vida religiosa estando no mundo. Porém, se apenas uma vez experimentassem a alegria divina, não poderiam desfrutar de nada mais. Seu apego aos deveres mundanos iria declinar. Seu deleite espiritual se aprofundando, não poderiam mais levar a cabo seus deveres com o mundo. Pois, mais e mais, haveriam de procurar somente esta alegria. Podem os prazeres sensuais ser comparados ao prazer com Deus? Se ele experimentar deste prazer, importa muito pouco a ele se o mundo continua ou desapareceu.
Estas pessoas dizem que estarão atentas tanto a Deus quanto ao mundo. Após beber um pouco de vinho, alguém pode ficar agradavelmente embriagado e também consciente do mundo; porém, poderá continuar assim quando houver bebido um tanto mais?
Depois da divina embriaguez nada mais tem bom sabor. Então, falar de ‘luxo e luxúria’ é como apunhalar o coração. (Em voz alta): ‘Eu não posso gostar da conversa das pessoas mundanas’.
Quando alguém se torna louco por Deus, não pode gostar mais de dinheiro e coisas assim.”
Devoto: Então, o senhor admite que um homem possa levar vida espiritual estando no mundo?
Mestre: Sim, mas primeiro tem que alcançar Conhecimento e só então viver no mundo. Primeiro tem de realizar a Deus, depois poderá ‘nadar em um mar de calúnia sem se manchar’. Após a realização de Deus, ele pode viver no mundo como o peixe cascudo. Este mundo em que está, após a realização espiritual - é o mundo de vidya, onde não se percebe nem luxo nem luxúria. Ele aí encontra apenas devoção, o devoto e Deus. (...) Por que se preocupar tanto com o aspecto infinito de Deus? Se quero tocar você, preciso tocar todo seu corpo? Se você deseja banhar-se no Ganges, tem que nadar desde Hardwar até o oceano?
Todos os problemas terminam quando o ego desaparece. Enquanto um traço da ego consciência permanecer, a pessoa estará vendo diferenças. Ninguém sabe o que restará após o desaparecimento do ego, pois não se pode expressar isso em palavras. Aquilo que é, apenas, permanece!
Satchidananda é o oceano. O pote do ‘eu’ está imerso nele. Enquanto o pote existir, a água parecerá dividida em duas partes: uma parte dentro do pote e a outra parte fora. Mas, quando o pote for quebrado restará apenas uma extensão de água. Nem mesmo isto pode ser dito, quem o diria? Excertos de "Sri Sri Ramakrishna Kathamrita", de Mahendranath Gupta (M.)
Mais sobre Sri Ramakrishna em http://www.vedanta.org.br/
Palavras de Sri Ramana Maharshi: "A verdade permanente é tão simples. Não é nada mais que estar em seu próprio estado original. Todavia, é de admirar que para ensinar algo tão simples, inúmeras tradições foram criadas, iniciando disputas entre si sobre quem recebera autoridade divina para ensinar. Que lástima! Seja você mesmo, isso é tudo!"
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Existindo como Consciência... (parte II)
A mente, neste estado de clara percepção, é a mente 'em meditação'. Neste estado, não é mais a mente pensante, ou projetiva ou condicionada. Ao ser extinta a mente, o que resta é bhava ou pura existência. Esta experiência é denominada amani-bhava, o estado sem a mente ou Nirvana. O estado contrário é mani-bhava, é sânsara (preenchido pela mente). Você e eu (como dualidade) somos apenas a mente. Enquanto estivermos identificados com ela, estaremos bem distantes da Realidade, que é Uma sem segundo. Mas, no momento em que você se esquece da mente, torna-se Aquilo (Tat Tvam Asi).
Você não tem que solicitar a permissão de alguém para se esquecer da mente e se identificar com a Verdade de seu próprio Ser. É sua prerrogativa. Porém, se não estiver pronto para transcender a mente, nenhuma quantidade de estudo das escrituras, de sermões e exercícios espirituais póderá ajudar, porque você estará apenas seguindo sua própria mente. Temos de experienciar diretamente a Verdade, que transcende o fenomenal e supera tanto o conhecido, quanto o desconhecido. Mas, enquanto a mente estiver funcionando, a Verdade não poderá ser realizada diretamente. Pare de funcionar através da mente e se tornará consciente da Realidade. Este estado de transcender a mente é a mais elevada forma de evolução.
Para aquele que está amadurecido, o desafio agora é tornar-se um homem-deus, e para isso devemos trabalhar. Temos que suspender o jogo da mente - o jogo das 4 interpretações: de qualidade, de atividade, de adjetivos e de relacionamentos. Toma apenas uma fração de segundo para entender que é possível suspender o jogo da mente e realizar que não somos a mente! Este entendimento é suficiente!
Após havermos, desse modo, conhecido o real potencial de nossa natureza e personalidade, então podemos começar a brincar com a mente. Daí em frente, em toda atividade, haverá um novo sentido de liberdade, pois já teremos entendido que não somos aquelas limitações. Aquelas limitações e interpretações são apenas da mente, não são nossas! Qualquer experiência passa a ser, assim, como um 'trampolim' para que você se projete rumo aquela existência mais Elevada.
By Swami Chinmayananda no livro "The Highest Truth".
Você não tem que solicitar a permissão de alguém para se esquecer da mente e se identificar com a Verdade de seu próprio Ser. É sua prerrogativa. Porém, se não estiver pronto para transcender a mente, nenhuma quantidade de estudo das escrituras, de sermões e exercícios espirituais póderá ajudar, porque você estará apenas seguindo sua própria mente. Temos de experienciar diretamente a Verdade, que transcende o fenomenal e supera tanto o conhecido, quanto o desconhecido. Mas, enquanto a mente estiver funcionando, a Verdade não poderá ser realizada diretamente. Pare de funcionar através da mente e se tornará consciente da Realidade. Este estado de transcender a mente é a mais elevada forma de evolução.
Para aquele que está amadurecido, o desafio agora é tornar-se um homem-deus, e para isso devemos trabalhar. Temos que suspender o jogo da mente - o jogo das 4 interpretações: de qualidade, de atividade, de adjetivos e de relacionamentos. Toma apenas uma fração de segundo para entender que é possível suspender o jogo da mente e realizar que não somos a mente! Este entendimento é suficiente!
Após havermos, desse modo, conhecido o real potencial de nossa natureza e personalidade, então podemos começar a brincar com a mente. Daí em frente, em toda atividade, haverá um novo sentido de liberdade, pois já teremos entendido que não somos aquelas limitações. Aquelas limitações e interpretações são apenas da mente, não são nossas! Qualquer experiência passa a ser, assim, como um 'trampolim' para que você se projete rumo aquela existência mais Elevada.
By Swami Chinmayananda no livro "The Highest Truth".
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Os quatro véus que encobrem a Realidade
Este é um texto bastante sintético, em que o autor, Swami Chinmayananda, resumidamente expõe as condições causadoras de nossos condicionamentos e porque nos identificamos tanto com as coisas e as situações, e nos tornamos dependentes de nossas próprias observações.
Como dissolver a mente e existir como Consciência
Vejamos agora como é possível anular ou dissolver a mente. A mente, com seus pensamentos, percepções e projeções, existe somente devido a 4 interpretações: de qualidade (gunas), de atividade (kriya), de adjetivos (visesa) e de relacionamento ou familiaridade (sambhanda). Por causa destas interpretações da mente, sempre que ela entra em funcionamento, o faz apenas através delas. De outro modo: a mente vê uma qualidade em algum objeto e diz - 'Como é belo!' Ou fica pensando em termos de atividade, e afirma - 'Como se movimenta!', ou em termos de adjetivos - 'Oh, que lindo azul!', ou ainda , em termos de relacionamento - 'Esta pessoa se parece comigo!'
Sendo assim, quando vemos um objeto através de nossa mente condicionada e projetiva, nunca vemos o objeto tal como é. Seguimos vendo-o 'colorido' pela interpretação de nossa mente. Diz um ditado que "aquele que não possui reto-conhecimento (da Verdade), não vê, embora esteja olhando." Ele vê somente suas projeções, seus próprios pensamentos.
Olhe para uma flor, por exemplo, e perceba os pensamentos que surgem à mente: 'Mas, que linda flor. E de cor amarela! É um narciso. Minha amiga também plantou narcisos em seu jardim. Talvez eu também devesse plantá-los!' Ou seja, enquanto você observa a flor, não a está vendo, é como se ela fosse apenas um 'trampolin' para sua mente se projetar. Esta mente pensante é, por associação, como um fluído-mental.
Assim, quando se olha para algo, não se vê a coisa em si, mas se pudermos ver a flor como flor, como ela é, veremos a Brahman tão somente. Remova qualidade, movimento, adjetivos e relacionamentos e veja somente a flor! Aquilo que você vê, dessa forma, é a Consciência. Portanto, tome qualquer coisa, uma folha de relva, sem chamá-la por nenhum nome, remova os quatro julgamentos ou inferências, e veja-a. Ou, então, a um amigo: esqueça seu nome, sexo, idade, qualidades e suas ações. Olhe para qualquer coisa, seja um átomo, seja o universo. Se estas 4 interpretações forem removidas, a mente pensante terá sido aniquilada. Então, neste momento lúcido e calmo de não objetividade, você é você mesmo, o puro ser. Lembre-se de que estas 4 inferências não passam de tagarelice da mente. Remova-as, e então, veja! O que restar é o 'estado de Consciência Pura'.
Estrato do livro "The Highest Truth", do rev. Swami Chinmayananda, publicado pela Chinmaya Mission, Índia.
Como dissolver a mente e existir como Consciência
Vejamos agora como é possível anular ou dissolver a mente. A mente, com seus pensamentos, percepções e projeções, existe somente devido a 4 interpretações: de qualidade (gunas), de atividade (kriya), de adjetivos (visesa) e de relacionamento ou familiaridade (sambhanda). Por causa destas interpretações da mente, sempre que ela entra em funcionamento, o faz apenas através delas. De outro modo: a mente vê uma qualidade em algum objeto e diz - 'Como é belo!' Ou fica pensando em termos de atividade, e afirma - 'Como se movimenta!', ou em termos de adjetivos - 'Oh, que lindo azul!', ou ainda , em termos de relacionamento - 'Esta pessoa se parece comigo!' Sendo assim, quando vemos um objeto através de nossa mente condicionada e projetiva, nunca vemos o objeto tal como é. Seguimos vendo-o 'colorido' pela interpretação de nossa mente. Diz um ditado que "aquele que não possui reto-conhecimento (da Verdade), não vê, embora esteja olhando." Ele vê somente suas projeções, seus próprios pensamentos.
Olhe para uma flor, por exemplo, e perceba os pensamentos que surgem à mente: 'Mas, que linda flor. E de cor amarela! É um narciso. Minha amiga também plantou narcisos em seu jardim. Talvez eu também devesse plantá-los!' Ou seja, enquanto você observa a flor, não a está vendo, é como se ela fosse apenas um 'trampolin' para sua mente se projetar. Esta mente pensante é, por associação, como um fluído-mental.
Assim, quando se olha para algo, não se vê a coisa em si, mas se pudermos ver a flor como flor, como ela é, veremos a Brahman tão somente. Remova qualidade, movimento, adjetivos e relacionamentos e veja somente a flor! Aquilo que você vê, dessa forma, é a Consciência. Portanto, tome qualquer coisa, uma folha de relva, sem chamá-la por nenhum nome, remova os quatro julgamentos ou inferências, e veja-a. Ou, então, a um amigo: esqueça seu nome, sexo, idade, qualidades e suas ações. Olhe para qualquer coisa, seja um átomo, seja o universo. Se estas 4 interpretações forem removidas, a mente pensante terá sido aniquilada. Então, neste momento lúcido e calmo de não objetividade, você é você mesmo, o puro ser. Lembre-se de que estas 4 inferências não passam de tagarelice da mente. Remova-as, e então, veja! O que restar é o 'estado de Consciência Pura'.
Estrato do livro "The Highest Truth", do rev. Swami Chinmayananda, publicado pela Chinmaya Mission, Índia.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O Poder da Presença, passagens na vida de Sri Ramana (II)
(em continuação)
Aquelas pessoas sentiam haver encontrado um verdadeiro Guru, reverenciando-o como manifestação divina, porém eram incapazes de aceitar seus conselhos quando se tratasse de renunciar aos costumes tradicionais. Continuavam com suas práticas devocionais diárias, fazendo 'pujas' em ocasiões especiais e destinando oferendas aos deuses quando se tratava de satisfazer seus desejos. Também saiam em peregrinações a fim de ganhar mérito espiritual e livrar-se de seus pecados. Sri Maharshi, porém, lhes dizia: 'Não há necessidade destas coisas, apenas se aquiete! Permanecer em silêncio é a maior peregrinação que alguém pode empreender. Querem ir até Benares? Onde está um centro tão importante quanto Arunachala (onde se achavam) para se visitar? Aqui é o próprio Himalaya, aqui é o monte Kailash!'
Mesmo assim, a despeito de todas estas assertivas da parte de Sri Ramana, os devotos continuavam com suas peregrinações.
Às vezes, Sri Ramana se tornava indiferente a todos acontecimentos à volta, mas, outra vezes, demonstrava apurado interesse em trivialidades. Certa vez, tomou grande cuidado com um pequeno esquilo que havia se perdido de sua mãe, e quando o ovo de um pardal caiu do ninho, ele o apanhou e ficou cuidando até que o pequeno saiu. Depois, alegremente, ficou mostrando a todos o bebê pardal! Logo, depois de estar interessado em coisas tão triviais, ele poderia responder muito sem se afetar: 'Oh, foi mesmo?', se alguém lhe viesse informar que um devoto próximo tinha falecido. Quando livros estavam sendo encadernados ou um guarda comida era montado, ele costumava supervisionar tudo com muita atenção. Ficava insistindo com as pessoas envolvidas para que todas as medidas fossem obedecidas à risca. Mantinha a mesma atitude com relação à cozinha do ashram, dando instruções detalhadas aos cozinheiros, recomendando que fossem seguidas inteiramente. Em contraste com esta atitude, se alguns dos itens solicitados se perdesse ou se estragasse, ele não demonstrava qualquer reação quando os detalhes das perdas lhe fossem relatados.'
(a continuar)
Aquelas pessoas sentiam haver encontrado um verdadeiro Guru, reverenciando-o como manifestação divina, porém eram incapazes de aceitar seus conselhos quando se tratasse de renunciar aos costumes tradicionais. Continuavam com suas práticas devocionais diárias, fazendo 'pujas' em ocasiões especiais e destinando oferendas aos deuses quando se tratava de satisfazer seus desejos. Também saiam em peregrinações a fim de ganhar mérito espiritual e livrar-se de seus pecados. Sri Maharshi, porém, lhes dizia: 'Não há necessidade destas coisas, apenas se aquiete! Permanecer em silêncio é a maior peregrinação que alguém pode empreender. Querem ir até Benares? Onde está um centro tão importante quanto Arunachala (onde se achavam) para se visitar? Aqui é o próprio Himalaya, aqui é o monte Kailash!'Mesmo assim, a despeito de todas estas assertivas da parte de Sri Ramana, os devotos continuavam com suas peregrinações.
Às vezes, Sri Ramana se tornava indiferente a todos acontecimentos à volta, mas, outra vezes, demonstrava apurado interesse em trivialidades. Certa vez, tomou grande cuidado com um pequeno esquilo que havia se perdido de sua mãe, e quando o ovo de um pardal caiu do ninho, ele o apanhou e ficou cuidando até que o pequeno saiu. Depois, alegremente, ficou mostrando a todos o bebê pardal! Logo, depois de estar interessado em coisas tão triviais, ele poderia responder muito sem se afetar: 'Oh, foi mesmo?', se alguém lhe viesse informar que um devoto próximo tinha falecido. Quando livros estavam sendo encadernados ou um guarda comida era montado, ele costumava supervisionar tudo com muita atenção. Ficava insistindo com as pessoas envolvidas para que todas as medidas fossem obedecidas à risca. Mantinha a mesma atitude com relação à cozinha do ashram, dando instruções detalhadas aos cozinheiros, recomendando que fossem seguidas inteiramente. Em contraste com esta atitude, se alguns dos itens solicitados se perdesse ou se estragasse, ele não demonstrava qualquer reação quando os detalhes das perdas lhe fossem relatados.'
(a continuar)
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Retratos cotidianos da Divina Presença (I)
O que, de fato significa, crescimento espiritual? Sim, pois de algum modo, todos estamos buscando nos aperfeiçoar mentalmente, ou moralmente, ou eticamente ou, ao menos, culturalmente. Alguns gostam de ser chamados 'devotos', outros preferem ser 'estudantes' e outros ainda 'aspirantes'. Quem puder transformar os ensinamentos disponíveis em sua própria experiência, tirou deles o melhor proveito e se tornou um 'portador-de-luz'! Além do ensinamento explícito recolhido dos própios lábios do Guru, sua vida cotidiana, seus hábitos, seus inesperados ânimos, seus silêncios, suas caminhadas solitárias ou em companhia de alguns poucos, seu comportamento durante alguma homenagem, etc, são como vivas parábolas, coisas bem prosaicas, mas que protagonizam os mais simples ensinamentos. Foi um veterano amigo nosso quem, de certa forma, sugeriu a divulgação do pensamento de Sri Ramana Maharshi. Estranhei o pedido pois se tratava de um dos mais antigos devotos de Sri Ramakrishna, aqui no Brasil. Mas ele foi logo explicando: "Em minha lua de mel, estava lendo 'A Índia Secreta', daquele inglês Paul Brunton, relatando passagens da vida de Maharshi. Senti brotar em mim imensa vontade de pedir ao Maharshi que me colocasse diante de um verdadeiro guru; e foi assim que, algum tempo depois conheci Swami V., em São Paulo a quem devo tudo que alcancei em minha vida!" Foi o que este amigo me contou.Tendo isso em perspectiva, começamos hoje a enfocar algumas das passagens nas vidas dos grandes Instrutores da humanidade, que podem também servir de aula implícita para aqueles que se rejubilam com estes tipos de relato, bem simples. Não possuindo câmara fotográfica nem gravador, ainda assim 'pintaram' expressivos retratos daqueles reverenciados gurus.
Relato extraido do livro "The Power of the Presence", do escritor David Godman:
"Gurus como Sri Maharshi são manifestação de Deus em forma humana. Para aliviar e redimir o sofrimento da humanidade, o Senhor ocasionalmente desce à terra e se manifesta em corpo humano. Ele aceita muitos como discípulos e os torna puros com Sua graça. Mesmo sendo divino, cada qual vai lidar com os devotos de modo diferente. O ensinamento destes Gurus com frequência diferem, ou contradizem, as doutrinas, os costumes, tradições e éticas das pessoas entre as quais tomaram um corpo. Todavia, por mais que o Guru se desvie do tradicional, é trabalho do devoto confiar implicitamente nele e desenvolver obediência inequívoca aos seus ensinamentos. (...) Sri Bhagavan contrariava a crença tradicional de muitos dos devotos, por raramente seguir o costume ortodoxo. Ele se esforçou bastante para fazer com que alguns de seus devotos desistissem de suas práticas tradicionais, mas nem sempre tinha sucesso. Muitos deles se sentiam orgulhosos de ser seus seguidores. Sentiam haver encontrado um grande Guru....
(a continuar)
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Editorial: "Aquilo que está escrito em toda parte"!
Coloque o signo da não-dualidade em sua mente, e então faça como desejar.
Podemos fazer seja o que for: comércio, caridade, cultura, etc, desde que compreendamos o que está acontecendo, quem está envolvido naquela atividade. É a pessoa? É apenas a mente? É a Individualidade? Quem está de fato dirigindo toda ação? Quando ingressamos na não-dualidade, sabemos que tudo é ‘Eu Sou’, o princípio divino em toda parte. É apenas ‘Eu Sou’ que, desde o centro anímico, como Fonte, inspira e mantém tudo. A ânsia por fazer, realizar e cumprir metas, não passa de nossa visão distorcida e aderida ao externo, ao aparente. Porém, é somente o ‘Eu Sou’ o promotor, o motivador e o Instrutor. Nós somos as ‘máquinas’ e Ele o maquinista, somos as ‘varinhas’ com que o Mago dispõe sua magia. Para a consciência pura, não-dual, que observa somente a Unidade, fazer ou não fazer é indiferente, como atributos da diversidade. Nós, sendo esta Consciência, temos que tomar consciência de que somos Eu Sou, o ser vivente. É a ele que chamamos Ser, ou Deus, o Eterno Presente, a Consciência pura em toda parte existente.
Portanto, aquilo que fizermos será também perfeito, se for mantido o reto conhecimento de que o ‘fazedor’ é este ‘Eu Sou’! Há muito pouca coisa no mundo feita com esta perspectiva. Portanto, que mundo é este? Toda perspectiva está equivocada, todos pensam que são o “autor” de seus feitos. Mas, é somente este Princípio Divino a que chamamos ‘Deus’, ou simplesmente ‘Aquilo’, o verdadeiro moto-contínuo em tudo que há!
Aqui fica um koan ZEN para você: "encontre sem procurar, atire a flecha sem mirar, exista sem pensar, caminhe sem temer e alcance sem desejar!"
By Jay Govinda
Podemos fazer seja o que for: comércio, caridade, cultura, etc, desde que compreendamos o que está acontecendo, quem está envolvido naquela atividade. É a pessoa? É apenas a mente? É a Individualidade? Quem está de fato dirigindo toda ação? Quando ingressamos na não-dualidade, sabemos que tudo é ‘Eu Sou’, o princípio divino em toda parte. É apenas ‘Eu Sou’ que, desde o centro anímico, como Fonte, inspira e mantém tudo. A ânsia por fazer, realizar e cumprir metas, não passa de nossa visão distorcida e aderida ao externo, ao aparente. Porém, é somente o ‘Eu Sou’ o promotor, o motivador e o Instrutor. Nós somos as ‘máquinas’ e Ele o maquinista, somos as ‘varinhas’ com que o Mago dispõe sua magia. Para a consciência pura, não-dual, que observa somente a Unidade, fazer ou não fazer é indiferente, como atributos da diversidade. Nós, sendo esta Consciência, temos que tomar consciência de que somos Eu Sou, o ser vivente. É a ele que chamamos Ser, ou Deus, o Eterno Presente, a Consciência pura em toda parte existente.
Portanto, aquilo que fizermos será também perfeito, se for mantido o reto conhecimento de que o ‘fazedor’ é este ‘Eu Sou’! Há muito pouca coisa no mundo feita com esta perspectiva. Portanto, que mundo é este? Toda perspectiva está equivocada, todos pensam que são o “autor” de seus feitos. Mas, é somente este Princípio Divino a que chamamos ‘Deus’, ou simplesmente ‘Aquilo’, o verdadeiro moto-contínuo em tudo que há!
Aqui fica um koan ZEN para você: "encontre sem procurar, atire a flecha sem mirar, exista sem pensar, caminhe sem temer e alcance sem desejar!"
By Jay Govinda
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
"Meditações Metafísicas", de Paramahansa Yogananda
1. Em minha alma está a alegria que meu ego procura. Súbito, fico consciente desta alegria feita com o mel da colméia do silêncio. Vou romper os favos deste silêncio secreto e tomar este mel da infinita dádiva!
Não importa a causa, sempre que uma pequena borbulha de prazer surge à superfície do oceano invisível da Consciência, cuide dela e faça com que se expanda. Medite nela e isto fará com que cresça ainda mais. Não veja as limitações de sua pequenina bolha de prazer, mas mantenha sua atitude de fazê-la se expandir cada vez mais. Assopre e assopre com a força de sua concentração interior, até que ela se torne seu próprio oceano de Consciência, o oceano de alegria infinita.
2. Meu silêncio, como uma esfera crescente, se expande em toda parte.
Meu silêncio se expande como a música de um rádio, acima e abaixo, à direita e à esquerda, dentro e fora. Meu silêncio prossegue como uma chama de felicidade; as escuras moitas da tristeza, bem como os troncos fortes do orgulho, estão todos ardendo. Meu silêncio, como o éter, passa através de tudo, carregando as canções da terra, dos átomos e das estrelas para o centro de Minha mansão infinita.
3. Oh, Senhor, com o suave toque da intuição sintonizarei a estação da minha alma, livrando-me da inquietude crônica de minha mente, a fim de poder ouvir Tua voz de cósmica vibração, a música dos átomos, e a melodia do amor vibrando em minha supra consciência. Abençoa-me para que possa Te encontrar no templo de cada ação e pensamento.
Do livro "Meditações Metafísicas", de Paramahansa Yogananda
Não importa a causa, sempre que uma pequena borbulha de prazer surge à superfície do oceano invisível da Consciência, cuide dela e faça com que se expanda. Medite nela e isto fará com que cresça ainda mais. Não veja as limitações de sua pequenina bolha de prazer, mas mantenha sua atitude de fazê-la se expandir cada vez mais. Assopre e assopre com a força de sua concentração interior, até que ela se torne seu próprio oceano de Consciência, o oceano de alegria infinita.
2. Meu silêncio, como uma esfera crescente, se expande em toda parte.
Meu silêncio se expande como a música de um rádio, acima e abaixo, à direita e à esquerda, dentro e fora. Meu silêncio prossegue como uma chama de felicidade; as escuras moitas da tristeza, bem como os troncos fortes do orgulho, estão todos ardendo. Meu silêncio, como o éter, passa através de tudo, carregando as canções da terra, dos átomos e das estrelas para o centro de Minha mansão infinita.
3. Oh, Senhor, com o suave toque da intuição sintonizarei a estação da minha alma, livrando-me da inquietude crônica de minha mente, a fim de poder ouvir Tua voz de cósmica vibração, a música dos átomos, e a melodia do amor vibrando em minha supra consciência. Abençoa-me para que possa Te encontrar no templo de cada ação e pensamento.
Do livro "Meditações Metafísicas", de Paramahansa Yogananda
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OM Namah Shivaia - encontro Oriente e Ocidente
Meditação em Yoga: Em yoga Clássica, a yoga de Patanjali, ciência que demonstra a potencialidade possível ao homem, há oito passos a completar, envolvendo disciplinas tanto físicas qto. mentais. Na 1ª destas etapas, se acham disciplinas relativas à autoeducação, ou auto-controle, tais como: não violência (ahimsa), veracidade (satyagraha), continência (brahmacharya), etc. Na etapa seguinte, dita das 'observâncias', estão a prática de pureza, contentamento, esforço sobre si mesmo, estudo e consagração ao Ideal.
O 3° passo, ou 3ª pétala da Flor de Yoga, trata das posturas ou âsanas, ou seja, os modelos gestuais recomendados aos que aspiram algum domínio sobre seu corpo. A quarta etapa é dos 'pranayamas', isto é, as disciplinas necessárias ao controle da energia através da respiração. Pratyahara é a etapa em que se aprende a controlar os sentidos. Dhârana, a 6ª etapa, se ensina a concentração da atenção. O sétimo passo, denominado Dhyâna, se refere às tecnicas de introspecção ou de meditação, e o último degráu chama-se Samadhi, ou completa absorção no Ideal Espiritual.
Este é o caminho de Yoga, relevante símbolo atual do encontro entre Ocidente e Oriente.
Para ler todo o texto, click acima das postagens em 'Meditação em Yoga'.
